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Saúde mental - 22/01/2026, 07:02 - Silvânia Nascimento

Hora da escola: como reduzir a angústia das crianças na adaptação

Período inicial pode ser traumatizante para os pequenos

Psicanalistas explicam como esse momento afeta os pequenos
Psicanalistas explicam como esse momento afeta os pequenos |  Foto: Ilustrativa / Freepik

Se existe algo que gera uma mistura de sensações em pais e responsáveis é saber que o filho passará a ter contato diário com o ambiente escolar. Os sentimentos de alegria e de angústia são os mais comuns nos adultos, afinal, tudo que é novo causa impactos e aflição. Nessa fase da vida não é diferente.

Esses impactos, por sinal, também afetam as crianças e, por menores que sejam, elas sentem e buscam maneiras de demonstrar seus sentimentos. Devido a isso, especialistas, como psicólogos, pedagogos e outros orientam que a inserção da escola na rotina dos pequenos seja realizada de maneira planejada e gradativa.

Quem apresenta mais explicações sobre o assunto é Larissa Machado, psicanalista e diretora do Colégio São Paulo, unidade Tempo de Criança. “Para a criança que vai para a escola pela primeira vez, o desafio é bem diferente de uma daquela que está voltando com a vivência do Ensino Fundamental 2, isso porque elas já têm a cultura da escola. Pensar numa criança que vai para a escola pela primeira vez, acho que tanto os pais quanto as crianças ficam apreensivos, porque a criança vai ter que lidar com um ambiente que é totalmente desconhecido para ela. Não tem vínculo, não tem laço, não tem segurança, portanto, isso tudo vai ter que ser construído”, disse.

Especialista listou algumas orientações que podem ser colocadas em prática pelos pais
Especialista listou algumas orientações que podem ser colocadas em prática pelos pais | Foto: Ilustrativa / Freepik

A especialista listou algumas orientações que podem ser colocadas em prática pelos pais e responsáveis nesse processo de confiança e adaptação. “Talvez não deixar a criança ficar o dia inteiro no ambiente escolar, ir ampliando a permanência na escola com a presença de alguém que seja de confiança, seja pai, mãe, avó ou quem a família eleger para fazer essa transição, para acompanhar a criança nesse processo de construção de vínculo com esse novo espaço. É importante que seja gradual, que a criança vá aos poucos construindo esse vínculo com os novos adultos. Porém, para que a criança possa construir o vínculo com os novos adultos, é importante que o adulto de referência se ausente por pequenos momentos. Então, nos primeiros dias, quem está acompanhando precisa conversar com a criança, falar que vai ao banheiro, que vai ali fora e volta. Nessa ausência do adulto de referência, a criança pode chorar, vai sentir falta, e o adulto novo [da escola] vai acolher. Nesse acolhimento do adulto novo, diante da falta do adulto de referência, começa a construção do vínculo”, aconselhou.

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A psicanalista coloca a comunicação entre a criança e o adulto como ferramenta e estratégia indispensáveis. “Nesses afastamentos temporários é sempre bom conversar. Orientamos a nunca sair escondido, sem falar com a criança. Às vezes, o adulto faz isso porque não suporta o choro da criança, então, para sair sem deixar a criança sofrendo, acha mais fácil sair escondido. Mas isso é muito ruim para a criança, porque se instala uma angústia grande, ela fica muito atenta a qualquer movimento, porque os pais podem desaparecer. É melhor que se comunique. Falar a verdade é a primeira coisa dessa relação de confiança. Mesmo a criança sendo pequena, ela vai compreender pela segurança do adulto que ele vai e volta. Isso é questão de viver para construir. Depois que constrói, acabou a angústia. Cria a confiança e ela vai suportar ficar sem o pai ou a mãe, porque ela sabe que eles vão voltar depois”, explicou Larissa.

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