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Mulheres transformam hobbies em antídoto contra a solidão

Clubes de livros, pintura, corrida e artesanato estão conquistando mulheres em Salvador

Vitória Sacramento
Vitória Sacramento
Hobbies são aliados da mulherada contra a solidão
Hobbies são aliados da mulherada contra a solidão |  Foto: Divulgação/Hit Girl Club

Em um momento em que a vida adulta tem sido marcada por jornadas de trabalho intensas, excesso de tempo diante das telas e dificuldades para construir novas amizades, um movimento vem ganhando força entre mulheres: os clubes de hobbies. Seja para discutir livros, praticar atividades físicas, aprender artesanato ou experimentar novas experiências criativas, esses grupos têm atraído participantes em busca de algo que vai além do passatempo. O objetivo é encontrar pertencimento, fortalecer vínculos e cuidar da saúde mental.

A tendência pode ser percebida em diferentes formatos espalhados por Salvador. Há clubes do livro que reúnem dezenas de participantes, oficinas de pintura, bordado, macramê e velas aromáticas, grupos de caminhada e corrida, encontros para piqueniques, além de comunidades voltadas ao desenvolvimento de novos hobbies. Em comum, todos oferecem um espaço de convivência presencial em um período em que muitas relações passaram a acontecer quase exclusivamente no ambiente virtual.

Foi justamente essa necessidade de criar conexões que motivou o surgimento do Caldeirão de Livros, da Grimório Produtora. A gestora e produtora cultural Mandy Morbeck conta que a ideia nasceu em 2023, no período pós-pandemia, quando percebeu as livrarias mais vazias e decidiu retomar os clubes de leitura.

"Mais do que ler um livro juntas, criamos laços, rimos, fazemos novos amigos e nos divertimos. Ser parte de um clube do livro é mais do que um momento de pausa da rotina, é ser parte de uma comunidade que acolhe e não julga", afirma.

Hoje, além dos encontros literários, a produtora promove eventos temáticos, brincadeiras, festas, discussões e experiências imersivas inspiradas nas obras escolhidas. O resultado é um ambiente onde pessoas que chegam sozinhas rapidamente encontram espaço para construir amizades.

A proposta tem refletido diretamente no bem-estar das participantes. Mandy revela que uma das integrantes chegou ao clube por indicação da própria psicóloga, como parte do processo de socialização. "Sem sombra de dúvidas o clube contribui para o bem-estar emocional dos nossos membros", diz. Segundo ela, cerca de 98% dos participantes são mulheres.

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Conexões reais

A busca por conexões também motivou a criação do His Girls Club, idealizado pela gestora comercial Ayranna de Jesus Ferreira. O projeto, com temática cristã, reúne mulheres em oficinas criativas, momentos de convivência, devocionais e, mais recentemente, em um clube do livro.

Segundo Ayranna, o crescimento desse tipo de iniciativa reflete uma necessidade cada vez maior de viver experiências reais. "Hoje passamos muito tempo conectados às telas, mas cada vez menos conectados umas às outras. ", afirma.

Aspas

Os clubes de hobbies oferecem um espaço que nos convida a sair do modo automático, desenvolver habilidades e viver novas experiências por meio da troca com outras pessoas.

Aryanna Ferreira

Ela observa que a solidão tem aparecido com frequência nos relatos das participantes. "A vida adulta acaba tornando a socialização fora da rotina de obrigações mais difícil. Muitas mulheres deixam o autocuidado e os hobbies em segundo plano. Ter um ambiente onde elas possam resgatar isso faz com que percebam que não estão passando por essa fase sozinhas."

Entre as atividades já promovidas pelo grupo estão oficinas de velas aromáticas, pintura de ecobags, macramê, bordado, piqueniques e encontros de leitura.

Muito além de um passatempo

Se para algumas mulheres os clubes surgem como resposta à solidão, para outras representam uma oportunidade de experimentar algo novo e desacelerar.

Foi esse o caso da social media Joilma Almeida. Acostumada a passar boa parte do dia conectada por causa do trabalho, ela buscava uma atividade que estimulasse a criatividade fora do ambiente digital.

"Eu queria fazer algo diferente, viver novas experiências e estimular minha criatividade fora das telas", conta. A escolha acabou rendendo mais do que um novo hobby. "Criei amizades que foram além dos encontros. Quando compartilhamos nossas histórias, fica quase impossível não criar conexão."

A contadora Isabel Cristina Leal dos Santos também encontrou no grupo um sentimento de pertencimento. Segundo ela, conviver com mulheres que compartilham valores semelhantes fortaleceu sua rede de apoio.

Ela lembra que a oficina de pintura em ecobags a fez superar o medo de errar. "Eu tinha vontade de fazer, mas tinha receio de não conseguir um bom resultado. Decidi tentar e me surpreendi comigo mesma."

Mulheres se reúnem e dividem experiências
Mulheres se reúnem e dividem experiências | Foto: Divulgação/Grimório Produtora

Além do aprendizado, Isabel destaca o ambiente acolhedor criado nos encontros. "Conversamos e compartilhamos experiências de vida. O clube se mostrou um espaço seguro e realmente virou uma rede de apoio."

Um movimento que cresce

Embora cada grupo tenha características próprias, alguns voltados para literatura, outros para esportes, artes manuais ou espiritualidade, todos compartilham uma proposta semelhante: oferecer um tempo de qualidade longe da rotina.

Em vez de encontros rápidos ou conversas virtuais, as participantes encontram espaços para desenvolver novas habilidades, fortalecer a autoestima, construir amizades e criar uma rotina mais equilibrada.

O que começa com um livro, uma oficina de pintura ou uma caminhada coletiva frequentemente termina em grupos de mensagens, encontros fora da programação oficial e amizades que ultrapassam os limites dos clubes.

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