26º Salvador, Bahia
previsao diaria
Facebook Instagram
WHATSAPP
Receba notícias no WhatsApp Entre no grupo do MASSA!
Home / Viver Bem

Sem estresse! - 14/05/2026, 08:00 - Lorena Conceição - Atualizado em 14/05/2026, 20:37

Candidíase de repetição: quando o estresse ataca a saúde íntima

Infecção pode ocorrer em qualquer estágio da vida

Aquela coceirinha incômoda pode ter raiz em questões emocionais
Aquela coceirinha incômoda pode ter raiz em questões emocionais |  Foto: Reprodução / Magnific

“Em uma tarde onde atendo dez mulheres, ao menos duas que se queixam de Candidíase de repetição”. A afirmação é de Eudilma Magalhães (COREN-BA 44667), enfermeira com mais 30 anos de atuação e mestre em saúde da mulher, sobre uma das infecções mais comuns entre o público feminino, seja adolescente, jovem, adulta ou idosa: a candidíase de repetição.

Muitas mulheres acham que qualquer atipicidade na região íntima é sinônimo de uma doença ou infecção sexualmente transmitida (IST e DST). Qualquer corrimento com texturas ou cores diferentes, além de cheiro e incômodo de maneira geral, despertam o medo.

Graças a isso, muitas delas acreditam que a candidíase se encaixa nessas enfermidades, mas não é bem assim. A candidíase é provocada pela modificação da flora vaginal e tem como um dos principais fatores a qualidade de vida (ou falta disso).

A médica ginecologista Maria Fernanda Gagliano Xisto (CRM 18819), especialista em patologia do trato genital inferior, explica que um dos principais desafios no tratamento da candidíase recorrente é fazer com que a paciente compreenda que a infecção não está relacionada apenas ao ambiente vaginal.

“Essas recorrências têm forte ligação com o desequilíbrio do microambiente vaginal e também com outros fatores do organismo, baixa imunidade, estresse e até mesmo privação de sono”, destaca a especialista.

Aspas

A candidíase é uma infecção fúngica, que ocorre de forma repetida, entre 3 a 4 episódios

Maria Fernanda Gagliano Xisto
Maria Fernanda é médica ginecologista e especialista em patologia do trato inferior
Maria Fernanda é médica ginecologista e especialista em patologia do trato inferior | Foto: Arquivo pessoal

Em sua grande maioria, as mulheres que têm candidíase possuem um perfil recorrente: vivem sob grande estresse diário. Muitas são mães solo, com 3 a 4 filho,s e possuem sobrecarga paternal. As jovens, em sua grande maioria, conciliam trabalho com estudo; enquanto as com idade mais avançada possuem problemas com os filhos, já adultos, ou com sobrecarga criando seus netos.

Aspas

Uma paciente relatou que teve candidíase duas vezes esse ano. Ela é mãe solo de quatro filhos, e no meio da consulta teve que sair correndo, para levá-los à escola e depois retornar para mim

Eudilma Magalhães
Eudilma Magalhães é especialista em saúde da mulher
Eudilma Magalhães é especialista em saúde da mulher | Foto: Denisse Salazar / Ag. A TARDE

Higiene é fundamental

Muitas vezes o dia inteiro da paciente é o estressante e desconfortável. E dentro desse cenário, a higiene das roupas, até mesmo peças íntimas, é ignorada.

Ao despertar às 5 da manhã e seguir a rotina automática de recolher as roupas do varal, escolher a farda e a calça jeans para sair de casa, não há atenção nem para passar o ferro quente na calcinha, peça que está em contato frequente com a área atingida.

Higiene das peças íntimas é muito importante
Higiene das peças íntimas é muito importante | Foto: Reprodução / Magnific

A enfermeira Eudilma adverte: a higiene íntima também é importantíssima. "Evite usar roupas muito apertadas. Lave bem suas calcinhas e para secar, coloque numa área arejada ou no sol. Além de passar ferro no fundo das calcinhas.”

Quando devo procurar um médico?

A ginecologista Maria Fernanda aponta para a importância da busca por um especialista, "É importante que essa mulher não vá a farmácia e peçam para o balconista te indica uma pomada. Candidíase requer diagnostico preciso", conclui, afirmando que há infecções que possuem sintomas similares a cândida, mas que o tratamento é completamente diferente.

Os principais sintomas são:

  • Coceira intensa na vagina
  • Vermelhidão
  • Ardência, acentuada no momento se secar após urinar
  • Fluxo vaginal parecido com leite talhado ou mucoso
  • Sensação de acidez

A mulher pode ter esporadicamente, uma vez ao ano, algum episódio de candidíase, e não se considera de repetição. O que classifica como candidíase recorrente ou de repetição, são três a quatro episódios no ano.

Como é feito o tratamento?

“Se a gente não muda esse microambiente, se a gente não muda esse estilo de vida, a gente pode tratar aquela cândida de repetição por um período e esse desequilíbrio retornar'', reitera Maria Fernanda. A médica traz que o tratamento permeia o uso de medicação, mas são tratamentos farmacológicos pontuais.

A mudança, deve vir da base: no estilo de vida paciente. Da higiene íntima, passando pela limpeza adequada das vestes, até mesmo o funcionamento intestinal dessa paciente, que permeia a qualidade da alimentação, que também altera o pH da flora vaginal.

“O cuidado é contínuo”, aponta Fernanda. Manter um hábito de vida saudável, dormir cedo, controle de estresse e ter alimentação adequada, mesmo após o início do episódio de candidíase de repetição, combate a recorrência da infecção.

Leia Também:

Mas e o sexo, será que pode? Eudilma esclarece que devido a grande irritação vaginal, muitas mulheres não conseguem ter uma relação sexual. "Coça muito. Não é agradável. Deixa de ser prazeroso".

Eudilma reforça a importância do uso do preservativo no sexo.
Eudilma reforça a importância do uso do preservativo no sexo. | Foto: Denisse Salazar/ AG. A TARDE

Fatores de riscos

Algumas comorbidades, alterações hormonais, estresse crônico, falta de higiene e uso de antibióticos contribuem para a diminuição do pH vaginal, e consequentemente, para a maior possibilidade de contração de candidíase.

São os principais fatores de riscos:

  • Mulheres que possuem diabetes desregulada
  • Uso contínuo de antibiótico, um tratamento longo de antibiótico.
  • Estresse crônico
  • Pacientes com privação de sono

Homem também pode ter candidíase, sabia?

A candidíase não é exclusiva das mulheres: também acomete homens, embora o diagnóstico seja mais difícil, muitas vezes pela resistência deles em buscar acompanhamento médico. Os sintomas podem ser semelhantes, como vermelhidão, descamação e coceira, e o estresse também pode afetar a imunidade e favorecer o surgimento do problema.

Além disso, a falta de higiene íntima adequada agrava esse cenário e está associada, inclusive, ao aumento de casos de câncer de pênis no Brasil. Por isso, o alerta também é para o público masculino: hábitos simples, como higienizar corretamente a região com água e sabão e o uso de preservativo, são fundamentais para prevenção e cuidado com a saúde.

*Sob a supervisão da editora Amanda Souza

exclamção leia também