26º Salvador, Bahia
previsao diaria
Facebook Instagram
WHATSAPP
Receba notícias no WhatsApp Entre no grupo do MASSA!
Home / Viver Bem

Se cuide - 24/01/2026, 07:35 - Vitória Sacramento*

Tecnologia e diagnóstico precoce transformam a realidade da surdez

Núcleo de Reabilitação Auditiva das Obras Sociais Irmã Dulce se destaca como referência no atendimento

Aparelho auditivo
Aparelho auditivo |  Foto: Divulgação

O acesso antecipado ao diagnóstico de deficiência auditiva tem sido decisivo para garantir melhores resultados no processo de reabilitação de crianças e adultos com surdez severa ou profunda. Especialistas alertam que o atraso na identificação do problema pode comprometer o desenvolvimento da linguagem, a socialização e a autonomia dos pacientes, mesmo diante da existência de tratamentos eficazes disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Na Bahia, o Núcleo de Reabilitação Auditiva das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), em Salvador, se destaca como referência no atendimento a pessoas com perda auditiva. O serviço realiza procedimentos de implante coclear, tecnologia de alta complexidade que possibilita a percepção sonora por meio da estimulação direta do nervo auditivo, sendo indicado quando os aparelhos convencionais não apresentam resultado satisfatório .

A história do pequeno Davi Nascimento, de 7 anos, ilustra o impacto do acompanhamento precoce. Diagnosticado ainda nos primeiros meses de vida após o teste da orelhinha, o menino passou pela cirurgia de implante coclear com um ano de idade. Hoje, ele relata com entusiasmo a experiência de ouvir sons do cotidiano, como vozes, animais e a natureza, ressaltando a importância do dispositivo em sua rotina .

Segundo especialistas, a intervenção ideal deve ocorrer até, aproximadamente, os três anos e meio de idade. Após esse período, o cérebro perde parte da sua capacidade de adaptação, o que reduz significativamente o potencial de desenvolvimento da audição e da fala. Apesar disso, a desinformação ainda representa um obstáculo. Levantamento realizado pela OSID apontou que quase metade dos responsáveis por crianças com surdez não sabia informar se o exame auditivo neonatal havia sido realizado, evidenciando falhas no rastreio inicial .

Leia Também:

Médicos tratam pacientes
Médicos tratam pacientes | Foto: Divulgação

Atualmente, a instituição realiza cerca de oito cirurgias de implante coclear por mês, número que poderia ser ampliado, já que a unidade possui estrutura física e equipe especializada para atender uma demanda maior. O procedimento também tem apresentado resultados expressivos em adultos, como no caso da psicóloga Giovana Braga, que recuperou a capacidade de ouvir após perder a audição em decorrência de uma meningite. Para ela, o implante representou o resgate da convivência social e da qualidade de vida .

Além da cirurgia, o processo de reabilitação envolve acompanhamento contínuo com profissionais de diferentes áreas, como otorrinolaringologia, fonoaudiologia, psicologia e serviço social. Desde 2011, mais de 800 implantes cocleares já foram realizados no núcleo, que atende pacientes de diversas regiões da Bahia e de outros estados .

O médico otorrinolaringologista Helissandro Coelho destaca que a ampliação do acesso passa, principalmente, pela conscientização da população e pelo fortalecimento da atenção básica em saúde. “É fundamental que os casos suspeitos sejam identificados e encaminhados corretamente, para que a linha de cuidado não seja interrompida e o paciente tenha acesso ao tratamento no tempo adequado”, afirma .

Diante de um cenário em que a Organização Mundial da Saúde estima que, até 2050, um quarto da população mundial poderá apresentar algum grau de perda auditiva, iniciativas que unem tecnologia, atendimento humanizado e diagnóstico precoce se tornam essenciais. Mais do que devolver sons, o tratamento representa inclusão, comunicação e novas possibilidades de vida.

*Sob a supervisão do editor Anderson Orrico

exclamção leia também