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combate a cefaleia - 19/05/2026, 18:00 - Lais Machado

Dipirona ao botox: conheça os tratamentos para controlar a enxaqueca

Condição atinge milhões de brasileiros e exige atenção como doença crônica

Enxaqueca atinge mais as mulheres
Enxaqueca atinge mais as mulheres |  Foto: Ilustrativa/ Freepik

Rotina acelerada, estresse acumulado e o remédio para dor sempre à mão: esse é o cenário comum entre estudantes e trabalhadores brasileiros que, no corre-corre diário, acabam ignorando aquela dor de cabeça que insiste em aparecer no fim do dia.

O que muitos não percebem é que esse incômodo frequente nem sempre é apenas um sintoma passageiro. Em grande parte dos casos, a dor recorrente indica uma doença crônica que precisa ser diagnosticada e tratada , e que conta, hoje, com uma variedade de abordagens que vão de analgésicos tradicionais ao uso de botox. O Dia Nacional de Combate à Cefaleia, comemorado nesta terça-feira (19), busca da visibilidade a esse cenário.

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No Brasil, estima-se que cerca de 31 milhões de pessoas convivam com a enxaqueca, segundo dados da Sociedade Internacional de Cefaleia e da Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaquecas (Abraces), de 2025.

Em entrevista ao MASSA!, a anestesiologista Anita Rocha, que possui título de Atuação em Dor pela AMB e coordena a Itaigara Memorial Clínica da Dor, explicou como as cefaleias são classificadas e quais são os tipos mais frequentes. Confira:

Cefaleia: como reconhecer o meu tipo?

A cefaleia pode ser classificada como primária ou secundária, esta última, de acordo com a especialista, quando surge como sintoma de outra condição clínica. As cefaleias primárias são muito mais frequentes e afetam cerca de 46% da população adulta mundial.

Entre elas, Anita destaca três tipos principais:

➡️ Cefaleia tensional: é a forma mais comum. Provoca dor bilateral, em sensação de pressão ou aperto, com intensidade leve a moderada.
➡️ Enxaqueca: aparece em segundo lugar entre as primárias. Costuma ser incapacitante, geralmente unilateral, de caráter pulsátil, podendo vir acompanhada de náuseas, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia).
➡️ Cefaleia em salvas: embora menos frequente, é extremamente intensa e costuma ocorrer em ciclos.

“Caso você apresente dor de cabeça, é importante que busque atendimento médico especializado. Esta é a melhor forma de obter o diagnostico e o tratamento corretos”, alerta.

Segundo a médica, a enxaqueca é uma das doenças neurológicas mais comuns do mundo, atingindo bilhões de pessoas todos os anos. Ela explica que a condição aparece com maior frequência em adultos jovens, entre 18 e 35 anos, com predominância significativa no público feminino.

Enxaqueca atinge mais as mulheres
Enxaqueca atinge mais as mulheres | Foto: Ilustrativa/ Freepik
Aspas

As mulheres, dentro da mesma faixa etária, têm uma taxa de enxaqueca duas vezes maior que a dos homens, fato associado a fatores biológicos, psicossociais e hormonais

Anestesiologista Anita Rocha

Tratamento

O tratamento da enxaqueca precisa ser sempre individualizado, levando em conta o perfil e a frequência das crises de cada paciente. A médica reforça que a abordagem combina medidas farmacológicas e não farmacológicas, que devem caminhar juntas para melhor controle da dor.

“Entre os medicamentos mais utilizados, destacam-se os anti-inflamatórios, analgésicos comuns, triptanos e os antagonistas do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (anti-CGRP). Esses fármacos são considerados abortivos, ou seja, atuam diretamente na crise e podem ser associados a antieméticos e outros sintomáticos quando necessário”, explica.

A doutora acrescenta que alguns pacientes precisam adotar um tratamento preventivo, especialmente aqueles que apresentam crises mais frequentes ou quadros debilitantes:

“Embora não exista uma regra rígida sobre a frequência exata das crises para iniciar a prevenção, normalmente indicamos essa terapia para quem tem quatro ou mais ataques por mês, crises muito intensas ou que não respondem bem ao tratamento abortivo”, completa.

Botox pode eliminar a condição?

Apesar de muita gente associar o botox apenas ao uso estético, a toxina botulínica também desempenha um papel importante no tratamento da enxaqueca crônica, especialmente nos casos que não respondem bem a outras terapias.

“A toxina botulínica tem sido recomendada para pacientes com cefaleia do tipo enxaqueca crônica, caracterizada pela presença de dor em 15 dias ou mais por mês — sendo pelo menos oito deles com as características clássicas de enxaqueca, como dor moderada a forte, pulsátil, unilateral ou bilateral, acompanhada de náuseas, vômitos, fonofobia e fotofobia”, explica.

Segundo ela, o mecanismo de ação vai além do efeito já conhecido na acetilcolina. “Após a aplicação subcutânea, o botox também inibe a liberação de neurotransmissores envolvidos na transmissão da dor, como a substância P e o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP)”, detalha a especialista.

Botox pode inibir a dor
Botox pode inibir a dor | Foto: Ilustrativa/ Freepik

A vida de quem convive com a enxaqueca

O MASSA! buscou ouvir quem enfrenta a condição na rotina e convive com dores que, muitas vezes, passam despercebidas pelos outros, mas que impactam diretamente a qualidade de vida.

Para Gabriela Zili, estudante e estagiária de biomedicina, a virada de chave veio quando as crises deixaram de ser esporádicas. “A partir do momento em que as dores passaram a ser praticamente diárias, eu percebi que tinha algo errado”, conta.

Ela explica que começou a identificar seus gatilhos, e a luz era o principal deles, as crises vinham acompanhadas de pontadas intensas, que só aliviavam quando ela se isolava completamente:

“Era insuportável. Só passava quando eu ficava em um quarto totalmente escuro. Até a luz do celular era gatilho.”

Maria Gabriela Trentin Zilli, 21 anos, estudante e estagiária de biomedicina
Maria Gabriela Trentin Zilli, 21 anos, estudante e estagiária de biomedicina | Foto: Arquivo pessoal

Já para Maria Luisa Reis, de 19 anos, estudante de Odontologia, a rotina é interrompida pela dor. Conviver com a enxaqueca, segundo ela, significa lidar com limitações que afetam desde momentos de lazer até compromissos importantes.

“Eu já tive que ir embora de muitos lugares por não aguentar a dor”, relata. As crises, segundo ela, não chegam sozinhas: “A dor me causava outros sintomas, como enjoo e ânsia de vômito. Em algumas situações, eu realmente chegava a vomitar”.

Maria Luisa Reis, 19 anos
Estudante de Odontologia
Maria Luisa Reis, 19 anos Estudante de Odontologia | Foto: Arquivo pessoal

Maria Luisa conta ainda que precisou se afastar tanto de situações simples, como um almoço em família, um aniversário ou uma ida ao bar com amigos, quanto de momentos importantes da vida acadêmica.

Sobre o tratamento, ela explica que ainda não segue um protocolo médico estruturado. “Eu não faço nenhum tipo de tratamento. O que me ajudou muito foi a terapia, que melhorou meu autocontrole da ansiedade e, com isso, diminuiu bastante minhas crises”, diz.

Quando o assunto são os gatilhos das crises de enxaqueca, um fator aparece em comum entre as entrevistadas: o estresse. Para Juliana do Carmo, estudante de Publicidade e Propaganda, o impacto é direto. Além disso, ela explica que outros hábitos do dia a dia também influenciam no surgimento das dores:

“Uma noite mal dormida acaba comigo. Quando não durmo direito, acordo várias vezes ou durmo de mau jeito, meu pescoço fica tenso, e isso já é suficiente para desencadear uma crise”, conta.

Juliana Oliveira do Carmo,  estudante de Publicidade e Propaganda
Juliana Oliveira do Carmo, estudante de Publicidade e Propaganda | Foto: Arquivo pessoal

Quando buscar ajuda?

A anestesiologista Anita Rocha faz um alerta para alguns sintomas que funcionam como verdadeiras “bandeiras vermelhas” e indicam que a cefaleia pode estar relacionada a condições graves, como tumores, meningite ou AVC.

Ela explica que cefaleia de início recente, mudança no padrão habitual da dor, febre, rigidez na nuca, confusão mental ou convulsão são sinais de alerta importantes. Nesses casos, reforça a médica, o paciente deve buscar atendimento especializado com urgência.

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