
As confeiteiras acordaram com uma surpresa nesta sexta-feira (16). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a comercialização e a utilização de glitters e folhas douradas comestíveis. Os materiais são utilizados para decorar bolos e doces, em geral.
Segundo a agência, foi encontrado a presença de polímeros plásticos nos produtos. A determinação vale para todos os lotes do Pó/Brilho (glitter) para Decoração, em todas as cores, e das Folhas de Ouro para Decoração fabricadas pela empresa 3JG Indústria e Comércio de Artigos para Confeitagem Ltda.
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Entenda a suspensão
Testes mostraram que esses produtos tinham plástico na composição, material que não é permitido em alimentos pelas regras de saúde do Brasil. Mesmo assim, os produtos continuaram anunciados e vendidos como se fossem ingredientes de cozinha, inclusive nas redes sociais e em sites de compras.

A agência também destacou que os vendedores indicavam o uso direto desses produtos na comida, o que vai totalmente contra as normas de segurança alimentar. Vale lembrar que comer plástico é proibido no país desde 1969, quando foram criadas as regras básicas que regulam os alimentos no Brasil.
Confeiteira comenta o impacto
Com sete anos de experiência, Sheila Cerqueira trabalha com confeitaria e compartilhou com o MASSA! como a determinação da Anvisa impacta a relação da profissional com os clientes.

Sheila disse que já não usava os produtos desde a primeira sinalização de problemas nos produtos, apesar de que utilizava bastante. "Eu utilizava muito glitter, mas depois das apurações da Anvisa, acabei deixando de utilizar. Afinal, não podemos brincar com a saúde e a vida do próximo", declarou a confeiteira.
A confeiteira ainda sinalizou que apesar de não usar mais há um tempinho, confessou que não usar mais o glitter também traz prejuízos.
"A falta dos produtos impacta na beleza, no chame que o glitter proporciona nos bolos. Traz ar de luxo e modernidade aos bolos. Apesar disso, não influencia tanto pelo fato do bolo ser uma arte, e, através dessa arte, conseguimos desenvolver umas experiências legais com nosso trabalho. Mas faz falta, porque a confeiteira ama um banho de glitter nos bolos", explicou.
Relação com a clientela
Na visão de Sheila há um impacto com a clientela, mas não tão grande. Com muitos compradores diferentes, fez uma análise: "A clientela é bem diversificada. Alguns gostam de muito glitter, outros já não gostam muito. Colocando na ponta da caneta, 60% gostaria de que usasse o glitter. Gera um impacto, mas não impactaria muito".
