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Caminho sem volta - 23/05/2026, 08:00 - Lais Machado*

'Bombas' podem causar infertilidade permanente em homens

Médica especialista em reprodução alerta para uso de hormônios

Homens que tomam anabolizantes podem ter dificuldade em reproduzir
Homens que tomam anabolizantes podem ter dificuldade em reproduzir |  Foto: Ilustrativa/ Freepik

É muito comum que a dificuldade de ter filhos seja associada à figura feminina. Historicamente, cabia à mulher a responsabilidade pela continuidade da família. No entanto, estudos mostram que, hoje, diversos hábitos de vida também podem comprometer a fertilidade masculina.

Estima-se que cerca de 35% dos casos de infertilidade podem ser atribuídos à mulher, outros 35% são de responsabilidade do homem, 20% estão relacionados a ambos e 10% são de causas desconhecidas, segundo estudos da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

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Ao MASSA!, a médica especialista em medicina reprodutiva, Valentina Cotrim, do Cenafert – Centro de Medicina Reprodutiva, que integra o Grupo Huntington, esclarece quais as principais causas associadas à infertilidade masculina.

O perigo dos anabolizantes e as sequelas permanentes

Dentre os diversos hábitos que prejudicam a saúde reprodutiva masculina, um se destaca pelo potencial de causar danos irreversíveis: o uso de hormônios para fins estéticos ou de performance física. A especialista alerta que, ao contrário de outros fatores de risco, as famosas "bombas" podem gerar um caminho sem volta para o organismo.

"O uso de testosterona em altas doses leva a uma atrofia testicular que, quando feito de forma prolongada, pode ser irreversível. Em relação ao uso de cigarro, álcool e a obesidade, todos esses fatores, quando são modificados, tendem a ter uma melhora da fertilidade após remover o fator em questão", explica.

Aspas

O anabolizante, a depender do tempo e da dose, pode levar a uma azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen) sem volta, uma atrofia testicular

Médica especialista em medicina reprodutiva Valentina Cotrim

Idade x fertilidade: o relógio biológico dos homens

Diferente do que ocorre com o público feminino, que enfrenta a menopausa e uma queda abrupta na reserva ovariana, o declínio da fertilidade nos homens acontece de maneira mais sutil, porém constante a partir de determinado momento da vida.

"A gente não tem estudos e gráficos mostrando a queda da fertilidade por faixa etária nos homens, mas sabemos que a partir dos 45 anos já existe uma diminuição da qualidade do sêmen e aumento de fragmentação do DNA espermático", inicia a médica.

Homens enfrentam menos questões reprodutivas relacionadas a idade
Homens enfrentam menos questões reprodutivas relacionadas a idade | Foto: Ilustrativa/ Freepik

"Mesmo que haja uma diminuição seminal, em idades avançadas é possível que um homem que mantém a função sexual preservada tenha chances. Não existe uma falência testicular relacionada a uma idade específica", completa a especialista.

Sinais de alerta no dia a dia

A infertilidade costuma ser silenciosa, mas o corpo emite alguns sinais físicos e hormonais que servem de advertência. A médica aponta o que os homens devem observar na rotina antes mesmo de agendar uma consulta especializada:

➡️ Dor testicular
➡️ Diminuição da libido
➡️ Alterações no sêmen, como: menor volume, presença de sangue e presença de pus
➡️ Ardência ao urinar
➡️ Fadiga, que pode estar ligada à baixa hormonal e também à queda da libido.

O estresse crônico como vilão real

O impacto da saúde mental na reprodução frequentemente é negligenciado pelos pacientes, sendo tratado como um "mito". No entanto, a especialista explica que existe uma ligação biológica direta entre o cérebro e os testículos que pode desregular todo o sistema produtor de gametas.

"O estresse realmente afeta a produção de espermatozoides através do eixo hipotálamo-hipófise-gônada. Da mesma forma que existe esse eixo na mulher, ele funciona no homem. Como é que o testículo sabe que tem que produzir espermatozoide e testosterona? Ele recebe uma mensagem de hormônios que vem da hipófise, que por sua vez é estimulada pelo hipotálamo. E esse hipotálamo tem influência do córtex cerebral, que é toda a nossa parte cerebral em contato com o meio ambiente, com emoções e com o excesso de trabalho", inicia.

"É dessa forma que o estresse crônico — não o estresse normal do dia a dia, mas o crônico — pode desregular a produção do FSH e do LH, que são hormônios diretamente relacionados à produção de espermatozoides e de testosterona", completa a Dra. Contrim.

Planejamento do futuro e hábitos preventivos

Para os homens que têm o sonho de ser pais no futuro, a lógica da prevenção na saúde reprodutiva masculina se ancora muito mais nas escolhas diárias do que em uma bateria extensa de exames de rotina. A grande recomendação médica gira em torno do estilo de vida e de um teste específico de rastreio.

"Não existem exames preventivos propriamente ditos para o homem, de forma ampla, mas o que eu acho que poderia ser preconizado é que homens em idade reprodutiva, que já desejam ou planejam uma futura gravidez dentro do relacionamento, possam ter acesso a fazer um espermograma. É um exame não invasivo e que pode ser realizado a qualquer momento, sem necessidade de preparo prévio, além de já estar cuidando do estilo de vida e não ter bebido na véspera", alerta a médica.

Médica alerta importância do espermograma
Médica alerta importância do espermograma | Foto: Ilustrativa/ Freepik

Entre outras recomendações, estão cuidados como: um estilo de vida adequado e utilizar a camisinha quando não se pretende a gravidez, prevenindo também contra as ISTs (Infecções Sexualmente Transmitidas).

*Sob a supervisão da editora Amanda Souza

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