
O Ilê Aiyê celebrou 52 anos de história neste domingo (1º), com uma festa no Largo da Tieta, no Pelourinho, em Salvador. A comemoração reuniu apresentações musicais e convidados especiais, além de marcar o lançamento do tema que será levado pelo bloco afro ao Carnaval de 2027. O MASSA! esteve presente no evento e conversou com representantes da entidade sobre a trajetória do "Mais Belo dos Belos" e os preparativos para o próximo desfile.
A programação contou com apresentações da Band’Aiyê, da banda Orísun e do bloco afro Muzenza, convidado especial da celebração. O evento também recebeu a Feir’Aiyê – Edição Império das Nana Benz, iniciativa voltada à valorização do empreendedorismo negro.
Em entrevista ao MASSA!, Edmilson Lopes, diretor do Ilê Aiyê, destacou a importância de celebrar a trajetória do bloco no Pelourinho, território que, segundo ele, representa uma história de construção e luta.

Essa data de hoje e essa festa representam para nós continuidade
Edmilson Lopes, diretor do Ilê Aiyê
O diretor também ressaltou que a atuação da entidade vai além do período carnavalesco e envolve um trabalho permanente de valorização da cultura e de transformação social.
“Então, o Ilê é 365 dias fazendo acontecer, fazendo uma construção social de vários setores, de várias camadas. (...) A gente faz transformação na arte, na música, nos shows, em todos os movimentos. É vestuário, é estética, é isso tudo. Esse Ilê, história de 365 dias, é o Ilê que muitas pessoas não veem, é o Ilê que acontece todo dia. E isso nos motiva, isso é essa locomotiva que faz esse trem maravilhoso andar”, afirmou.

Togo inspira tema do Ilê Aiyê para o Carnaval de 2027
Um dos momentos centrais da celebração foi o lançamento do tema “Togo – O Assigamé e o Império das Nana Benz”, escolhido para o desfile do Ilê Aiyê no Carnaval de 2027. A proposta leva para a avenida referências históricas e culturais do Togo, país localizado na África Ocidental, com destaque para a ancestralidade africana e a força das mulheres.

O tema apresenta o Assigamé e as Nana Benz como símbolos de resistência, autonomia e protagonismo feminino. A proposta também busca ampliar o conhecimento sobre a história dos povos africanos e destacar a atuação das mulheres na construção de suas comunidades.
De acordo com a organização, a iniciativa também dialoga com o "irmanamento" entre as cidades de Cachoeira, na Bahia, e Aného, no Togo, firmado em agosto de 2026.
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Vovô do Ilê destaca luta contra o racismo

Durante a celebração, Vovô do Ilê, fundador e presidente do bloco, conversou com o MASSA! sobre a importância dos 52 anos da entidade e a continuidade da luta do movimento negro.
Vovô avaliou que o surgimento do Ilê Aiyê representou uma mudança na forma como a população negra se posicionava na sociedade. Para ele, o bloco teve um papel importante na afirmação da identidade negra no Brasil.
"Essa revolução do Ilê foi muito importante para nós, porque foi o surgimento do primeiro bloco afro do Brasil e mudou positivamente a forma como muitos se posicionam", disse o Vovô do Ilê.
O fundador ainda comentou as dificuldades para ampliar o reconhecimento dos blocos afro em outros países e estabelecer parcerias com nações africanas. Segundo ele, questões relacionadas a financiamento e patrocínio ainda representam desafios para esse diálogo.
Atuação do Ilê vai além do Carnaval
Fundado em 1974, o Ilê Aiyê é reconhecido como o primeiro bloco afro do Brasil. Ao longo de sua trajetória, a entidade se consolidou como referência na valorização da identidade negra, da ancestralidade africana e no enfrentamento ao racismo.
Além dos desfiles carnavalescos, o trabalho do Ilê envolve iniciativas culturais, educacionais e sociais desenvolvidas durante todo o ano. A Feir’Aiyê, que integrou a programação de aniversário, é uma das ações voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo negro.
A edição realizada neste domingo reuniuempreendedoras negras de áreas como moda, beleza, literatura, artesanato e cultura afro-brasileira.
Com mais de cinco décadas de história, o Ilê Aiyê segue ampliando sua atuação e preparando o próximo desfile, que terá como referência a história do Togo e o protagonismo das mulheres africanas.

