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Histórico! - 26/07/2026, 20:56

Circuito Mulheres Negras em Movimento encerra edição histórica

Sob o comando de vozes como Melly, Zezé Motta e Mariene de Castro, o evento transformou a Praça Maria Felipa em um epicentro de resistência

Da Redação
Da Redação
Evento lotou a praça Maria Felipa
Evento lotou a praça Maria Felipa |  Foto: Divulgação/Umbu Comunicação

A Praça Maria Felipa, no coração do Centro Histórico de Salvador, foi palco de um encerramento apoteótico para o Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026. Após dias de intensas atividades de formação, diálogos sobre empreendedorismo e mostras audiovisuais, o domingo foi coroado com uma maratona musical que reafirmou o sucesso da iniciativa promovida pela Prefeitura de Salvador, através da Secult, dentro do programa Salvador Capital Afro.

O grande destaque do encerramento foi o show que reuniu um "line-up" de peso, simbolizando o encontro de gerações da arte negra brasileira. A noite culminou com a performance magnética de Melly, fenômeno da nova música baiana, após passagens marcantes de ícones como Zezé Motta, Mariene de Castro e Márcia Short. A diversidade sonora também ganhou fôlego com as apresentações de MC Tha e Karol Conká, além da presença sempre vibrante de Rita Batista, que conduziu os momentos de interlocução com o público.

Celebrando a realização do projeto, a cantora e apresentadora Larissa Luz destacou o impacto da iniciativa: “O Ancestranças é um espaço para celebrar tudo o que já conquistamos, honrar nossas existências e reafirmar nossa potência. Mulheres negras escrevem o mundo, constroem esse país e merecem ter sua voz e seus desejos celebrados não só hoje, mas o ano inteiro.”

Evento lotou a praça Maria Felipa
Evento lotou a praça Maria Felipa | Foto: Divulgação/Umbu Comunicação

Poesia e Resistência na Abertura

Dando o tom do que seria a última noite do Circuito, o palco foi aberto pela potência lírica do Slam das Minas. O coletivo, conhecido por transformar a palavra em arma contra as opressões, trouxe rimas afiadas e uma performance visceral que preparou o terreno para as homenagens que se seguiram, conectando a literatura marginal ao protagonismo das mulheres negras no espaço público.

Tarde de Movimento e Tradição

O sucesso do domingo, no entanto, começou muito antes dos primeiros acordes musicais. O dia foi de praça e movimentação intensa, com foco nas salvaguardas culturais e religiosas. Um dos momentos mais aguardados foi a apresentação especial da Casa de Maria Felipa, que trouxe à tona a memória da heroína da Independência da Bahia, cujo nome agora batiza o espaço da celebração.

A espiritualidade e a força das comunidades tradicionais também foram protagonistas através da Associação de Terreiros da Bahia - Egbe. A participação da associação reforçou o caráter de pertencimento do evento, integrando as falas políticas ao axé que fundamenta a identidade de Salvador.

A Yalorixá Mãe Diana de Oxum esteve presente e pontuou a importância histórica desse encontro: “Estar aqui hoje, no Mulheres em Movimento, é a continuação do caminho trilhado por referências como Maria Felipa, Dandara e Tereza de Benguela. Há muito tempo fomos silenciadas. Hoje, as mulheres negras podem contar suas histórias com relevância, fortaleza e, acima de tudo, com escuta.”

Evento lotou a praça Maria Felipa
Evento lotou a praça Maria Felipa | Foto: Divulgação/Umbu Comunicação

Balanço Positivo

Realizado pela primeira vez em 2025, o Circuito Mulheres Negras em Movimento deu um salto significativo em 2026. Além dos shows, a ocupação de equipamentos como a Casa das Histórias e o Arquivo Público consolidou o projeto como uma das principais políticas públicas de valorização da mulher negra na capital baiana.

“Mais uma edição do Mulheres Negras em movimento ocupando a praça Maria Felipa com a potência das artistas, das empreendedoras que tanto movimentam o cotidiano da nossa cidade”, afirmou Chicco Assis, Diretor de Cidadania Cultural na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT). O gestor ainda destacou que a proposta do evento é justamente valorizar o corre dessas mulheres: “É preciso fazer com que os momentos de plenitude sejam cada vez mais intensos na vida delas”, concluiu.

A vice-prefeita Ana Paula Matos também prestigiou o evento e reforçou o papel da iniciativa na valorização das mulheres negras: “O Mulheres Negras em Movimento é um circuito de políticas públicas pensado para marcar todo o mês de julho. Sob o tema 'Do Corre à Plenitude', reafirmamos nossa força na liderança e no mercado de trabalho, sem esquecer o direito da mulher negra de se divertir, sonhar e ser feliz. É a arte e a cultura exaltando a potência da mulher negra baiana para o mundo.”

Com a distribuição de acarajés pelo festival da ABAM e a reunião de centenas de afroempreendedoras, o evento encerra sua jornada não apenas como um festival de música, mas como um movimento consolidado de ocupação de território, história e economia criativa.

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