Ejacular muito evita o câncer de próstata? Saiba o que diz a ciência

Estudos apontam associação entre maior frequência de ejaculação e menor risco da doença

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Saúde masculina - 09/05/2026, 08:00 - Jaísa de Almeida

Em Salvador, onde as pessoas gostam de falar de tudo sem muito tabu, a saúde do homem ainda é tema que muita gente deixa para depois. Só que quando o assunto é câncer de próstata, o papo fica sério. A doença está entre as que mais atingem a população masculina no Brasil e também preocupa por aqui.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), divulgados pelo Governo Federal e atualizados em 2025, apontam que esse é o segundo tipo de câncer mais diagnosticado entre homens no país, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Conforme aponta a estatística, a cada hora oito brasileiros recebem o diagnóstico. Diante desse cenário, qualquer informação sobre prevenção chama atenção, inclusive a ideia de que ejacular com frequência poderia reduzir o risco.

O debate surgiu após a divulgação, também no ano passado, da meta-análise do Health Professionals Follow-up Study (HPFS), conduzido pela Harvard T.H. Chan School of Public Health, nos Estados Unidos. A pesquisa acompanhou 31.925 homens durante 18 anos e identificou que aqueles que relataram ejacular 21 vezes ou mais por mês apresentaram risco entre 19% e 22% menor de desenvolver câncer de próstata.

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Os números chamam atenção, mas exigem cuidado na interpretação! Para esclarecer o que de fato esses resultados indicam, o médico urologista do Hospital Mater Dei Salvador, Felipe Pinho, explica quenão se trata de uma regra ou receita pronta. Antes de transformar frequência sexual em estratégia preventiva, é preciso entender o contexto.

“Existe um grande estudo americano que observou isso sim. Os homens que relataram ejacular mais vezes por mês tiveram menos diagnóstico de câncer de próstata ao longo dos anos. Mas isso não significa que a ejaculação seja uma ‘proteção garantida’ contra a doença”, conta ao MASSA!

Felipe Pinho é médico urologista
Felipe Pinho é médico urologista | Foto: Arquivo pessoal

O especialista reforça à reportagem que os dados mostram uma relação estatística, mas não comprovam que uma coisa cause diretamente a outra. Existem vários fatores que influenciam o desenvolvimento da doença.

“É apenas uma associação. Ou seja: os homens que tinham mais frequência sexual pareciam ter menos câncer, mas isso não prova causa e efeito. Outros fatores podem estar envolvidos, como alimentação, atividade física, hormônios e qualidade de vida”, constata.

Existe idade ideal?

As pesquisas sobre o assunto analisaram principalmente homens adultos e de meia-idade. Ainda assim, não há recomendação médica dizendo que determinada faixa etária precisa atingir um número específico por mês. A referência às 21 vezes surgiu apenas como critério de comparação entre grupos avaliados, de acordo com o que aponta o Dr. Felipe.

“Ainda faltam provas científicas mais fortes. [...] Não existe número mágico. O número de 21 vezes por mês foi apenas um parâmetro usado no estudo para comparar grupos de homens. Não é uma recomendação médica oficial”, conta.

Imagem ilustrativa da imagem Ejacular muito evita o câncer de próstata? Saiba o que diz a ciência
Foto: Ilustrativa/Reprodução/Freepik

O que realmente pesa na balança

Ainda segundo o urologista, a idade avançada, histórico familiar e fatores genéticos continuam sendo os principais pontos de atenção. Homens que têm pai ou irmão com diagnóstico precisam ficar espertos e manter acompanhamento regular. Além disso, obesidade, sedentarismo e hábitos pouco saudáveis entram na lista de fatores que aumentam o risco.

“Os principais fatores são idade avançada, histórico familiar e genética. A obesidade, sedentarismo e hábitos pouco saudáveis também podem aumentar o risco.”

Genética contribui para a predisposição à doença
Genética contribui para a predisposição à doença | Foto: Reprodução/Freepik/IA Gemini

Ou seja, não adianta achar que só resolver a vida íntima já está tudo certo. A prevenção envolve cuidado completo com o corpo e acompanhamento médico.

O caminho mais seguro

Embora o câncer de próstata não seja totalmente evitável, é possível adotar atitudes que ajudam a reduzir riscos. Se ligue nas medidas recomendadas pelo médico urologista:

  • Manter peso adequado;
  • Praticar atividade física regularmente;
  • Evitar cigarro;
  • Controlar a alimentação;
  • Realizar avaliação médica periódica.

E há ainda um ponto considerado decisivo: o diagnóstico precoce salva vidas. Quando o câncer de próstata é identificado nas fases iniciais, as chances de tratamento e cura aumentam significativamente.

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