
Pele luminosa, uniforme e com aparência lisa é a pele dos sonhos de muita gente. E quando o assunto é sonho, a indústria da beleza logo trata de providenciar coisas que resolvam a vida das pessoas, e foi assim que o skincare coreano entoru na rotina de cuidado das brasileiras.
Skincare é o termo em inglês usado para se referir aos cuidados a pele; o terma já foi incorporado ao vocabulário das pessoas no Brasil, especialmente os mais jovens. A novidade, no entanto, são as técnicas coreanas; com fórmulas que apostam em diferentes ativos para a pele e uma rotina com várias etapas, o skincare coreano propõe uma sequência de cuidados que inclui limpeza, hidratação e um velho conhecido dos brasileiros: protetor solar.
Mas será que tudo isso funciona para a nossa realidade? O MASSA! te conta mais sobre essa técnica, e o que está por trás da famosa “pele de vidro" e como adapatar essa rotina para a nossa pele e bolso.
Como funciona a rotina corena de skincare?
Esfoliar, massagear e lavar são o passo a passo do mais básico skincare. No Brasil, a tendência do cuidado com a pele ganhou força, e é acompanhada pela expansão do mercado de cuidados pessoais. O setor brasileiro de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos faturou cerca de R$200 bilhões em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC).
Em meio a tantas formas de cuidar da pele, as técnicas coreanas aparecem como uma modalidade que usa mais etapas e produtos que a rotina tradicional de cuidados. São diversos ativos dermatológicos que combatem a inflamação da pele e estimulam o fortalecimento da barreira cutânea, a camada mais externa da pele.
“Eu diria que a principal diferença do skicncare coreano para uma rotina convencional está muito mais na filosofia de cuidado,do que simplesmente na quantidade de produtos”, destaca a dermatologista Hadassa Barros (CRM 17974), especialista em saúde e beleza da pele.
Segundo a profissional, o mundo da beleza coreana, conhecido popularmente como como k-beauty, tem como característica principal o foco na manutenção da saúde da pele antes do surgimento de problemas.“Existe uma grande preocupação de manter essa pele equilibrada, saudável, tentar corrigir sem agredir”, contou.

As técnicas são baseadas na ênfase na hidratação profunda e na manutenção de uma barreira cutânea equilibrada. Tudo isso de forma frequente, para manter a pele saudável e corrigir imperfeições sem agressão.
Beleza tecnológica e cosméticos sofisticados
A Coreia do Sul é um país conhecido pela produção de alta tecnologia, e no setor de cosméticos não seria diferente. O país possui uma indústria cosmética com vasto investimento em pesquisa, desenvolvimento e formulações.
A k-beauty utiliza alta tecnologia em aspectos como texturas agradáveis, produtos multifuncionais e uma experiência sensorial valorizada. “Existe uma cultura de cosméticos muito sofisticados, muitos multifuncionais. E temos também aquela experiência sensorial de você tocar e sentir. Isso valoriza muito o produto”, conta a dermatologista.

As técnicas coreanas contam com uma integração, passando por processos como fermentação e uso de ingredientes botânicos, isso somado aos sistemas avançados de liberação de ativos. A dermatologista aponta quetoda essa transformação favorece a consistência e a adesão ao tratamento, um fator crucial para a eficácia. “Eu gosto muito disso porque, na prática, o melhor produto sempre é aquele que a pessoa consegue usar de forma consistente” afirma.
Quais são as etapas do skincare coreano?
O skincare coreano consiste na criação de várias camadas, o que gera uma sobreposição de produtos que agem na pele por horas. O ritual passa pelos seguinte produtos:
- Cleansing oil;
- Limpeza com sabonete facial;
- Esfoliação;
- Tônico;
- Essência;
- Sérum;
- Máscara facial;
- Creme para os olhos;
- Hidratante;
- Protetor solar.
Todos esses processos geram uma dúvida: será que tantas camadas não são prejudiciais para saúde da pele?
Hadassa esclarece: a pele não absorve de forma desordenada. Segundo a especialista, a penetração de ativos na pele depende de fatores como o tamanho molecular, concentração, formulação, solubilidade, estado da barreira cutânea e tempo de contato. “Muitas coisas influenciam”, afirma.
A pele não funciona como uma esponja, né?
Hadassa Barros, dermatologista
Ainda segundo ela, a sobreposição faz sentido quando produtos possuem funções distintas, como a hidratação, tratamento ou fotoproteção. “Mas não significa que quanto mais camadas é melhor".
Muitas vezes, uma rotina mais simples e estratégica pode ser igualmente, ou até mais, eficaz.
Hadassa Barros
Menos é mais
Diante dessa rotina intensa de cuidado, a dermatologista destaca que tantas etapas e o uso indiscriminado de diversos ativos como esfoliantes, ácidos, retinoicos e vitamina C, isso sem compreensão da necessidade, pode comprometer a barreira cutânea.
Essa barreira cutânea é fundamental para manter a hidratação e proteger a pele de agressões externas e perda de água. Quando comprometida, a pele pode desenvolver condições inflamatórias. Ela apresenta os seguintes sintomas:
- Pele seca;
- Sensível;
- Ardência ou vermelhidão;
- Irritação.
Hadassa afirma que "uma pele saudável não é a pele que é permanentemente estimulada, e sim a que é equilibrada”.

O que é essencial e o que é opcional?
Para a dermatologista, os dez passos não precisam ser seguidos por todas as pessoas. Segundo ela, há coisas que são opcionais, e o que é opcional:
- Essenciais: Limpeza adequada para o tipo de pele, hidratação (quando necessária) e fotoproteção.
- Opcionais: Óleo de limpeza (excelente para remover maquiagem e protetor solar, mas não obrigatório), esfoliantes, essências, máscaras e creme para os olhos.
Segundo a profissional, a rotina de skincare deve se encaixar na vida da pessoa, não se tornando uma obrigação. “Por exemplo, o óleo de limpeza pode ser excelente para remover maquiagem ou protetor solar, mas não necessariamente ele precisa fazer parte dessa rotina, não é uma obrigação.”, conta
Coreia e Brasil dão certo?
Não é recomendado reproduzir integralmente as rotinas sul-coreanas no Brasil devido às diferentes características de pele e ao clima. No clima brasileiro, especialmente em regiões quentes como a Bahia, muitas camadas de produto podem ser desconfortáveis, favorecendo obstrução, oleosidade e acne.
Outros fatores individuais como fototipo, exposição solar, poluição, alimentação e idade também devem ser considerados. “Eu acho que a tecnologia coreana é muito legal, mas esse K-beauty tem que ser adaptado para a nossa realidade, a realidade brasileira”, diz Hadassa.

A rotina é ideal é aquela que é adaptada ao tipo de pele, momento e ambiente do indivíduo, e não necessariamente à quantidade de produtos. É crucial, antes de aderir a qualquer tipo de rotina de beleza, aderir ao básico: limpeza adequada, hidratação e fotoproteção.
Hadassa Barros explica que a chamada pele de vidro, que é a grande característica do skincare coreano, não necessariamente é sinônimo de pele saudável. “Uma pele saudável tem poros, tem textura, tem linhas, tem manchas discretas, tem características bem individuais”, afirma.
*Hadassa Barros médica formada pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública, com mais de 20 anos de atuação nas áreas de cosmetologia, cuidado com a pele e medicina estética. Pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética, construiu sua trajetória baseada na individualização dos tratamentos, na naturalidade dos resultados e na aplicação rigorosa da ciência.

