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likes e crimes - 20/01/2026, 16:30 - Bruno Dias e Luan Julião

Influenciadores envolvidos com crimes entram no radar da Polícia Civil

Uso das redes sociais em esquemas ilegais passou a ser foco de investigações na Bahia

Polícia Civil investiga criminosos integrantes de facção criminosa do Rio de Janeiro na Bahia
Polícia Civil investiga criminosos integrantes de facção criminosa do Rio de Janeiro na Bahia |  Foto: Divulgação / Polícia Civil

As recentes prisões e investigações envolvendo influenciadores digitais na Bahia evidenciam uma mudança de postura das forças de segurança diante do uso das redes sociais como instrumento para práticas criminosas. Casos que vão desde o comércio ilegal de medicamentos até esquemas milionários de rifas clandestinas e tráfico de drogas passaram a integrar o foco das apurações conduzidas pela Polícia Civil do estado.

Operação Mirakel e o comércio ilegal de medicamentos

O caso mais recente veio à tona no dia 14 de janeiro, com a deflagração da segunda fase da Operação Mirakel, em Salvador. A ação mirou um grupo suspeito de estruturar roubos a farmácias, receptação e comercialização clandestina de canetas emagrecedoras. Entre as presas estão a coach de beleza Claudiana Rocha e a influenciadora Laís Santiago.

As investigações apontam que Claudiana Rocha, que reunia mais de 7 mil seguidores, teria atuado de forma ativa na engrenagem do esquema, solicitando diretamente a adolescentes a prática dos roubos.

Já Laís Santiago, seguida por mais de 100 mil pessoas, é investigada por suspeita de receptação dos medicamentos subtraídos. Antes da prisão, Claudiana se apresentava nas redes como mentora de mulheres no setor da beleza, descrição que foi retirada do perfil após a operação policial.

Lai Santiago tem 111 mil seguidores no Instagram
Lai Santiago tem 111 mil seguidores no Instagram | Foto: Reprodução/Instagram

Ao todo, seis pessoas foram alvos de mandados judiciais, sendo que duas já cumpriam pena em um presídio da capital. A primeira fase da operação, realizada em junho do ano passado, havia levado à prisão de dois apontados como responsáveis por estruturar o esquema. As apurações indicaram que um deles recrutava adolescentes para executar os roubos, enquanto o outro atuava diretamente na subtração dos medicamentos.

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Rifas virtuais e a movimentação milionária

Outro episódio de grande repercussão envolve um esquema de rifas ilegais divulgado massivamente nas redes sociais. Em abril, 24 pessoas foram presas na Região Metropolitana de Salvador, entre elas sete policiais militares, suspeitas de integrar uma organização criminosa responsável por lavar dinheiro obtido com sorteios fraudulentos. Segundo a Polícia Civil, o grupo chegou a movimentar cerca de R$ 680 milhões.

Entre os investigados estão influenciadores com grande alcance digital. Ramhon Dias, preso ainda na primeira fase da operação, em setembro de 2024, e posteriormente liberado com o uso de tornozeleira eletrônica.

Ramhon Dias, preso ainda na primeira fase da operação
Ramhon Dias, preso ainda na primeira fase da operação | Foto: Ilustrativa/Shirley Stolze / Ag. A TARDE

Também foi preso Franklin Reis, conhecido por conteúdos humorísticos e pelos personagens Neka e Abias, que somam mais de 690 mil seguidores. O casal José Roberto Santos, conhecido como Nanam Premiações, e Gabriela Silva, apontados como líderes do esquema, também estavam entre os presos. Juntos, eles acumulam mais de 250 mil seguidores e foram localizados em um condomínio de luxo na Estrada do Coco.

As investigações ainda alcançaram o influenciador Josemário Lins, com mais de 650 mil seguidores, preso em Juazeiro, no norte do estado, além do policial militar Lázaro Andrade, conhecido como Alexandre Tchaca.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava empresas de fachada e pessoas interpostas para ocultar a origem dos valores ilícitos e manipulava os resultados das rifas para beneficiar integrantes da própria organização.

Tráfico de drogas e a Operação Erva Afetiva

No campo do tráfico de drogas, a influenciadora Melissa Said, que tem mais de 320 mil seguidores, apontada como principal alvo da Operação Erva Afetiva. As investigações, iniciadas em 2024, indicam que ela atuava na articulação de um esquema de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro, utilizando as redes sociais para promover o consumo de entorpecentes e orientar seguidores sobre como despistar a fiscalização policial durante deslocamentos.

Segundo a Polícia Civil, Melissa utilizava seu alcance digital para comercializar maconha e manter contato com fornecedores na Bahia e em São Paulo. Em ações de autopromoção, ela chegou a distribuir cigarros de maconha em vias públicas durante o período natalino.

Influenciadora Melissa Said
Influenciadora Melissa Said | Foto: Reprodução / Instagram @melissasaid

Durante a operação, realizada em outubro, em Lauro de Freitas, outras duas pessoas também tiveram mandados de prisão expedidos. Em São Paulo, uma mulher foi presa em flagrante durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, com a apreensão de drogas, balanças de precisão, veículos e outros materiais ligados à atividade criminosa.

Estruturas especializadas no combate ao crime digital

Diante desse cenário, o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Viana, destacou, em entrevista exclusiva ao Grupo A TARDE, que as investigações não partem de generalizações, mas de indícios concretos.

"A função essencial da Polícia Civil é justamente efetuar a investigação no sentido de esclarecer os crimes. Então, nós não podemos generalizar no grupo dos blogueiros que eles estejam praticando os crimes, mas os que venham a cometer crimes que possam ser identificados através da atividade de investigação, nós vamos efetuar justamente as ações para que seja gerada uma punição."

Segundo ele, o trabalho investigativo é conduzido com cautela e base técnica, visando evitar injustiças.

Delegado André Viana
Delegado André Viana | Foto: Bruno Dias / Portal MASSA!

"E nós temos que identificar. Então, é colocar os holofotes, os canhões, vamos dizer assim, da investigação nesse sentido, a lupa, para poder esclarecer por completo e também para não cometer nenhuma injustiça."

André Viana explicou ainda que estruturas especializadas da Polícia Civil atuam diretamente nesses casos, especialmente quando envolvem fraudes digitais e crimes organizados.

"Então, os que venham a capitanear recursos com esse viés de fraude, com esse viés de estelionato, ou seja, capitanear recursos enganando ou fomentando outras condutas criminosas, a Polícia Civil está justamente com o Departamento de Repressão ao Crime Organizado, bem como o nosso DEIC, aqui também com órgãos específicos, desenvolvendo o cyber, a parte tecnológica, para justamente efetuarmos a análise de dados referente a um caso específico, referente a um alvo específico, para poder apontar justamente o esclarecimento desse crime ou da conduta criminosa."

O delegado-geral reforçou que novas apurações estão em andamento.

"Sem revelar nomes, com certeza a Polícia Civil está no encalço, sim, do esclarecimento, justamente para esclarecer a conduta criminosa que vem a ser praticada por essas pessoas."

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