
Idealizado pelo professor de jiu-jitsu Emanuel Costa, o projeto social Pescadores de Vidas vem há mais de 10 anos mudando a realidade de centenas de pessoas em Salvador através do esporte, disciplina e educação, de forma 100% gratuita. Localizada no bairro de Boa Viagem, a iniciativa oferece, além de aulas esportivas, como o jiu-jitsu, reforço escolar obrigatório para todos os alunos.
“As pessoas têm o costume de dizer que tudo é projeto social, aula gratuita não é projeto social. Você pega um menino dá uma bola, beleza, mas isso vai mudar a vida dele? Aqui é um projeto de longo prazo, tem reforço escolar, tem psicóloga. A gente tem que investir na educação dessas crianças hoje, para elas não serem os marginais de amanhã. Não existe projeto social sem livro e sem caneta”, destacou o sensei ao MASSA!.
“O objetivo do projeto é mudar a história de vida. Não é fazer campeão do torneio, mas sim campeões da vida. Meu sonho é chegar aqui e ver um bocado de universitários, os meninos que não tinham pra onde ir conseguirem se tornar o que querem. Tem meninas que vêm de violência, traumas, gravidez na adolescência. O menino que viu o pai fumando crack dentro de casa. Conheço todos esses casos”, acrescentou Emanuel Costa.
Leia Também:
Além de vários títulos estaduais e regionais, centenas de vidas foram e são transformadas todos os dias no Pescadores de Vidas, alimentando sonhos que antes pareciam impossíveis. Um dos exemplos de maior orgulho do professor no programa é o de Noemi, que resgatou da rua com apenas 12 anos e hoje, aos 24, é tatuadora e trata o projeto como a sua família.
“É metade da minha vida aqui no projeto, desde criança, já é minha casa. Vir aqui é equilibrar minha vida, minha paz, é meu refúgio. Sou tatuadora graças ao projeto, me deu coragem, mudou a cabeça, maturidade, deu coragem de chegar, falar, perder a vergonha, uma coisa puxa a outra”, lembrou a também aluna de jiu-jitsu da iniciativa.

Ajuda com programa da Globo
Sem patrocínios e nem ajuda do governo nestes mais de 10 anos, um episódio marcou e mudou a história do projeto Pescadores de Vidas: o ‘The Wall’. O quadro era uma atração do ‘Caldeirão do Huck’, onde os participantes tentavam ganhar dinheiro respondendo perguntas e contando com a sorte. Foi este o caso de Emanuel Costa, que teve uma participação inesquecível em 2020 no programa da Rede Globo.
“Fiz um vídeo quando entrei aqui: ‘galera, já peguei a chave, agora só falta a reforma, manda para Luciano Huck’. E aí fizeram a nossa inscrição e a gente foi escolhido. Eu tinha R$ 160 mil, mas perdi na última bola e trouxe R$ 16 mil. Mas o marketing não tem preço, você passa o sábado todo na Globo. A gente criou essa visibilidade, o pessoal viu que o projeto era uma coisa mais séria. Com isso, eu peguei o dinheiro do prêmio e botei aqui, mudamos completamente a estrutura”, relembrou Emanuel ao MASSA!.

Boas histórias para contar
Além de histórias como a de Noemi, outra jovem que teve a vida transformada pela iniciativa foi Bianca Machado, que chegou com 15 anos, e hoje é mãe, trabalha e também é professora do projeto. “Conheci o projeto através da igreja, que começou lá. O Emanuel foi e me trouxe. É fantástico crescer aqui, foi gratificante, é minha segunda família. Trabalho como auxiliar de desenvolvimento infantil, hoje também sou professora da área infantil do projeto. Faço isso de graça, para devolver o que tanto me deram quando eu era jovem e precisava. Tive uma filha cedo e todos me apoiaram, hoje ela também participa do projeto e já quer lutar, está no sangue”, detalhou Bianca ao MASSA!.
*Sob a supervisão do editor Léo Santana
