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cama vs ringue - 17/01/2026, 08:00 - Lais Machado*

Entre tapas, beijo e lençóis: entenda o mito do 'sexo pós-briga'

Especialista explica por que o sexo pós-briga pode ser intenso, mas também esconder riscos emocionais no relacionamento

O sexo pode ser gostoso, mas não quer dizer que seja saudavél
O sexo pode ser gostoso, mas não quer dizer que seja saudavél |  Foto: Ilustrativa/ Freepik

Um casal que se ama até mesmo na cama provoca loucura”, já dizia a dupla Leandro e Leonardo. Mas será que transformar a cama em ‘ringue’ realmente compensa? Muita gente jura que o sexo pós-briga é sensacional, mas, a longo prazo, esse prazer imediato pode cobrar um preço alto.

Para muitos casais, o chamado sexo de reconciliação aparece como um momento intenso, quase terapêutico, em que a paixão reacende logo após o conflito. Mas, apesar da boa fama, essa prática pode ter efeitos muito diferentes dependendo de como o casal lida com ela.

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Segundo a sexóloga Raquele Carvalho, o sexo pós-briga pode, sim, funcionar como um gesto legítimo de reconexão, mas só quando o conflito já foi parcialmente elaborado.

“Para muitos, o sexo pós-briga é interpretado como algo intenso, apaixonado e até terapêutico. Mas o impacto real depende muito da função que ele ocupa na relação.” Segundo ela, quando o casal se escuta minimamente e escolhe o contato físico como forma de retomar a conexão, a transa entra como uma extensão do diálogo:

“O corpo complementa o diálogo e ajuda a restaurar a intimidade.”

Raquele Carvalho (@raquele.carvalho), Sexóloga
Raquele Carvalho (@raquele.carvalho), Sexóloga | Foto: Arquivo Pessoal

O ciclo perigoso: conflito → explosão → sexo → trégua… → repetição

O problema começa quando o sexo substitui a conversa, virando uma solução rápida que alivia a tensão, mas não resolve o que realmente causou a briga.

Quando isso se torna padrão, surge um ciclo desgastante: conflito, intensidade emocional, sexo forte, sensação de paz… e o retorno do mesmo problema. “Com o tempo, isso pode criar um padrão cíclico. Esse ciclo pode desgastar a relação, porque impede que o casal desenvolva formas mais maduras de comunicação e resolução de conflitos.”

Além disso, Raquele alerta que a dinâmica pode embaralhar emoções e desejo: “O casal passa a associar tensão, raiva e frustração a excitação sexual. Para alguns, isso vai aumentar o desejo. Para outros, mina a segurança emocional.”

Regular emoção X resolver problema

Para a especialista, o sexo pós-briga também pode atuar como um mecanismo de fuga emocional, um jeito de evitar conversas difíceis. “O sexo pós-briga pode se transformar em um mecanismo de regulação emocional, mas nem sempre um mecanismo saudável.”

Quando o casal usa o prazer para anestesiar sentimentos como mágoa, frustração ou medo de abandono, o conflito deixa de ser uma oportunidade de amadurecimento e vira algo a ser silenciado. Um parceiro aprende que não precisa se responsabilizar, porque o sexo sempre encerra o assunto; o outro percebe que expressar incômodos não leva a mudanças.

“Aí tem um risco de se estabelecer uma associação inconsciente entre conflito e desejo e isso pode gerar dependência emocional do drama, dificultando relações mais estáveis e seguras", alerta Raquele.

Quando o sexo vira moeda emocional

Outro ponto crítico é o efeito na autoestima. Se existe assimetria emocional, um parceiro com mais poder, mais espaço de fala ou menos medo de perder, o sexo pode virar uma forma de acomodação forçada.

Quando alguém percebe que seus sentimentos não são acolhidos e que o sexo surge como forma de fechar o assunto, a pessoa começa a internalizar que suas dores importam menos do que manter a harmonia.

Aspas

A relação deixa de ser um espaço de validação emocional, de segurança, de construção e passa a ser um espaço de adaptação constante às necessidades do outro

Sexóloga Raquele Carvalho

Em situações mais delicadas, o sexo deixa de ser escolha e vira troca emocional, usada para evitar abandono ou manter a relação estável. “Uma relação saudável não exige que ninguém abra mão da própria voz para manter o vínculo", reforçou.

O caminho saudável: diálogo primeiro, cama depois

Apesar dos riscos, o sexo de reconciliação não é um vilão, desde que não seja usado para encobrir problemas. A chave está na ordem: conversa antes, cama depois. Assim, o momento de reaproximação continua intenso, mas sem estar carregado de raiva, medo ou insegurança.

"O sexo pode ser uma potente ferramenta de conexão… mas só é realmente saudável quando acontece junto e não no lugar do diálogo, do respeito e da escuta", destaca a sexóloga.

*Sob a supervisão da editora Amanda Souza

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