
A preservação da cultura nordestina é um esforço constante feito por diferentes frentes. Com o público cada vez mais vidrado nas telinhas, se torna ainda mais importante usar a tecnologia como uma ferramenta nessa luta. Durante sua passagem pela Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), o cordelista Bráulio Bessa, um dos maiores representantes da poesia do sertão no país, destacou o papel das redes sociais nesse pro cesso de valorização cultural.
“Eu acho que as tecnologias e tudo que é inovação tem que ser visto como aliados e uma quebra de paradigmas. A literatura de cordel sempre foi associada ao que é ultrapassado, rural, é a poesia do matatu. Quando a gente traz isso para dentro das plataformas de tecnologia, é [algo] muito importante para essa popularização”, afirmou em entrevista ao MASSA!.
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Na Flipelô, o poeta participou da mesa O Cordel é Pop, em que conversou sobre a relação das novas gerações com esse estilo de arte. Durante anos integrando o programa Encontro, da Rede Globo, Braúlio foi uma peça fundamental para que a poesia nordestina fosse reconhecida pelo resto do país. “Eu tive a oportunidade de amplificar essa voz na televisão durante anos. Minhas redes sociais são muito fortes, meus livros, os canais que eu busco falar sempre eu vou trazer essa mensagem, de uma briga pela popularização da poesia”, pontuou.

Com quase 6 milhões de seguidores no Instagram, o escritor também se consolidou como uma presença forte nas redes sociais. Apesar disso, ele destaca que não é um “fruto das telas”. “Eu não sou fruto disso, eu sou fruto de uma sala de aula, da educação pública desse país, da fé do professor no aluno. O que as telas mostram são galhos de uma árvore que foi plantada em uma sala de aula”, ressaltou.

A luta pelo reconhecimento do cordel é também uma forma de mostrar para as pessoas que existe poesia em todo mundo. “Eu acredito muito nessa popularização da poesia a partir da ótica de um reconhecimento do povo como a própria poesia. Nem todo mundo é poeta, mas todo mundo é poesia”, disse.
A cultura nordestina segue viva por meio dos versos. A participação de Bráulio na Flipelô foi mais uma confirmação de que o esforço em sua trajetória rendeu bons frutos. “Hoje, a gente pode viver isso, uma praça cheia para ouvir um poeta popular, do sertão, falando sobre o público”, comentou.

