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"Território Livre" - 11/02/2026, 09:30 - Jaísa de Almeida

Badalada em Salvador, taxa-crime de net tem cerco fechado em operação

Bonde que intimida ilegalmente provedores entrou na mira do MP

Operação tenta frear domínio do crime sobre serviço de internet
Operação tenta frear domínio do crime sobre serviço de internet |  Foto: Divulgação/Ascoms SSP/Ascom MPBA

Um esquema apontado como responsável por controlar, na base da pressão, o serviço de internet em cidades da Região Metropolitana de Salvador (RMS) sofreu um duro golpe nesta quarta-feira (11). A ofensiva atingiu suspeitos de impor regras, fazer ameaças e cobrar taxas ilegais para liberar o funcionamento de provedores locais — prática atribuída a uma organização criminosa ligada ao Comando Vermelho (CV), com atuação em Dias D’Ávila.

Batizada de Operação Território Livre, a ação do Ministério Público da Bahia (MPBA) cumpriu mandados de busca e apreensão também em Lauro de Freitas e Camaçari. As investigações indicam que o grupo agia com intimidações contra empresários do setor e cobranças ilícitas, garantindo espaço para operar sob ameaça.

As apurações também descrevem uma engrenagem bem montada, com funções divididas entre os integrantes. O núcleo de liderança estaria nas mãos de um homem foragido da Justiça, com mandados de prisão em aberto, responsável por determinar ordens, impor regras e autorizar o uso de violência como forma de coerção. Mesmo sem paradeiro conhecido, ele seguiria influente por meio de operadores que mantêm o esquema rodando.

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Outros investigados aparecem ligados à parte operacional e financeira, coordenando cobranças, repassando ameaças, recolhendo valores e garantindo que o dinheiro abasteça a estrutura criminosa. Há ainda apuração sobre possível participação de pessoas do próprio setor de internet, que teriam dividido lucros com o grupo.

Avanço do controle armado

A prática, segundo relatos já reunidos anteriormente pelo MASSA!, não chega como novidade. Moradores de bairros como Cabula e Cosme de Farias contam que grupos armados passaram a mandar no serviço: quando empresas se recusam a pagar o chamado “pedágio”, o sinal cai, equipamentos são sabotados e funcionários viram alvo de ameaça — em alguns casos, com desfechos violentos.

Fontes policiais ouvidas pela reportagem reforçam que a expansão desse tipo de controle tem realmente ligação com o avanço do CV em áreas da capital baiana e da RMS.

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