
Trabalho, estudos, cuidados com a casa, filhos, exercícios físicos... parece que a humanidade nunca esteve tão ocupada quanto agora. Na ânsia de dar conta de tudo, a população tem feito suas demandas cada vez mais depressa. De acordo com a pesquisa Modo Acelerado, parceria da Eisenbahn com Instituto de Pesquisas Datafolha, 26% dos brasileiros ouvem o áudio no modo 2x, para conseguir realizar outras tarefas; e essa pressa toda também tem sido vista nas relações sexuais.
Diante deste cenário, a modalidade slow sex, que em tradução livre significa sexo lento, surge como uma proposta de reconexão e calma, visando desacelerar o momento que é pra ser de atenção, troca e prazer. Com base nisso, a Sexlog, rede social de sexo e swing, realizou uma enquete com mais de 6 mil usuários, que mostrou que 79% das pessoas acreditam que desacelerar melhora o prazer sexual. Eles estão certos!
Pare de se preocupar com o orgasmo, com o desempenho, com a duração e se faça presente naquele momento. Deixe fluir
Raquele Carvalho, sexóloga

Para a sexóloga Raquele Carvalho, o slow sex vai além de manter a calma. A prática sugere justamente que as pessoas parem de focar no resultado e estejam mais presentes nas experiências sexuais. "O prazer está mais ligado ao relaxamento do que ao estado de alerta", disse a profissional".
Mas como deixar a pressa de lado na hora H? Segundo Raquele, "na prática, desacelerar envolve algumas mudanças importantes como, reduzir a pressa, esquecer o relógio e não ter roteiro. Entenda que o prazer não precisa seguir um roteiro. Tem gente que é assim: vai beijar, se tocar, sexo oral e penetração, como se fosse um roteiro que tivesse que seguir para a coisa acontecer", explicou a sexóloga, fazendo questão de destacar que a consciência corporal também é importante.
Sexo não é mais uma demanda
Além da pressa, atualmente, algumas pessoas seguem um considerado ideal de performance e acabam fazendo com que o sexo seja mais uma demanda que precisam cumprir na lista. Dessa forma, deixam a espontaneidade de lado e seguem uma receita para performar e "se livrar da tarefa".
Na prática, desacelerar envolve algumas mudanças importantes como, reduzir a pressa, esquecer o relógio e não ter roteiro
Raquele Carvalho, sexóloga
"O prazer não é uma reposta automática do corpo, depende do contexto, do envolvimento, da segurança emocional e da presença, mas hoje, vemos o oposto disso. As pessoas estão preocupadas em dar conta como se fosse uma obrigação, algo mecânico.", pontuou.

Raquele seguiu explicando que quando há muita preocupação na hora do sexo, seja com a duração, orgamos ou em corresponder a expectativa do parceiro ou parceira a intimidade acaba não acontecendo de forma prazerosa.
Deixe o celular de lado!
Apesar de aliado para muitas coisas, o celular também pode atrapalhar momentos de conexão e conhecimento entre o casal. O excesso de conteúdo recebido através da tela pode fazer com que os pombinhos estejam mentalmente cansados ou distantes um do outro.
"O excesso de estímulo, a hipeconectividade e o cansaço constante mantém o corpo em estado de ativação e o corpo ativado não acessa o prazer com facilidade", detalhou Raquele.
A sexóloga também ressaltou que o aparalho móvel pode "invadir o tempo de descanso, reduzir momentos de trocas, fragmentar a atenção. Quando o casal não tem momento de prazer real, sem telas, sem interrupções, a intimidade vai sendo substituída por convivência. Intimidade não é só ficar junto, é ter disponibilidade para o outro", cravou.
