
A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, voltou a aparecer no radar das investigações sobre a fuga de 16 detentos da unidade prisional, no extremo sul da Bahia. Já presa por suspeita de envolvimento no caso, ela passou a ter um novo mandado de prisão cumprido durante mais uma fase da operação realizada na terça-feira (3), pela Polícia Civil.
As ordens judiciais foram executadas dentro do próprio presídio de Eunápolis e também no Conjunto Penal de Itabuna. A ação é mais um desdobramento da investigação que tenta esclarecer como ocorreu a fuga registrada na noite de 12 de dezembro de 2024, quando homens armados invadiram a unidade e libertaram 16 internos.
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Joneuma havia sido presa há cerca de um mês após o episódio. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) aponta que a ex-diretora teria facilitado a saída dos detentos e mantinha ligação com uma organização criminosa que atua na região. De acordo com as investigações, ela também teria se relacionado sexualmente com Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, um dos fugitivos da fuga e apontado como o chefão da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).
“Conhecedora das leis”
Joneuma ficou à frente do presídio por nove meses e entrou para a história como a primeira mulher a estar no comando de um conjunto penal masculino na Bahia. Antes de assumir a direção do presídio, em janeiro de 2025, Joneuma concedeu entrevista exclusiva aoMASSA! e falou sobre a atuação feminina na área de segurança pública.

Na ocasião, ela incentivou outras mulheres a seguirem carreira na polícia penal: “Lugar de mulher é onde ela quiser. Hoje não há espaço para preconceitos. A mulher e o homem são diferentes fisiologicamente, mas profissional e intelectualmente são iguais. Se você deseja ingressar na polícia penal, estude, treine e se qualifique. Esteja pronta e abrace as oportunidades".
Formada em Direito, Joneuma também relatou à reportagem que se inspirava no próprio irmão, que é agente penitenciário. Na época, ela contou ainda que concluía a graduação em jornalismo.

Durante a conversa, a então gestora destacou a importância do conhecimento das leis dentro da função. “Conhecer nossos direitos e deveres é muito importante, principalmente na profissão de policial penal”, afirmou.
Fugitivos ainda procurados
A fuga do Conjunto Penal de Eunápolis permanece em investigação. Dos 16 detentos que escaparam da unidade, um foi recapturado, dois morreram em confronto com policiais e 13 seguem procurados.
Entre eles estão:
🚨 Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dadá (chefe do PCE);
🚨 Altieri Amaral de Araújo, conhecido como Leleu (sub líder do PCE);
🚨 Anailton Souza Santos, o Nino, morto em confronto com a polícia em janeiro de 2025 em Eunápolis;
🚨 Anderson de Oliveira Lima;
🚨 Fernandes Pereira Queiroz;
🚨 Geifson de Jesus Souza;
🚨 Giliard da Silva Moura;
🚨 Idário Silva Dias;
🚨Isaac Silva Ferreira;
🚨Mateus de Amaral Oliveira;
🚨Romildo Pereira dos Santos;
🚨 Rubens Lourenço dos Santos, conhecido como Binho Zoião (da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis), morto na megaoperação do Rio de Janeiro, em outubro de 2025;
🚨 Sirlon Risério Dias Silva, conhecido como Saguin (sub líder da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis);
🚨Thiago Almeida Ribeiro;
🚨 Valtinei dos Santos Lima, conhecido como Dinei, recapturado em setembro de 2025, em Porto Seguro;
🚨 William Ferreira Miranda.

Durante as buscas realizadas na terça, um indivíduo chegou a trocar tiros com policiais e escapou. No imóvel onde ele estava, os agentes apreenderam drogas, dinheiro e anotações que agora fazem parte das investigações.
