
Descrito pela primeira vez em 1948, pelo ginecologista americano Arnold Kegel, os exercícios Kegel começaram com o objetivo de tratar a perda involuntária de urina em mulheres após o parto. Com o tempo, foi percebido que a prática também trazia benefícios para outras funções, inclusive a sexual.
Patrícia Lordêlo, fisioterapeuta pélvica e pós-doutora em ginecologia, explica que os exercícios são voltados aos músculos do assoalho pélvico e são indicados para pessoas que apresentam incontinência urinária, urgência miccional e fecal, prisão de ventre, incontinência fecal, ressecamento vaginal, descida de órgãos pélvicos (bexiga, útero e/ou reto), dor na relação sexual, entre outras queixas. Eles também podem ser realizados com o foco em prevenir essas disfunções pélvicas, especialmente na gestação e no processo de envelhecimento.

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Os exercícios são grandes aliados para as mulheres na hora do sexo. A fisioterapeuta explica como isso acontece. "[Ajuda] a ter controle e força muscular adequados que auxiliam a mulher a ter boa adaptação do pênis durante o ato sexual e a tracionar o clitóris mais próximo ao introito vaginal (abertura externa da vagina), já que há músculos do assoalho pélvico que se inserem no clitóris. Os exercícios perineais também aumentam a circulação sanguínea e, consequentemente, a lubrificação vaginal".
Os homens que costumam ser precoces na hora de ejacular também podem ser beneficiados com a prática.
Para os homens que apresentam ejaculação precoce, os exercícios podem auxiliar no controle muscular e do próprio orgasmo.
Patrícia Lordêlo
Conheça a prática
Agora que você já sabe dos pontos positivos do Kegel, está na hora de saber como praticar. "O exercício pode ser realizado na posição deitada, sentada ou em pé, sendo que deitada é a mais fácil. A contração deve ser direcionada para a região vaginal e/ou anal, como se houvesse uma vontade de urinar ou evacuar e a pessoa precisasse inibir esse desejo. Para homens, o exercício também pode ser realizado tentando elevar os testículos ou tentando movimentar a base do pênis. É importante trabalhar a força muscular, a resistência, a coordenação e a capacidade de relaxamento e todos esses aspectos precisam ser contemplados no protocolo de exercícios", detalhou Patrícia.

"O tempo de sustentação da contração, o número de séries e de repetições irão depender do condicionamento da região de cada pessoa, então não é possível prescrever um protocolo adequado generalizado sem uma avaliação prévia. De forma ampla, tentamos alcançar 10 a 12 repetições (que podem ser separadas em séries) de contrações rápidas e contrações sustentadas, sendo estas contabilizadas a partir de 3 segundos", seguiu explicando a profissional.

Mas se ligue, tem que ir nas 'manhas', pois se mal feito, o que era pra ajudar pode gerar transtornos. "É possível que a contração inadequada leve a disfunções. Muitas pessoas contraem os glúteos, os músculos da perna, o abdômen e até predem a respiração durante os exercícios perineais. Essas contrações errôneas diminuem a eficácia dos exercícios, e forçar a barriga durante o exercício pode piorar algumas queixas. Mulheres que já têm dificuldade em relaxar o períneo, se fizerem os exercícios de Kegel sem orientação adequada, podem piorar o quadro de dor ao fazerem exames ginecológicos, ao terem relações sexuais e ao colocarem absorvente interno", sinaliza a fisioterapeuta.
[Ajuda] a ter controle e força muscular adequados que auxiliam a mulher a ter boa adaptação do pênis durante o ato sexual.
Patrícia Lordêlo
Além disso, Patrícia seguiu alertando que a constração errada da musculatura "pode piorar também a prisão de ventre e/ou a dificuldade de eliminar urina, já que essas funções necessitam de relaxamento muscular e não contração", pontua.
Ou seja, apesar de essencial, o Kegel precisa ser feito de forma correta e com orientação de um profissional especializado na área.

