
Com o verão no auge e o calorão castigando até quem já tá acostumado, vale tudo para se refrescar: mergulho na praia, piscina no fim de semana, cachoeira no interior, ventilador ligado no máximo e ar-condicionado sem dó. O problema é que, no meio desse corre todo, ouvido, garganta e nariz pagam a conta — e caro.
Quem se joga na água com frequência precisa ficar ainda mais ligado. Não é coincidência que, nessa época do ano, as queixas relacionadas à audição lideram a lista dos mais afetados. A campeã de ocorrências é a otite externa, inflamação no canal auditivo que costuma dar as caras justamente no verão. A médica otorrinolaringologista Melina Marambaia explicou por que esse problema aparece e quais cuidados ajudam a evitar dor de cabeça — e de ouvido.

De acordo com a especialista, o quadro surge, na maioria das vezes, por causa da exposição frequente e prolongada à água, algo comum nos dias de calor intenso. Com isso, a umidade constante cria o ambiente ideal para a proliferação de fungos e bactérias, abrindo caminho para a infecção.
“As otites externas, relacionadas à inflamação da pele do canal externo do ouvido, aumentam no verão justamente pela maior exposição aos banhos de piscina e ao mar. É importante que se evite banhos e mergulhos muito prolongados, pois isso pode facilitar e aumentar o tempo de umidade nos ouvidos, deixando o ambiente local mais vulnerável às infecções.”, explica.
Quando a otite aparece, os sinais costumam ser claros — e bem incômodos. A dor geralmente é intensa, principalmente ao tocar a orelha, a ponto de a pessoa mal conseguir encostar. Junto disso, podem surgir secreções, que variam entre pus amarelado ou líquido claro, sensação de ouvido tampado por causa do inchaço do canal e, em alguns casos, até febre.
E não se engane: apesar de aliviar o calorão, tanto a água doce quanto a salgada podem virar vilãs. Quando ficam retidas na região, mantêm o local úmido por mais tempo e facilitam o surgimento de inflamações.

Nada de inventar moda
Diante do desconforto, muita gente tenta resolver tudo por conta própria — e aí mora o erro. Receitas caseiras, gotinhas sem prescrição ou ficar cutucando a área são atitudes comuns, mas arriscadas. A dra. Melina reforça que cuidado e orientação especializada devem vir sempre em primeiro lugar.
Não devemos pingar nada sem orientação médica prévia, é fundamental evitar usar dedos, hastes algodoadas ou qualquer outro objeto para coçar e manipular os ouvidos
orienta.
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Além dos mergulhos, outros hábitos típicos do verão também pesam. Quem convive com doenças respiratórias também precisa ficar atento, já que poeira, ácaros e ambientes abafados podem agravar os sintomas e acabar refletindo na audição. O uso contínuo de ar-condicionado e ventilador entra nesse pacote.
“As pessoas que sofrem com rinite alérgica precisam manter os ambientes bem arejados e fazer limpezas constantes no ventilador e no ar-condicionado para retirar o acúmulo de poeira e ácaros. Os quadros alérgicos não controlados podem também exacerbar, ainda mais se houver um aumento do uso de ar-condicionado e ventiladores pelas altas temperaturas”, conta a médica à reportagem.
Cotonete é “esparro”
Outro costume antigo, mas ainda bastante presente, é recorrer ao velho conhecido dos banheiros, o cotonete, para aliviar a sensação de ouvido tapado. Só que essa prática costuma causar mais prejuízo do que benefício.
“Usar a haste algodoada (cotonete) é contraindicado, pois pode empurrar a cera do ouvido para dentro, causando o tamponamento do mesmo, além de poder ferir a pele e servir de porta de entrada para uma infecção. Contudo, esse é o erro mais comum realizado pelas pessoas”, diz a profissional.

Mesmo com cuidados, há situações que exigem atenção imediata. A dra. Melina alertou que dor intensa no ouvido, dificuldade para respirar ou sensação de falta de ar são sinais que não devem ser ignorados nem adiados:
“Sintomas respiratórios como falta de ar ou esforço respiratório implicam em ida imediata a uma emergência hospitalar para avaliação. Dor intensa no ouvido também é um sinal que merece avaliação para descartar infecções que necessitem de antibiótico ou outras orientações médicas.”
No fim das contas, dá pra curtir o verão de boa, sem abrir mão do mergulho ou do ar gelado. O segredo é não vacilar e evitar resolver no improviso — porque, quando o ouvido reclama, o prejuízo costuma ser grande.
*Sob a supervisão da editora Amanda Souza
