
“Vagina tem cheiro de vagina”. A frase é clássica, mas a verdade é que muita gente ainda vive em busca da tal ‘higiene perfeita’. Sabonetes perfumados, desodorantes íntimos, lenços umedecidos e até perfumes feitos para ‘deixar tudo mais cheiroso’ seguem sendo usados sem critério.
Em vez de proteger, esse exagero pode irritar, causar alergias e até abrir espaço para infecções. Para tirar as dúvidas e simplificar o assunto, o MASSA! conversou com especialistas que explicaram, sem rodeios, o que realmente faz diferença nos cuidados íntimos femininos.
Leia Também:
Os vacilos mais comuns, segundo a ginecologista Ana Verena Colonnezi, vêm de atitudes aparentemente pequenas, mas que, feitas todos os dias, acabam bagunçando a flora vaginal, como:
➡️ Excesso de lavagens diárias
➡️ Uso de duchas vaginais
➡️ Uso de lenços umedecidos
➡️ Sabonetes íntimos perfumados
➡️ Calcinhas sintéticas ou muito apertadas
➡️ Dormir com calcinha
➡️ Depilação agressiva com cera quente
➡️ Uso muito frequente de lâmina

Segundo ela, a vagina já é autolimpante, tem pH ácido, lactobacilos de defesa, microbioma próprio e um odor característico natural. Ou seja: tentar “limpar demais” é justamente o que causa estrago.
Limpeza excessiva: o primeiro grande erro
A ginecologista Samyra Coutrim reforça que o maior problema começa quando a mulher acredita que precisa “lavar demais”:
A vagina é autolimpante. Ela tem seu cheiro próprio, umidade natural e um sistema de proteção que funciona sozinho
Ginecologista Samyra Coutrim
Segundo Samyra, muita gente usa protetor diário, cosméticos clareadores, antissépticos, desodorantes íntimos e sabonetes cheios de perfume, achando que está cuidando. Mas o efeito é o contrário: o excesso mexe no equilíbrio da flora vaginal. “Esses produtos afetam a umidade e as barreiras de proteção, causando desequilíbrios", explica.
Outro erro comum é ignorar sinais como coceira, ardor ou secreção alterada. Esses sintomas não são normais e indicam que algo está errado.

Verão, praia e biquíni molhado: onde mora o perigo
No calor, o erro mais clássico aparece: passar horas com o biquíni molhado.“O ambiente quente e úmido favorece a proliferação de fungos e bactérias, aumentando casos de candidíase e vaginose”, explica a médica.
E não é só na praia: piscina, cachoeira, shorts molhado… tudo vira risco quando o hábito se repete por dias. Como evitar?
➡️ Trocar o biquíni molhado o quanto antes;
➡️ Carregar uma segunda peça na bolsa;
➡️ Evitar roupas apertadas e tecidos sintéticos no calor.
Ela também orienta priorizar roupas íntimas 100% algodão, evitar lingeries com materiais sintéticos e diminuir o uso de peças muito apertadas, que impedem a ventilação da região.
Produtos 'milagrosos': inimigos da flora vaginal
De sabonetes perfumados a sprays refrescantes, o mercado da higiene íntima promete de tudo, e é aí que mora o perigo. "Produtos com perfume, antissépticos fortes ou promessa de ‘limpeza profunda’ podem romper o equilíbrio da flora vaginal”, alerta Samyra.

Quando isso acontece, os lactobacilos, que protegem a região, diminuem. O resultado? Infecções de repetição, alergias, coceira e até inflamações crônicas.
Menos é mais. Higiene suave, sem exageros e com orientação médica sempre.
Samyra Coutrin
Calcinha fio dental: pode ou não pode?
A famosa fio dental pode até ser confortável para algumas mulheres, mas o uso frequente realmente aumenta o risco de problemas. Isso porque o modelo permite que bactérias da região anal migrem com mais facilidade para a vagina. Além disso, o atrito constante pode causar irritação e inflamação, especialmente em quem já tem tendência a infecções.
Se a mulher já tem histórico de candidíase ou vaginose de repetição, a chance de piora é ainda maior. Por isso, para o dia a dia, as especialistas recomendam priorizar calcinhas 100% algodão, que permitem ventilação adequada e ajudam a preservar o equilíbrio da flora vaginal.
“Conforto e saúde devem vir antes da estética", reafirma Samyra.
Sabonete íntimo: usar ou evitar?
Quando o assunto é sabonete íntimo, Samyra é clara: ele não é obrigatório. Na maior parte das vezes, água e um sabonete neutro já garantem uma higienização segura da vulva, que é a parte externa. A parte interna, a vagina, não deve ser lavada de jeito nenhum, porque já se limpa sozinha.
“Quando usar sabonete íntimo, que seja suave, sem fragrância e só na parte externa", destaca a ginecologista. Segundo Samyra, sabonetes com perfume forte, sensação refrescante intensa ou promessa de “limpeza profunda” podem alterar o pH, prejudicar os lactobacilos e aumentar o risco de infecções, ressecamento e ardor.
A regra geral é prestar atenção ao corpo: se algo arde, resseca ou incomoda, é sinal de que o produto está errado para você: “Higiene íntima não deve causar ardor ou ressecamento. Se isso acontece, algo está errado", finaliza a profissional.
* Sob a supervisão da editora Amanda Souza
