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Artes Marciais - - Atualizado em

Hapkido: arte marcial coreana revela atletas em Salvador

Atletas irão competir em Minas Gerais ainda neste mês

Atletas baianos são destaque em campeonatos nacionais e internacionais
Atletas baianos são destaque em campeonatos nacionais e internacionais |  Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Vestir o quimono, amarrar a faixa e ir para o tatame são fundamentos que fazem parte do início di treino de Hapkido, arte marcial sul-coreana que chegou ao Brasil pela Bahia na década de 70, e que hoje leva dezenas de atleta do estado a competir em torneios no país e no mundo.

Este é o caso dos jovens atletas da escola Hapkido Botto, localizada no bairro da Federação, em Salvador, e 22 deles irão competir no Campeonato Brasileiro de Hapkido 2026, em Minas Gerais, que acontece ainda em setembro.

O MASSA! foi conhecer mais sobre os atletas, o projeto social que oferece bolsa para alguns alunos e, claro, o esse esporte que vem sendo bem representado no país afora.

Uma das bases da luta é treinar seus praticantes com técnicas para defesa pessoal
Uma das bases da luta é treinar seus praticantes com técnicas para defesa pessoal | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

“O poder é diferente”

Embora pratique outras artes marciais como karatê, kickboxing e kudô, Ricardo Botto, mestre e criador da Hapkido Botto, descreve a modalidade como diferente das outras. “Tem um poder diferente, sabe? A fluidez dos movimentos, a aplicação do golpe... eu nem sei explicar direito, mas é diferente".

O Hapkido é uma das artes marciais mais completas dos esportes, contendo na prática técnicas e características como:

➡️ Lutas de solo e em pé
➡️ Chutes e socos;
➡️ Torções, imobilizações e projeções;
➡️ Rolamentos e modos de respiração;
➡️ Defesa pessoal, sequências semelhantes a katas e quebramentos de tábuas e tijolos.

Na foto, o aluno Artur da Silva pulando a barra de mais de 1 metro de altura
Na foto, o aluno Artur da Silva pulando a barra de mais de 1 metro de altura | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Em um território como a Bahia, que domina o cenário do boxe no Brasil, o Hapkido tem um lugar de destaque. Desenvolvida em 1960 pelos mestres Ji Han-Jae e Choi, na Coreia do Sul, a modalidade chegou a Salvador em 1970, pelo mestre Lin. “Salvador foi o pioneiro aqui no Brasil", aponta Ricardo.

Mais de 200 anos passaram pelo projeto

A Hapkido Botto foi fundada em abril de 2014, quando o mestre passou a doar bolsas aos funcionários do local onde montou sua primeira academia. "Na primeira academia que eu trabalhei, dei uma bolsa ao filho do pintor, à recepcionista, e assim fui começando o projeto".

Em 2016, o projeto social começou a funcionar oficialmente na Escola Municipal Cidade de Jequié, na Federação, com 100 alunos, e era parte do programa federal “Mais Educação”, fundado em 2010 como uma estratégia para implementação da educação integral no país, articulando atividades culturais no espaço escolar.

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Atualmente, a Botto tem cerca de 170 alunos ativos, dos quais 70 a 80 treinam gratuitamente graças aos projetos sociais. Ricardo conta que mais de 300 alunos já passaram pelo projeto.


A idade desses estudantes varia de 10 a 18 anos, mas há alguns adultos que começaram ainda adolescentes e continuam auxiliando nas aulas como professores até hoje. “Os meninos que eram adolescentes no começo, já viraram adultos e continuam me ajudando nas aulas. Alguns já dão aula comigo”.

MASSA! / PORTAL
Projeto social de Hapkido, arte marcial coreana focada em defesa pessoal
NA FOTO: Barbara Cibele - Faixa azul - 
Thaissa Fontes - Vermelha 
- Artur da Silva - vermelha - 
Professor Ricardo Botto 
FOTO: CLARA PESSOA/AG. A TARDE
REPÓRTER: LORENA CONCEIÇÃO
DATA: 31/08/2026
MASSA! / PORTAL Projeto social de Hapkido, arte marcial coreana focada em defesa pessoal NA FOTO: Barbara Cibele - Faixa azul - Thaissa Fontes - Vermelha - Artur da Silva - vermelha - Professor Ricardo Botto FOTO: CLARA PESSOA/AG. A TARDE REPÓRTER: LORENA CONCEIÇÃO DATA: 31/08/2026 | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Com um público diverso, o projeto atende também idosos e pessoas com deficiência, além de autistas. “A pessoa com maior idade que temos tem 65 anos", contou o professor.

Além da sede principal, o projeto social funciona em outros locais como:

➡️ Escola Municipal Cidade de Jequié
➡️ Colégio Municipal Mário Costa Neto.

O professor ainda dá aula em outras escolas e academias de forma particular, como os colégios Assunção, Montessoriano, Carpe Diem, e a escola Didática da Bahia e os condomínios Barra Porto, Vila e Federação.

Segurança para as meninas

De maneira geral, as lutas sãoo predominantemente praticadas por homens. Apesar disso, pesquisas mostram que há um grande aumento da participação das mulheres. Segundo o jornal britânico The Guardian, em publicação deste ano, seis em cada dez mulheres brasileiras querem praticar um esporte de combate, sendo mais da metade delas com o objetivo de se defender.

O fundador da escola Botto reforça esse dado, afirmando que há um aumento significativo na participação feminina, estimada em 37% a 38% do público. "Aumentou bastante do público feminino".

Entre as atletas estão Bárbara Cibelli, de 13 anos, e Thaisa Vitória de 15, que praticam a modalidade desde a infância, encontraram no esporte não apenas uma prática física, mas uma forma de transformar comportamentos, e ganhar mais confiança.

Na foto, as atletas Thaisa Vitória, na esquerda, e Bárbara Cibelli na direita
Na foto, as atletas Thaisa Vitória, na esquerda, e Bárbara Cibelli na direita | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

As jovens apontam que praticar o Hapkido também representa segurança. Como mulheres, elas afirmam se sentirem mais protegidas com os aprendizados adquiridos nos treinos.

Segundo Thaisa, a professora Quéssia dos Santos oferece treinamentos específicos de defesa pessoal para situações de violência contra mulher. "Se segurarem no seu braço, como é que você vai reagir?", comenta, citando uma possível situação. Para ela e Cibele, esse tipo de aprendizado é muito importante.

No centro da foto, a professora Quéssia dos Santos
No centro da foto, a professora Quéssia dos Santos | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

O impacto mesmo estando fora do tatami

Aos 13 anos, Bárbara Cibelli vê no Hapkido uma ferramenta que vai além das técnicas de luta. Ela escolheu praticar o esporte com a certeza de que ele “muda a vida da pessoa”, além de “ensinar disciplina, que é muito importante".

Os efeitos, segundo a jovem, também chegaram à escola. A prática trouxe melhorias para sua disciplina e para as notas escolares. Durante os treinos, ela conta que aprendeu lições sobre comportamento e sobre como lidar com outras pessoas: "Quando a gente sai na rua, como atleta, devemos saber nos controlar diante das diversas provocações que passamos".

Na foto, Bárbara Cibele, faixa azul de Hapkido
Na foto, Bárbara Cibele, faixa azul de Hapkido | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Assim como a de Cibelle, a história de Thaisa Vitória também passa por mudanças de comportamento. Antes, ela se definia como “quietinha, mas muito retada”, mas com os treinos, aprendeu a controlar o temperamento, os gritos e os impulsos agressivos.

A disciplina desenvolvida no Hapkido também mudou sua sociabilidade, garante: "Houve mudanças em relação ao meu comportamento com meus pais. A gente aprende respeitar, né? A não gritar e afins". Ela utiliza a palavra "equilíbrio" para se referir ao descrever mais um desses aprendizados. "A gente aprende muito também com as criancinhas. Quando a gente luta, a gente tem que saber equilibrar o nosso chute, o nosso soco. E eu sempre fui uma pessoa com dificuldade de consegui segurar a mão. Então, o equilíbrio foi muito importante pra mim".

Na foto, Thaisa fazendo a apresentação solo
Na foto, Thaisa fazendo a apresentação solo | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Segundo Thaisa, a prática do Hapkido impactou sua vida na escola, tornando-a uma referencia para outras meninas. "Por eu ser a única menina que pratica o Hapkido, uma galera boa lá na escola perguntava onde funciona, como é que isso, aquilo".

A jovem conheceu o projeto após acompanhar seu primo, Artur da Silva, de 11 anos às aulas.

Lutadores querem mais: o campeonato

No tatame, a experiência também pesa. Arthur já participou de cinco a seis campeonatos e acumula vitórias em diversas competições. Para o próximo desafio, a expectativa é positiva e ele chega preparado para buscar mais um bom resultado.

Thaisa Vitória também já conhece bem a pressão de uma competição. Com cinco ou seis campeonatos no currículo, conquistou medalhas de primeiro lugar em quase todos. A única derrota aconteceu justamente na primeira disputa, quando ainda era faixa amarela. Ela conta que agora, "A expectativa está a mil, o coração fica acelerado... A gente treina para esse momento".

Os primos Artur e Thaisa Vitória
Os primos Artur e Thaisa Vitória | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Aos 13 anos, Bárbara Cibelli também já coleciona experiência no Hapkido. Faixa azul, ela pratica a modalidade há seis anos e está prestes a disputar seu quinto ou sexto campeonato. Ao longo da trajetória, já conquistou títulos em competições realizadas em São Paulo, no Paraguai e também na Bahia, acumulando medalhas e troféus. Sobre o futuro, ela afirma sem hesitar que quer "Chegar muito longe. lá em cima, no topo."

Doação

Para levar os atletas ao Campeonato Brasileiro de Hapkido, em Minas Gerais, a equipe está mobilizando uma campanha para ajudar nos custos da viagem. Ao todo, 22 pessoas irão para a competição: 20 em um ônibus disponibilizado pela Sudesb e outras duas de avião. Metade ou mais dos atletas que viajarão de ônibus faz parte do projeto social.

Apesar de terem conseguido gratuitamente o transporte e o alojamento, cada atleta ainda precisa arcar com alimentação e inscrição no campeonato. A inscrição custa, em média, R$ 150, enquanto a alimentação é estimada em R$ 80 por dia. Como a viagem começa na quinta-feira e a chegada em Salvador está prevista para segunda, o custo chega a cerca de R$ 500 por atleta.

Atletas na aula
Atletas na aula | Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Alguns competidores, como Bárbara Cibelli, Arthur e Thaisa, também estão realizando campanhas individuais para conseguir custear a participação. Além disso, a equipe promove rifas e uma quermesse com bingo, salgados, bolos e doces. O valor arrecadado será destinado principalmente à alimentação dos atletas e, conforme a arrecadação, também poderá ajudar com as inscrições.

Quem quiser contribuir com a viagem dos lutadores pode entrar em contato com a escola pela perfil ofcial no Instagram, com o nome @Hapkidobotto.

*Sob a supervisão da editora Amanda Souza

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