
O inverno chegou com tudo em Salvador, com temperaturas mais baixas que mudam a rotina de muita gente na capital baiana. Entre cobertor, cama mais tempo ocupada e a diminuição da disposição para atividades ao ar livre, práticas como corrida, natação e até os treinos de academia ficam em segundo plano.
Com menos movimento, o sedentarismo ganha espaço. E, junto dele, surgem efeitos que vão além do ganho de peso. Em alguns casos, homens passam a observar mudanças na disposição física e começam a levantar dúvidas sobre desempenho sexual e até sobre o tamanho do “amiguinho”.
Um estudo publicado no Journal of Urology aponta que o comprimento médio do pênis em ereção fica entre 12,5 cm e 15 cm, com variações naturais entre pessoas e regiões. Mas o foco principal, segundo o urologista Adriano Caldeira (CRM 38952), ouvido pelo MASSA!, não está na medida, e sim na qualidade da ereção, que depende da circulação sanguínea.
“A ereção depende diretamente de uma boa circulação sanguínea. O sedentarismo favorece as condições que prejudicam os vasos sanguíneos. Com isso, o fluxo de sangue para o pênis pode ficar comprometido; Muitas vezes, a disfunção erétil é um dos primeiros sinais de que a saúde cardiovascular não vai bem”, conta.

Segundo ele, doenças como pressão alta, diabetes, colesterol elevado e inflamações nos vasos sanguíneos estão entre os problemas associados ao estilo de vida sedentário e podem afetar diretamente a vida sexual. Além das condições físicas, o médico aponta que essas junções costumam vir acompanhadas de outros fatores.
“O sedentarismo também está relacionado à piora do sono, ao aumento do estresse e a sintomas de ansiedade e depressão, fatores que podem impactar negativamente o desejo sexual e a qualidade das ereções. A saúde sexual costuma refletir o estado geral de saúde do homem”, descreve para à reportagem.

Outro ponto ligado à rotina parada é o acúmulo de gordura no corpo. Esse excesso pode aumentar a ação da enzima aromatase, que transforma parte da testosterona em estrogênio.
Mesmo assim, o hormônio não age sozinho. A queda da testosterona pode estar associada a menos desejo sexual, cansaço, perda de massa muscular e piora da ereção.
Leia Também:
Tamanho do pênis: mito ou realidade?
Apesar das mudanças associadas ao sedentarismo, a ideia de que a falta de atividade física altera o tamanho do órgão sexual não se sustenta, segundo o médico.
O sedentarismo não faz o pênis encolher, relata Adriano. Mas o excesso de gordura na região abdominal e acima do púbis pode fazer com que parte do pênis fique escondida, dando a impressão de redução do tamanho.

“Além disso, ereções menos rígidas por problemas circulatórios também podem gerar a sensação de perda de comprimento. Portanto, não há uma diminuição real do órgão, mas pode haver uma redução aparente”, completa o médico.
Exercícios físicos como aliados
A prática regular de atividade física pode ajudar a reduzir os efeitos do sedentarismo na saúde sexual, segundo o especialista. O impacto, porém, depende da constância e da mudança de hábitos ao longo do tempo.
“Na maioria dos casos, a prática regular de exercícios melhora a circulação, ajuda no controle das condições e contribui para o bem-estar emocional. Não existe um exercício específico para melhorar a vida sexual, mas manter uma rotina ativa, com atividades aeróbicas e fortalecimento muscular, pode reduzir significativamente o risco de disfunção erétil e melhorar a qualidade de vida como um todo”, afirma Adriano.
E ao chegar até aqui, é possível reunir os outros fatores que podem afetar a “continência do soldado”, fora as já citadas acima. Confira a lista:
▶️ Ansiedade de desempenho sexual;
▶️ Má qualidade do sono;
▶️ Excesso de álcool;
▶️Tabagismo;
▶️Cirurgias pélvicas;
▶️ Disfunções da glândula tireoide (hipertireoidismo, hipotireoidismo);
▶️ Estresse crônico;
▶️ Alimentação rica em ultraprocessados.

Com as informações acima, é possível concluir que, o corpo sente os efeitos da redução de atividades físicas, o que pode refletir também na saúde sexual. Hábitos diários fazem diferença nesse processo. Sendo assim, a prática regular de exercícios segue sendo uma das principais recomendações para prevênção e uma vida íntima feliz, não esqueça.
