Na hora do sexo, mãos, bocas e outras partes do corpo podem participar da brincadeira e, com isso, o pênis pode ser submetido a diferentes tipos de estímulo. Apesar de fazer parte da intimidade, o manuseio do órgão exige atenção para evitar machucados, principalmente quando há força excessiva, movimentos bruscos ou pouca lubrificação.
A preocupação não se limita ao momento do sexo, até porque o ‘amigão’ também precisa de cuidados no dia a dia, que geralmente começam a partir da percepção do próprio corpo. Saber quais movimentos são confortáveis e reconhecer quando algo está incomodando ajuda a evitar que o prazer seja acompanhado por machucados.
Estar ciente dos próprios limites é um bom começo, mas não é o único ponto a ser observado. A psicóloga e sexóloga Mirna Rosier (CRP 03/04665) esclarece a você, leitor do MASSA!, que dor ou desconforto durante a intimidade nem sempre têm origem física. Questões emocionais também podem influenciar a forma como o corpo do homem reage na hora da relação.
“O desconforto sexual raramente é apenas mecânico. Do ponto de vista biopsicossocial, ansiedade de desempenho, histórico de trauma ou abuso, educação sexual repressiva, vergonha, conflitos relacionais e expectativas de performance influenciam diretamente a percepção de dor e de prazer", explica.

A origem do incômodo pode ser percebida a partir da situação em que ele aparece. Pense no seguinte exemplo: uma dor que surge apenas em determinadas práticas ou com parceiros específicos pode ter relação com fatores psicológicos ou com a forma como a transa está sendo conduzida.
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“Vale sempre observar se o desconforto aparece apenas em determinados contextos ou com determinados parceiros — esse padrão costuma indicar um componente psicológico relevante", diz.
Falar abertamente sobre o que se gosta e o que não se gosta deixa de ser um detalhe e passa a ser parte do cuidado
Mirna Rosier

Comunicação é essencial
Além disto, falar durante o sexo não precisa significar interromper a intimidade, pelo contrário: perguntar, combinar limites e conseguir conversar de maneira assertiva sobre suas preferências ajuda a entender o que funciona para cada pessoa, sem depender de suposições por parte do parceiro.
“A comunicação precisa ser contínua, porque é ela que permite ajustar intensidade, pressão e movimentos sem adivinhação. Durante a relação, alguns cuidados concretos sustentam o toque seguro”.
Sendo assim, durante a transa, é necessário atenção a:
▶️ Lubrificação: reduz o atrito e ajuda a evitar irritações e pequenas fissuras;
▶️ Intensidade: movimentos devem respeitar a tolerância de cada pessoa;
▶️ Unhas: mantê-las aparadas diminui o risco de arranhões durante o toque;
▶️ Ereção: dobrar ou forçar o pênis pode provocar uma lesão grave;
▶️ Sensibilidade: depois do orgasmo, a região pode ficar mais sensível, exigindo cuidado na continuidade dos estímulos.
Mesmo que o homem queira incorporar o Kama Sutra na hora do ‘rala e rola’, a troca de algumas posições sexuais também merece atenção imediata. De acordo com Mirna, as mudanças de estímulo devem ocorrer de maneira gradual, enquanto a lubrificação precisa ser mantida.
“Quando algo não vai bem, o manejo é direto: parar, perguntar e ajustar. [...] Em síntese, o prazer seguro se constrói na combinação entre informação sobre o próprio corpo, comunicação honesta e atenção constante ao conforto de quem está do outro lado”, diz.
Lesões que podem aparecer
O urologista Joabe Carneiro (CRM 17642), do Hospital Fundação Bahiana de Cardiologia e Combate ao Câncer (HFBCCC), complementa a fala da sexóloga ao apontar que o manuseio inadequado pode ainda provocar diferentes ferimentos, inclusive durante a masturbação.

Confira abaixo as principais lesões:
▶️ Escoriações e fissuras: podem surgir após atrito intenso;
▶️ Hematomas: aparecem quando há trauma nos tecidos;
▶️ Lesão do frênulo: pode ocorrer durante movimentos mais fortes e provocar sangramento.
▶️ Fratura peniana: ocorre com a ruptura da túnica albugínea do corpo cavernoso durante a ereção. Pode causar estalo, perda imediata da ereção, dor, inchaço e hematoma. É uma urgência urológica.

Nem todo incômodo é igual
Nem toda vermelhidão ou ardência significa uma lesão grave. Ainda assim, o urologista Felipe Pinho (CRM-BA 30382 / RQE 21711), orienta observar a evolução do quadro, afinal, alguns sinais indicam que não é hora de esperar para ver se passam.
Uma irritação simples costuma causar vermelhidão e ardência e melhora quando retiramos o produto ou fator irritante.
Felipe Pinho

"Feridas, bolhas, secreção, mau cheiro, sangramento, dor intensa ou lesões que não melhoram, precisam de avaliação médica, pois podem indicar Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) ou alguma doença dermatológica", destaca.
Essa atenção aos sinais também vale para a rotina fora da cama, afinal, a limpeza adequada do pênis ajuda a preservar a saúde da região. Mesmo com a crescente de rotinas de skin care íntima nas redes sociais, o cuidado não depende exclusivamente de uma lista enorme de cosméticos ou procedimentos.

Para manter a região limpa, algumas medidas podem ser incorporadas ao dia a dia.
▶️ Durante o banho: quem tem prepúcio deve retraí-lo cuidadosamente para lavar a glande com água e sabonete suave.
▶️ Na secagem: o órgão deve ser seco sem esfregar com força, evitando deixar umidade acumulada.
▶️ Após urinar: quando possível, secar a ponta do pênis ajuda a evitar resíduos de urina na cueca.
▶️ Depois do sexo ou masturbação: a lavagem remove fluidos corporais, sêmen e resíduos de lubrificante.
▶️ Roupa íntima: a cueca deve ser trocada diariamente e não ficar apertada demais.
No fim das contas, cuidar do pênis durante o sexo não significa transformar a relação em um manual de instruções. O segredo é seguir o básico que funciona: prestar atenção ao próprio corpo, respeitar os limites e não insistir diante da dor.
Fora da relação, a higiene regular e a observação de alterações o órgão completam esse cuidado.
