
Muitas pessoas enfrentam uma rotina marcada pela vontade incontrolável de fazer xixi. A necessidade de ir ao banheiro pode acontecer em momentos inesperados e costuma afetar até mesmo o sono, já que muita gente precisa acordar diversas vezes à noite para esvaziar a bexiga. Apesar de desconfortável, há quem acredite que isso é normal, mas a verdade é que esses sintomas podem indicar a Síndrome da Bexiga Hiperativa (SBH).
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, a Síndrome da Bexiga Hiperativa acomete cerca de 17% da população adulta do país. Este percentual costuma aumentar conforme o avanço da idade. Porém, mesmo que essa estimativa aponte que milhões de pessoas passam por essa situação no Brasil, o tema ainda é tabu por causa do constrangimento e preconceito.
Segundo Patrícia Lordêlo, fisioterapeuta pélvica e pós-doutora em Ginecologia, o principal desafio para o enfrentamento da SBH é o silêncio em torno do assunto: “Muitas pessoas deixam de viajar, trabalhar, frequentar eventos ou até dormir bem porque vivem procurando um banheiro. É uma condição que compromete profundamente a qualidade de vida, mas continua sendo escondida por vergonha”.
O que causa bexiga hiperativa?
A medicina não aponta uma única causa específica para a síndrome, mas ela está relacionada à contração involuntária do músculo da bexiga. Esse movimento passa a acontecer independente dela estar cheia ou não e pode afetar homens e mulheres.

Algumas questões de saúde e hábitos alimentares também contribuem para o surgimento da condição. Fatores emocionais, como estresse e ansiedade, podem intensificar os sintomas.
“Entre os fatores que favorecem seu aparecimento estão envelhecimento, obesidade, diabetes, doenças neurológicas, como Parkinson, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e esclerose múltipla; alterações hormonais, hiperplasia benigna da próstata nos homens, consumo excessivo de cafeína, álcool e outras substâncias irritantes para a bexiga e enfraquecimento da musculatura do assoalho pélvico”, explicou Patrícia Lordêlo.
Hábitos saudáveis são a melhor prevenção
Não é possível evitar a Síndrome da Bexiga Hiperativa em todos os casos, mas ter hábitos saudáveis reduz os riscos e auxilia no processo de controle dos sintomas.
“São bons exemplos: manter o peso adequado; fortalecer a musculatura do assoalho pélvico; controlar diabetes e outras doenças crônicas; evitar excesso de café, refrigerantes, bebidas alcoólicas e energéticos; manter boa hidratação, sem exageros; evitar prender a urina por longos períodos; procurar avaliação especializada aos primeiros sinais”, detalhou a especialista.

Outro ponto importante é ir ao médico assim que perceber mudanças no comportamento urinário: “Quanto mais cedo o paciente procura atendimento, maiores são as chances de controlar os sintomas e recuperar sua autonomia”.
Tratamento multidisciplinar inclui fisioterapia pélvica
Ainda que a maioria dos casos de Síndrome da Bexiga Hiperativa ocorra entre as mulheres, ela também afeta os homens. Sendo assim, uma das medidas aliadas para o controle dessa síndrome é a fisioterapia pélvica para ambos os sexos.
O tratamento precisa ser multidisciplinar, podendo incluir ajustes alimentares, a reeducação da bexiga, fisioterapia pélvica, treinamento comportamental, medicamentos e, em alguns casos, terapia.

Há opções de cuidados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O primeiro passo é ir à Unidade Básica de Saúde (UBS) para ter uma consulta com um médico clínico geral. Após isso, o profissional irá encaminhar o paciente para um especialista, que será um urologista ou ginecologista, a partir do sistema de regulação público.
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Vale lembrar que o SUS faz avaliações complementares, como exames de urina, ultrassonografias e, em alguns centros de referência, o estudo urodinâmico, ajudando no diagnóstico e tratamento.
Outras instituições de saúde também fazem o tratamento em Salvador, como o Instituto Patrícia Lordêlo, que oferece assistência especializada pelo SUS e abriga o grupo de pesquisa denominado Centro de Atenção ao Assoalho Pélvico (CAAP), que faz estudos sobre diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças que atingem homens e mulheres.

