
O aleitamento materno traz benefícios que vão além da nutrição e da proteção contra doenças. Durante a amamentação, o bebê também desenvolve músculos e estruturas da face que serão importantes para a mastigação, a fala, a respiração e a formação da arcada dentária.
No Agosto Dourado, campanha voltada à conscientização sobre a importância da amamentação, especialistas chamam atenção para hábitos que ajudam a prevenir problemas bucais ainda na infância. Confira os principais cuidados:
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Amamentação ajuda no desenvolvimento da boca

A sucção no seio exige um esforço natural do bebê, o que estimula o crescimento dos ossos e músculos da face. De acordo com a cirurgiã-dentista Priscila Cordeiro, da Neodent, esse movimento favorece o desenvolvimento da chamada oclusão, que é o encaixe correto entre os dentes superiores e inferiores.
"A amamentação é um exercício natural para o sistema estomatognático, responsável pelas funções da boca. O esforço realizado pelo bebê durante a sucção favorece o desenvolvimento equilibrado da face e cria condições mais favoráveis para uma oclusão adequada", explica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e, depois desse período, de forma complementar até os dois anos ou mais.
Chupetas e mamadeiras devem ser usadas com moderação

Embora possam fazer parte da rotina de algumas famílias, o uso prolongado de chupetas e mamadeiras pode interferir no desenvolvimento da arcada dentária e da face.
Segundo a especialista, o hábito pode favorecer alterações como mordida aberta, mordida cruzada e mudanças na posição da língua, que acabam afetando a mastigação, a fala e até a respiração.
"O ideal é que chupetas sejam utilizadas apenas quando realmente necessárias e por um período limitado. Quanto mais prolongado for esse hábito, maiores são as chances de alterações no desenvolvimento da oclusão. Já a mamadeira deve ser utilizada apenas para o leite e somente até um ano de idade, sendo então substituída pelo copinho", orienta.
Primeira consulta ao dentista não deve esperar

Os cuidados com a saúde bucal também começam cedo. A primeira avaliação odontológica pode ser feita ainda no primeiro ano de vida para orientar pais e responsáveis sobre higiene bucal, nascimento dos dentes e hábitos de sucção.
O acompanhamento desde os primeiros meses permite identificar alterações precocemente, aumentando as chances de tratamentos mais simples e prevenindo problemas futuros.
Para a dentista e especialista em ortodontia Fernanda Santini, o diagnóstico precoce faz parte da odontologia preventiva. "É importante realizar correções e tratamentos precocemente, prevenindo que esses problemas se agravem e até mesmo evitando a necessidade de procedimentos mais invasivos e cirurgias no futuro", afirma.
Fique atento aos sinais de alerta

Alguns comportamentos e alterações podem indicar que a criança precisa de uma avaliação odontológica. Entre eles estão perda precoce ou tardia dos dentes de leite, dificuldade para mastigar, respiração pela boca, hábito de chupar o dedo, uso excessivo de chupeta, assimetria facial e o costume de ranger ou apertar os dentes.
Em alguns casos, tratamentos ortodônticos podem ser iniciados ainda durante a troca da dentição de leite pela permanente para corrigir problemas como mordida cruzada, diastema e apinhamento, evitando complicações ao longo do desenvolvimento da criança.
"Essas características podem ser indícios de que o jovem irá precisar de algum tratamento. O ideal é, assim que perceber alguma dessas manifestações, consultar um profissional", finaliza Fernanda.

