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Como fica lá? - 31/01/2026, 08:00 - Jaísa de Almeida*

Folgadinho é mais gostoso? Botox anal atiça curiosidade sobre prazer

Procedimento que alivia dores na região do bumbum chama atenção também fora dos consultórios

Técnica virou assunto na cama
Técnica virou assunto na cama |  Foto: Ilustrativa/Reprodução/Freepik

Quando o assunto é sexo, prazer e intimidade, curiosidade nunca falta. Mas será que vale experimentar de tudo? No meio dessas perguntas, um procedimento que até pouco tempo circulava só entre consultórios médicos começou a chamar atenção também fora do ambiente clínico: o botox anal. A técnica, apesar do nome curioso e de muita gente associar logo ao desempenho sexual, não surgiu com esse objetivo.

O procedimento consiste na aplicação de toxina botulínica na região do bumbum, principalmente nos esfíncteres — as chamadas “pregas”. A ideia é “destravar” a musculatura que fica tensa o tempo todo. Quem explica é a coloproctologista Lívia Zollinger, que reforça que o tratamento é feito principalmente por motivos de saúde.

“Na prática, isso diminui a dor anal, os espasmos musculares da região e melhora a circulação local, facilitando o processo de cicatrização de algumas doenças orificiais”, diz em entrevista ao MASSA!.

Lívia Zollinger é coloproctologista
Lívia Zollinger é coloproctologista | Foto: Arquivo pessoal

De acordo com a especialista, a técnica é indicada, principalmente, para tratar problemas que causam dor persistente e desconforto no dia a dia. São situações em que o corpo entra em um ciclo complicado: sente dor, contrai mais, e o mal-estar só piora.

“As grandes indicações são: a fissura anal, a dor anal crônica, a anodispareunia (dor durante a relação sexual), a contração excessiva do esfíncter interno do ânus, prisão de ventre decorrente da ausência do relaxamento muscular adequado, entre outros”, detalha.

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Se jogar de cabeça x cautela

E é justamente aí que o tema encosta no sexo. Quando a dor dá uma trégua, o temor também afrouxa. E quando o medo sai de cena, a experiência íntima pode mudar. Ainda assim, Lívia reforça que isso não significa satisfação garantida nem transformação automática na cama:

“Não existe uma indicação clara do botox anal para fins sexuais, mas o que muitos pacientes relatam é a redução da dor e maior relaxamento durante o ato, o que pode influenciar na experiência sexual de cada um.”

Diminuição na dor não significa satisfação garantida
Diminuição na dor não significa satisfação garantida | Foto: Ilustrativa/Reprodução/Freepik

Já do ponto de vista da sexologia, o buraco é um pouco mais embaixo. Prazer não é só músculo relaxado. Medo, tensão, ansiedade e experiências ruins anteriores costumam fazer o corpo se contrair. Fora isso, as emoções, os desejos e os limites também entram nessa equação — e cada pessoa responde de um jeito.

A sexóloga Cris Arcuri explica à reportagem que o relaxamento pode ajudar algumas pessoas, mas alerta que tesão não vem só do físico: “A redução de dor, tensão ou medo nessa área pode melhorar a experiência sexual de algumas pessoas.”

Apesar disso, a profissional faz um alerta importante que muita gente ignora quando vê o assunto bombar nas redes. Relaxar demais pode causar efeitos colaterais, como dificuldade para segurar gases e fezes, ainda que temporariamente. Não é algo simples nem isento de risco.

“É importante salientar que o relaxamento excessivo pode levar à incontinência fecal temporária (perda de controle sobre gases e fezes), o que é um efeito colateral bem desagradável e pode ser também desagradável durante o ato sexual”, conta Cris ao MASSA!.

Na foto: sexóloga Cris Arcuri
Na foto: sexóloga Cris Arcuri | Foto: Arquivo pessoal

Não é para todo mundo!

E não para por aí: nem todo mundo pode passar pelo procedimento. Zollinger relembra ainda que existem contraindicações que devem sim ser respeitadas e seguidas à risca.

“O botox anal não deve ser realizado em algumas situações: pacientes com incontinência fecal prévia, gestantes, pacientes com alguma infecção ativa na região anal e os portadores de doenças neuromusculares”, destaca.

Outro ponto levantado pelos especialistas é a expectativa fora da realidade. O procedimento ajuda no conforto físico, mas não cria sensibilidade nova nem garante orgasmo. Confundir essas coisas pode gerar frustração depois do procedimento.

Relaxar demais a região pode causar efeitos colaterais
Relaxar demais a região pode causar efeitos colaterais | Foto: Reprodução/IA

“É fundamental separar o que é conforto físico do que é satisfação psicológica ou orgástica. O botox apenas ‘desliga’ a tensão excessiva. Se a pessoa espera que o procedimento aumente a sensibilidade nervosa ou gere uma sensação de euforia, ela pode se frustrar”, sugere.

No fim das contas, o botox anal pode ajudar, sim, dar uma “folga para o bumbum” e aliviar dores que atrapalham a vida — inclusive a sexual. Mas transformar isso em promessa de prazer é furada. Como mostra o MASSA!, o procedimento pede responsabilidade, acompanhamento médico e zero ilusão. A moda passa, mas o corpo cobra.

*Sob a supervisão da editora Amanda Souza

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