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Calendário - 08/08/2026, 08:00 - Jaísa de Almeida

Qual o número ideal? Descubra se casais têm meta sexual para atingir

Entenda quais fatores realmente influenciam a intimidade de cada pessoa

Ficantes, namorados, casados: não importa a nomenclatura, eles têm uma coisa em comum: transam. Seja no início de um romance, quando a vontade de estar junto parece não ter fim, ou depois de anos de relacionamento, o sexo costuma fazer parte da vida afetiva de muitos casais. O que muda com o passar do tempo é a frequência. Afinal, depois que a fase da paixão intensa dá lugar à rotina, existe um número considerado "normal" para manter uma relação saudável?

Essa dúvida é mais comum do que parece. Não faltam comparações nas redes sociais, conversas entre amigos e até brincadeiras sobre quem faz mais ou menos sexo. Em meio a tantas opiniões, muita gente pode até acreditar que existe uma quantidade mínima de relações para um relacionamento dar certo. Só que a ciência ainda não encontrou uma resposta capaz de servir para todos os casais.

Uma pesquisa da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, divulgada em 2024, mostra que a frequência sexual tende a diminuir conforme a idade entre adultos americanos que vivem relacionamentos considerados saudáveis e estáveis. Os dados indicam uma média de 78 relações por ano entre pessoas de 18 a 29 anos. Entre 30 e 39 anos, a média passa para 68; entre 40 e 49 anos, 56; entre 50 e 59 anos, 42; entre 60 e 69 anos, 32; e, acima dos 70 anos, cerca de 18 relações anuais.

A ciência ainda não encontrou uma resposta capaz de servir para todos os casais
A ciência ainda não encontrou uma resposta capaz de servir para todos os casais | Foto: Ilustrativa/Reprodução/Freepik

Apesar dos números, não existe um consenso sobre quantas vezes um casal deveria fazer sexo. No Brasil, por exemplo, não há pesquisas que estabeleçam uma frequência considerada ideal. Para a fisioterapeuta especialista em saúde pélvica Brenda Ianca (CREFITO 325568-F), a saúde sexual não pode ser medida apenas pela quantidade de relações ao longo da semana ou do mês.

Brenda Ianca é especialista em saúde pélvica
Brenda Ianca é especialista em saúde pélvica | Foto: Arquivo pessoal

Antes de qualquer comparação com pesquisas ou experiências de outras pessoas, ela explica que o principal parâmetro é o bem-estar dos dois parceiros. Se ambos estão confortáveis com a vida sexual que construíram, não há motivo para enxergar aquela frequência como insuficiente.

"Na literatura, não temos nenhum dado que informe que existe uma frequência sexual considerada ideal para um casal saudável. O que existe é a satisfação de ambas as partes em relação à qualidade do sexo e à frequência sexual. Então, se ambos estão satisfeitos com a frequência, está tudo bem. Isso é ser saudável.", descreve ao MASSA!

A também fisioterapeuta pélvica Larissa Bastos (CREFITO 277812-F) segue a mesma linha de raciocínio. De acordo com ela, uma experiência sexual positiva costuma ter mais impacto para a manutenção do desejo do que simplesmente aumentar a quantidade de relações. Em outras palavras, transar mais vezes não significa, necessariamente, ter uma vida sexual melhor.

Larissa ajuda na vida sexual de homens e mulheres
Larissa ajuda na vida sexual de homens e mulheres | Foto: Arquivo pessoal

Em sua avaliação profissional, cada relacionamento encontra seu próprio ritmo. Enquanto alguns casais se sentem felizes tendo relações várias vezes por semana, outros mantêm uma vida sexual menos frequente sem que isso provoque qualquer incômodo. O problema começa quando a diferença de expectativas gera frustração para um ou para os dois.

"Eu acredito que qualidade é mais importante do que frequência. Nós tendemos a buscar uma experiência com base em nossa última memória sobre aquilo. Ter uma experiência positiva estimula a manter a atividade sexual, mesmo que com pouca frequência.", observa Larissa.

Por que a frequência sexual diminui?

A redução da vida sexual nem sempre está ligada ao desgaste do relacionamento. Muitas vezes, ela acompanha mudanças naturais da vida adulta e pode estar relacionada à saúde física, às transformações hormonais e ao acúmulo de responsabilidades.

Imagem ilustrativa da imagem Qual o número ideal? Descubra se casais têm meta sexual para atingir
Foto: Ilustrativa/Reprodução/Freepik

Entre os fatores que mais costumam interferir no tesão dos homens e mulheres estão:

➡️ Alterações hormonais;
➡️ Dores durante a relação sexual;
➡️ Privação de sono, principalmente no período pós-parto;
➡️ Cansaço provocado pela rotina;
➡️ Doenças que afetam a saúde de forma geral;
➡️ Menopausa e outras mudanças hormonais.

Brenda Ianca explica ainda que, quando o organismo não está funcionando bem, o desejo sexual costuma ser um dos primeiros aspectos afetados. Segundo conta, isso acontece porque a libido também reflete as condições gerais de saúde e de qualidade de vida, o que torna importante investigar a origem da redução do interesse por sexo.

"Sobre fatores físicos, o que pode influenciar na diminuição da frequência sexual da mulher são alterações hormonais, dores durante a relação — que a fisioterapia pélvica ajuda muito nesses casos —, cansaço, privação de sono, principalmente em mulheres puérperas, que têm uma queda hormonal, já que os hormônios ficam mais ligados à amamentação, e doenças em modo geral. Se a pessoa não estiver com boa qualidade de saúde, ela não vai ter libido, tanto libido sexual quanto libido de vida.", complementa.

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A fisioterapeuta Larissa acrescenta também ao MASSA!, que o estresse e a sobrecarga do dia a dia também influenciam diretamente o desejo sexual, principalmente entre as mulheres, que muitas vezes acabam colocando a própria sexualidade em segundo plano.

Quando vale procurar ajuda?

Nem sempre fazer menos sexo significa que existe um problema. O alerta aparece quando a frequência deixa de atender às expectativas de uma das pessoas e o assunto passa a provocar sofrimento, conflitos ou afastamento dentro da relação.

Se a dificuldade persistir, casal pode procurar ajuda profissional
Se a dificuldade persistir, casal pode procurar ajuda profissional | Foto: Ilustrativa/IA Gemini

Nesses casos, conversar abertamente sobre sexualidade é o primeiro passo. Falar sobre desejos, inseguranças e expectativas fora do momento da relação sexual costuma facilitar esse diálogo e diminuir a pressão sobre o casal. Se, mesmo assim, o impasse continuar, buscar acompanhamento profissional pode ajudar a entender o que está por trás dessa dificuldade.

"Quando uma das partes não está satisfeita com a frequência sexual e, mesmo conversando com o parceiro, não tem nenhum retorno, é o momento de procurar ajuda com um terapeuta, um profissional da área, para ajudar esse casal", detalha Brenda.

Mais do que estabelecer uma meta de quantas vezes por semana a transa deve acontecer, o importante é olhar para a realidade de cada relacionamento. No fim das contas, não é o calendário que define uma vida sexual saudável, mas a forma como o casal vive essa experiência e o quanto ambos se sentem satisfeitos com ela.

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