
Durante muito tempo, o pilates foi associado quase exclusivamente a idosos ou pessoas em reabilitação física. Mas essa visão vem mudando, e rápido. Em estúdios de Salvador, o método tem atraído cada vez mais jovens, atletas e profissionais que enfrentam os impactos da rotina moderna, como estresse, sedentarismo e má postura provocada pelo uso excessivo de celular e longas horas no computador.
A fisioterapeuta e professora de pilates Kaliane Oliveira Santos da Paixão, proprietária da Fisiokali, explica que a prática vai muito além do que o senso comum imagina. “O Pilates é uma técnica voltada para o bem-estar e qualidade de vida. Ele atende tanto jovens quanto idosos. Ainda existe essa ideia de que é só alongamento ou atividade para pessoas mais velhas, mas não é. Trabalha fortalecimento muscular, flexibilidade, mobilidade e até questões respiratórias”, afirma.
Segundo a profissional, o método exige concentração e controle corporal, o que o torna mais desafiador do que parece. “Não é uma atividade fácil. Você precisa se concentrar, controlar a respiração, manter a postura e executar o movimento corretamente ao mesmo tempo. Isso exige muito do corpo e da mente”, destaca.
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Outro ponto que tem atraído o público mais jovem é a busca por alternativas à academia tradicional. Com turmas menores e acompanhamento individualizado, o Pilates oferece um ambiente mais reservado e com maior atenção profissional. “Muita gente procura porque não gosta de academia. Aqui, o instrutor está o tempo todo corrigindo postura e movimento”, explica Kaliane.
Entre os jovens, uma das principais queixas é a má postura causada pelo uso constante de dispositivos eletrônicos, a chamada “corcunda do celular”. Nesse cenário, o Pilates surge como um aliado importante.
“A gente trabalha muito a consciência corporal. O aluno passa a perceber quando está com a postura errada e começa a se autocorrigir. Além disso, ensinamos exercícios e alongamentos que podem ser feitos no dia a dia, inclusive durante o trabalho”, pontua a fisioterapeuta.
Benefícios para atletas e rotina moderna
O método também tem ganhado espaço entre atletas e praticantes de outras atividades físicas. Isso porque contribui diretamente para o desempenho e a prevenção de lesões.
“O Pilates melhora a flexibilidade, a mobilidade e o fortalecimento muscular. Isso ajuda no rendimento esportivo e evita lesões. Já tivemos alunos que se lesionaram praticando esportes, fizeram Pilates para fortalecer o corpo e conseguiram voltar às atividades”, relata Kaliane.
Para quem leva uma rotina estressante ou sedentária, os benefícios vão além do físico. “Muitos alunos relatam melhora no sono, mais disposição no dia a dia e até mais vontade de praticar outras atividades. Às vezes, já no primeiro dia de aula a pessoa sente diferença”, afirma.
Prática possível de fazer
Foi o que aconteceu com o técnico em oftalmologia Tiago Rodrigues, de 39 anos, aluno de Pilates há dois anos. Ele buscou o método após anos convivendo com problemas na coluna.
“O Pilates mudou muito minha vida. Eu tenho escoliose e cifose desde jovem, e por causa do trabalho, que exigia esforço físico, piorou. Eu andava praticamente corcunda. Hoje, melhorei muito”, conta.
Mesmo sem gostar de atividades físicas, Tiago encontrou no Pilates uma prática que conseguiu manter. “Academia, pra mim, não rola muito. Eu faço porque preciso, mas entre academia e Pilates, eu fico com Pilates mil vezes. Enquanto eu puder, vou continuar”, afirma.

Ele ainda reforça a importância do método para diferentes perfis. “Independente da idade ou de ter problema de coluna, o Pilates ajuda muito. Até para quem faz musculação ou é atleta, ele é um complemento essencial.”
Mudança de perfil
De acordo com Kaliane, a mudança no perfil do público é clara ao longo dos anos. “Sou profissional há quase 10 anos e vi essa transformação. Antes, a maioria era de idosos ou pessoas em reabilitação. Hoje, o público jovem é predominante. De dois anos pra cá, isso ficou ainda mais evidente”, revela.

A tendência indica que o Pilates deixou de ser visto apenas como uma atividade terapêutica e passou a ocupar espaço também como prática de condicionamento físico e performance, acompanhando as novas demandas de uma geração que busca equilíbrio entre corpo, mente e rotina.
*Sob supervisão do editor Jefferson Domingos
