24º Salvador, Bahia
previsao diaria
Facebook Instagram
WHATSAPP
Receba notícias no WhatsApp Entre no grupo do MASSA!
Home / Cidades

Salvador - 19/03/2026, 07:00 - Vitória Sacramento

Caminhada mobiliza sociedade para conscientização sobre a epilepsia

A iniciativa faz parte das ações do Março Roxo

Março é dedicado à conscientização sobre a doença neurológica
Março é dedicado à conscientização sobre a doença neurológica |  Foto: Reprodução/Freepik

A campanha Março Roxo ganha destaque pelas ruas da orla de Salvador, com a Caminhada de Conscientização da Epilepsia, no domingo (22), a partir das 9h, com saída do Farol da Barra. A mobilização promovida pela Associação Baiana de Pessoas com Epilepsia, Familiares e Amigos irá reunir pacientes, familiares, profissionais de saúde e apoiadores em Salvador com o objetivo de ampliar o debate público sobre a epilepsia, combater o preconceito e orientar a população sobre diagnóstico, tratamento e convivência com a condição.

A iniciativa faz parte das ações do Março Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a doença neurológica que afeta cerca de 50 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, aproximadamente 2 milhões de pessoas convivem com epilepsia, de acordo com a Liga Brasileira de Epilepsia.

A caminhada, que deve reunir dezenas de participantes em um dos principais cartões-postais da capital baiana, busca chamar atenção para a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e, principalmente, do respeito às pessoas que vivem com a condição.

Como apoio à mobilização, a Afya Salvador anunciou a ampliação do atendimento ambulatorial gratuito para pessoas com epilepsia durante os meses de março e abril. Ao todo, serão ofertadas 20 vagas extras nas especialidades de neurologia e psiquiatria, destinadas a pacientes vinculados à ABPEFA.

Segundo a coordenadora do ambulatório, Daiane Gil, a iniciativa busca ampliar o acesso ao acompanhamento especializado. “Foram disponibilizadas 10 vagas em março e, diante da alta demanda, estendemos a ação com mais 10 atendimentos em abril, totalizando 20 consultas extras voltadas a esse público”, explica.

Atendimentos

Ela destaca ainda que o ambulatório realiza, em média, 180 atendimentos diários em diversas especialidades, com agendamento prévio. “Nosso objetivo é contribuir para o diagnóstico precoce e o controle adequado das crises, além de reforçar o compromisso com a inclusão e a promoção da saúde”, afirma.

A criação da ABPEFA está diretamente ligada à vivência de sua fundadora, a jornalista e ativista Alessandra Nascimento, que convive com epilepsia desde a infância. Após sofrer uma crise grave em 2021, que resultou em fratura no joelho e um período prolongado de afastamento do trabalho, ela decidiu criar a associação.

“A partir dessa experiência, percebi o quanto ainda precisamos avançar em informação, acolhimento e garantia de direitos para quem vive com epilepsia. A caminhada e as ações do Março Roxo são uma forma de dar visibilidade a essa causa e mostrar que ninguém precisa enfrentar essa jornada sozinho”, afirma.

Alessandra também destaca que, apesar de o tratamento estar disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ainda existem desafios importantes. “O SUS oferece medicamentos e a Bahia conta com o Centro de Referência em Epilepsias Refratárias no Hospital Roberto Santos. Mas o maior desafio ainda é o preconceito”, ressalta.

Leia Também:

Segundo a presidente da ABPEFA, o estigma social impacta diretamente a vida dos pacientes, especialmente no ambiente de trabalho e escolar. “Muitas pessoas ainda enfrentam demissão após uma crise ou sofrem exclusão e bullying. Durante uma crise, perdemos o controle do próprio corpo e ficamos extremamente vulneráveis. É nesse momento que mais precisamos de apoio e informação”, relata.

Ela reforça que a falta de conhecimento da população sobre como agir diante de uma crise convulsiva agrava a situação. “O que mais dói é o preconceito. Precisamos de mais empatia e preparo da sociedade para lidar com essas situações”, completa.

A caminhada conta com o apoio de diversas instituições, como a Associação Brasileira de Epilepsia, a Sociedade de Neurologia da Bahia e a Associação Bahiana de Imprensa, além de empresas e organizações da sociedade civil.

Para os organizadores, a mobilização vai além do evento em si e representa um esforço coletivo para fortalecer a rede de apoio e ampliar o acesso à informação. A expectativa é que ações como essa contribuam para reduzir o estigma e garantir mais qualidade de vida às pessoas com epilepsia.

“Dar visibilidade é o primeiro passo para transformar a realidade. Informação salva vidas e combate o preconceito”, conclui Alessandra.

exclamção leia também