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Setembro Amarelo -

Não é só tristeza: veja os sinais silenciosos de ansiedade e depressão

Saiba como identificar quando um parente ou amigo está se isolando

Pessoas com depressão e ansiedade podem demonstrar sinais silenciosos
Pessoas com depressão e ansiedade podem demonstrar sinais silenciosos |  Foto: Imagem gerada por IA (ilustrativa)

Os desafios para identificar quando um familiar ou amigo está com ansiedade e depressão são complexos. Por trás da preocupação e do desejo de ajudar, há o receio de não conseguir abordar a pessoa da forma correta e piorar ainda mais a situação.

Porém, de acordo com a psicologia, é possível trilhar um caminho para notar os sinais silenciosos de que alguém está enfrentando problemas de saúde mental e acolher esse indivíduo sem fazer julgamentos equivocados. O primeiro passo é estar disposto a ouvir o outro com empatia.

Sinais silenciosos de ansiedade e depressão

Quando alguém possui um transtorno ou doença psicoemocional, os sintomas podem aparecer das mais variadas formas. Inclusive há casos em que a pessoa consegue manter uma rotina funcional em ambientes coletivos e não demonstra explicitamente estar abalada.

“Um dos pontos mais importantes é compreender que ser funcional não significa, necessariamente, estar emocionalmente bem. Existem pessoas que continuam trabalhando, estudando, cuidando da casa e cumprindo suas responsabilidades, mas internamente podem estar enfrentando um sofrimento significativo. Esse sofrimento passa despercebido justamente porque ela consegue manter a rotina”, explicou a psicóloga Carla Fagundes (CRP 03/30325).

Carla Fagundes é psicóloga (CRP 03/30325)
Carla Fagundes é psicóloga (CRP 03/30325) | Foto: Arquivo pessoal (@psicarlafagundes)

“Muitas vezes, a pessoa não necessariamente diz ‘estou deprimida’. Ela pode dizer: ‘não tenho vontade de nada, estou cansada de tudo, não vejo sentido nas coisas’. Por isso, mais importante do que identificar um sintoma isolado é perceber mudanças persistentes no funcionamento e no comportamento daquela pessoa, principalmente quando ela deixa de agir como costumava e de fazer coisas que antes era importante para ela”, explicou.

Aspas

Nem todo sofrimento aparece por fora. Às vezes, a pessoa continua trabalhando, sorrindo e cumprindo suas responsabilidades enquanto enfrenta uma batalha interna

A profissional baiana também pontuou quais os principais sinais perceptíveis para ambos os quadros. Confira abaixo.

Ansiedade:

➡️Preocupação excessiva e difícil de controlar;

➡️Sensação constante de estar em alerta;

➡️Irritabilidade;

➡️Dificuldade de concentração;

➡️Alterações no sono;

➡️Inquietação;

➡️Sintomas físicos, como tensão muscular, palpitações e cansaço.

Depressão:

➡️Tristeza intensa;

➡️Perda de interesse ou prazer;

➡️Isolamento;

➡️Falta de energia;

➡️Alterações no sono e no apetite

➡️Sentimento de culpa, inutilidade ou desesperança.

Como diferenciar o isolamento social dos momentos naturais de introspecção?

Com uma rotina cada vez mais acelerada e a exposição intensa às redes sociais, muitas pessoas buscam o caminho inverso nos períodos livres. Antes de tomar qualquer tipo de atitude, é importante diferenciar se o amigo ou parente está realmente em isolamento por depressão e ansiedade, ou se apenas vive momentos naturais de introspecção e descanso.

“Precisar de um tempo sozinho não é necessariamente um sinal de adoecimento. O recolhimento também faz parte de uma vida saudável. Todos nós podemos precisar de momentos de recolhimento para descansar, organizar os pensamentos ou simplesmente porque não estamos com disposição para socializar. O que merece atenção é quando o afastamento se torna frequente, intenso e começa a provocar prejuízos”, declarou a psicóloga em entrevista ao MASSA!.

Quando o isolamento afeta a rotina, o trabalho e os estudos, é preciso intervir
Quando o isolamento afeta a rotina, o trabalho e os estudos, é preciso intervir | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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A atenção deve ser redobrada quando os comportamentos passam a ser suspeitos: “A pessoa deixa de responder mensagens, recusa constantemente convites que antes aceitava, deixa de frequentar lugares dos quais gostava ou passa a evitar pessoas porque sente que não consegue lidar com eles".

"Também é importante observar o motivo e a consequência desse isolamento. Se a pessoa escolhe ficar sozinha e isso proporciona descanso, provavelmente estamos diante de uma necessidade legítima de recolhimento. Mas, se ela se isola porque acredita que é um peso para os outros, porque sente vergonha, medo, desesperança ou porque perdeu completamente o interesse pelas relações, isso merece investigação”, completou.

Psicóloga Carla Fagundes explica os sinais de ansiedade e depressão, além de orientar sobre maneiras de acolhimento
Psicóloga Carla Fagundes explica os sinais de ansiedade e depressão, além de orientar sobre maneiras de acolhimento | Foto: Arquivo pessoal (@psicarlafagundes)

A psicóloga Carla Fagundes enfatizou que atitudes e falas em tom de despedida precisam ser levadas a sério: “O principal alerta é quando existe risco à própria vida ou incapacidade importante de se manter em segurança. Precisamos levar muito a sério falas como ‘não quero mais viver, seria melhor se eu não existisse, queria desaparecer ou as pessoas ficariam melhor sem mim’. Esses sinais não devem ser minimizados ou interpretados simplesmente como uma tentativa de chamar atenção”.

🧠❤️‍🩹Outros sinais:

➡️Despedida incomum;

➡️Organização de assuntos pessoais de maneira repentina;

➡️Comportamento de risco;

➡️Qualquer indicação de planejamento para tirar a própria vida.

O que fazer e o que não fazer?

Ao notar sintomas depressivos ou ansiosos em alguém, o ideal é abordar essa pessoa de maneira respeitosa e empática. Não é preciso esperar que o quadro chegue ao limite para intervir e oferecer ajuda. Porém, não é adequado impor a ida ao profissional com expressões como “você está doente” ou “maluco”.

"O primeiro passo está no acolhimento, é se aproximar sem tentar imediatamente solucionar o problema. Uma pergunta simples pode abrir espaço: ‘Percebi que você não parece bem ultimamente. Quer conversar sobre o que está acontecendo?’ É importante ouvir mais do que falar, validar o sofrimento e evitar comparações. Podemos falar: 'Tenho percebido que você não está bem e que isso tem afetado sua vida. Talvez conversar com um profissional possa te ajudar a entender melhor o que está acontecendo. Se você quiser, eu posso te ajudar a procurar'”, explicou a psicóloga.

É preciso acolher pessoas com ansiedade e depressão
É preciso acolher pessoas com ansiedade e depressão | Foto: Reprodução/Freepik

Já oscasos mais graves pedem medidas mais emergenciais e efetivas para o controle das crises. "Uma piora muito rápida do quadro, crises intensas, perda importante da capacidade de realizar atividades básicas, confusão mental, sintomas psicóticos ou agitação extrema também justificam avaliação imediata. Nessas situações, não devemos deixar a pessoa sozinha e esperar que passe. É importante buscar um serviço de emergência ou acionar o SAMU, pelo 192, conforme a gravidade e a disponibilidade local. Em situações de crise emocional ou risco de suicídio, o CVV também pode ser acionado pelo número 188", orientou.


Mesmo que a intenção não seja negativa, não use termos que minimizem o sofrimento: “Devemos evitar frases como ‘isso é falta de força de vontade, você precisa reagir, todo mundo tem problemas, é só pensar positivo, você tem tudo para ser feliz ou tem gente passando por coisa muito pior’. Também é importante não reduzir a pessoa ao diagnóstico. Ela não é a depressão ou a ansiedade. É uma pessoa que está atravessando um momento de sofrimento e que precisa ser acolhida e, quando necessário, receber tratamento”.

Um profissional deve avaliar a pessoa para fundamentar o diagnóstico. Apenas alguns sintomas isolados não configuram um quadro de depressão ou ansiedade. Há também a diferença entre a necessidade de buscar um psicólogo ou um psiquiatra.

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Setembro Amarelo é o mês dedicado à conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida | Foto: Imagem gerada por IA (ilustrativa)

“Psicólogo e psiquiatra têm atuações diferentes e podem trabalhar de forma complementar. A psicoterapia é um espaço para compreender o sofrimento, desenvolver estratégias e trabalhar os fatores psicológicos envolvidos; o psiquiatra realiza a avaliação médica e pode indicar tratamento medicamentoso quando necessário”, concluiu.

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