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História Viva - - Jaísa de Almeida

Dia do Jornaleiro celebra profissão que resiste à era digital

Mesmo com notícias na palma da mão, profissionais mantêm vendas de jornais nas ruas de Salvador

Em meio à rotina cada vez mais digital e ao acesso instantâneo às notícias pelo celular, uma profissão tradicional segue fazendo parte do cotidiano das cidades. No último dia de setembro, nesta quarta-feira (30), é comemorado o Dia do Jornaleiro, data que destaca os profissionais responsáveis pela venda de jornais nas bancas e pelas ruas.

Antes de a internet colocar as informações na palma da mão, era pelas vozes dos jornaleiros que muita gente ficava sabendo das principais manchetes do dia. Eles percorriam as ruas anunciando as notícias dos jornais e, com o tempo, passaram a ser figuras conhecidas também nas bancas espalhadas pelas cidades de todo o mundo.

Em Salvador, esses espaços acompanharam as mudanças no hábito de consumo. Além dos jornais, passaram a oferecer revistas, gibis, livros, alimentos e outros produtos. Algumas bancas ganharam características semelhantes às de pequenas lojas de conveniência, diversificando o atendimento para além da venda de publicações.

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Mesmo com a transformação provocada pela tecnologia, profissionais do setor continuam trabalhando para manter a relação com os leitores. É o caso de Joacyr Couto, dono da Banca do Alemão, localizada na Avenida Sete de Setembro, no Corredor da Vitória, em Salvador. Natural de Amargosa, no interior da Bahia, ele está há 38 anos na atividade. Começou como funcionário e, posteriormente, tornou-se proprietário do estabelecimento.

“Gosto muito da profissão, apesar da dificuldade hoje com a internet e com os meios de comunicação, que estão bem diversificados. É uma dificuldade a mais. Tem que se esforçar mais, tem que abrir cedo, tem que passar as informações do dia para o cliente e para as pessoas que estão comprando. E isso é uma parceria.”

Joacy Couto, dono da Banca do Alemão
Joacy Couto, dono da Banca do Alemão | Foto: Shirley Stolze/Ag. A Tarde

É evidente que o avanço da tecnologia mudou a forma como as notícias chegam ao público, mas, na avaliação de Joacyr, o interesse pelas publicações impressas ainda permanece entre parte dos consumidores.

Para ele, a variedade de assuntos encontrada nos jornais e a valorização da leitura, principalmente entre as pessoas de mais idade, ajudam a manter esse hábito, enquanto as bancas também precisam acompanhar as novas demandas.

“Sempre vai ter público, não importa quanto tempo passe. Acredito que o jornal nunca acaba. São tantos assuntos variados, lá se encontra de tudo, a leitura ainda é valiosa e o jornal é valorizado. E, se precisar, a gente vai se reinventando para continuar entregando a informação”.

Leitora do MASSA!
Leitora do MASSA! | Foto: Shirley Stolze/Ag. A Tarde

E é justamente nessa adaptação que o contato com os clientes ganha espaço na rotina dos jornaleiros. A convivência ao longo dos anos permite que os profissionais conheçam os hábitos dos consumidores, entendam o que eles procuram e acompanhem de perto as mudanças na cidade e no próprio mercado.

“Tem cliente que já está com a gente há muitos anos e a gente acaba conhecendo a rotina deles. Principalmente o público mais idoso, que continua procurando o jornal e a revista. Então, além de vender, a gente também procura atender aos pedidos e às necessidades dessas pessoas. É uma relação que vai além da banca, de estar ali para ajudar a comunidade.”, complementa Joacyr.

Bancas se reinventam

Essa necessidade de acompanhar o público também levou esses profissionais a ampliar a atuação dentro das próprias bancas. Também jornaleiro há alguns anos, Ilson Duran mantém o negócio há cerca de duas décadas e conta ao MASSA! que a atividade passou por mudanças ao longo desse período. Para manter o estabelecimento funcionando, foi preciso diversificar os produtos oferecidos e encontrar novas formas de atender os clientes.

“Hoje a pessoa recebe a notícia no celular em questão de segundos, então a gente precisou se adaptar. Mas ainda existe aquele leitor que gosta de pegar o jornal, folhear. Enquanto tiver esse público, a gente vai continuar trabalhando e buscando novas formas de manter a banca funcionando.”, diz.

Ilson Duran, dono da banca ART'S Leitura
Ilson Duran, dono da banca ART'S Leitura | Foto: Shirley Stolze/Ag. A Tarde

Isto significa que uma das formas de acompanhar essas mudanças foi justamente ampliar o que é vendido. Quem passa pelo local também encontra opções para diferentes momentos do dia, de acordo com Ilson. A oferta inclui desde itens para consumo imediato até outras publicações.

“A gente vende revista, cigarro, guloseimas, picolés e outros produtos também. É uma forma de diversificar e continuar atendendo o cliente. Às vezes a pessoa vem comprar um jornal, mas também leva alguma outra coisa.”, relata.

A banca de Ilson também vende outros itens
A banca de Ilson também vende outros itens | Foto: Shirley Stolze/Ag. A Tarde

Ponte com o leitor

A relação entre os jornaleiros e os leitores também é destacada por Rogério Santos, coordenador de venda avulsa do Grupo A TARDE. Segundo diz, esses profissionais fazem parte de uma cadeia que envolve a distribuição das publicações e o contato com o público, mantendo as edições impressas presentes em diferentes pontos da cidade.

Rogério Santos é coordenador de venda avulsa do Grupo A TARDE
Rogério Santos é coordenador de venda avulsa do Grupo A TARDE | Foto: Arquivo pessoal

“Vejo como uma ligação fundamental entre o jornal e o leitor. Ele contribui diretamente para a circulação da informação, levando diariamente as notícias às ruas e mantendo uma relação bem próxima aos leitores [...] Continuam tendo um papel importante na história na circulação da informação”.

Como canta o artista Toquinho na música “Aquarela”, no trecho que diz: “De uma América a outra, eu consigo passar num segundo. Giro um simples compasso e, num círculo, eu faço o mundo”. Se, na canção, um simples traço é capaz de atravessar fronteiras e transformar caminhos, na vida real, são os jornaleiros que ajudam a levar as histórias impressas para além das redações.

Eles não escrevem as notícias, mas participam de uma etapa essencial para que cada edição chegue a quem ainda espera pelo jornal. Neste dia 30, o Dia do Jornaleiro celebra justamente esses profissionais que, há décadas, fazem das bancas e das calçadas pontos de encontro entre as notícias e o público.

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