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Comunicação evita confusão - 21/02/2026, 08:00 - Rebeca Nascimento

Sexo não é bicho de 7 cabeças; saiba como abordar o tema em casa

Especialista destaca a importância de conversar sobre sexualidade com crianças e adolescentes

Educação sexual vai além de falar sobre sexo
Educação sexual vai além de falar sobre sexo |  Foto: Ilustratativa/Reprodução/Freepik

Para a biologia, o ato sexual está ligado à reprodução e perpetuação da espécie. Mas, ao longo do tempo e com diversos estudos, em especial da sexologia, compreendeu-se que o sexo vai muito além de um dever biológico: envolve prazer, descoberta do próprio corpo, sentimento e desejo. Por se tratar de algo que envolve tantos mecanismos, é necessário que haja diálogos sobre o assunto. Mas por quê ainda há tantos tabus em falar sobre sexualidade em casa?

A sexóloga Raquele Carvalho destaca que muitos pais ainda acreditam que falar sobre sexualidade faz com que os filhos iniciem a vida sexual de forma precoce, o que segundo a profissional, não se aplica. "O que antecipa comportamentos de risco não é a informação, mas a desinformação e o acesso sem orientação. Informação bem conduzida orienta, protege e previne", alertou.

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A informação bem conduzida orienta, protege e previne

Raquele Carvalho, sexóloga
Raquele afirma que uma conversa consciente com os filhos é o melhor caminho
Raquele afirma que uma conversa consciente com os filhos é o melhor caminho | Foto: Arquivo Pessoal

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Outro erro cometido pelos pais é achar que a conversa sobre educação sexual pode ser resumida em falar apenas sobre sexo. Raquele destacou que o tema é muito mais amplo.

"Educação sexual é muito mais ampla. É um processo formativo que envolve ensinar sobre o corpo, limites, respeito, consentimento, prevenção de violências, responsabilidade e autocuidado", disse a sexóloga.

Preservação da infância

Muitos responsáveis acham que não devem abordar a educação sexual com filhos pequenos por acreditarem que dessa forma estão preservando a infância deles, porém, a sexóloga aponta que isso também é laranjada.

"Isso é uma ilusão! A educação sexual acontece o tempo todo, de forma intencional ou não. Acontece nas músicas, na tv, nas redes sociais, nas conversas entre colegas, na igreja, nos espaços públicos e até nos silêncios dentro de casa. Quando a família não conduz esse processo de maneira consciente, outras fontes vão ocupar esse espaço. E aí há um grande problema. O maior mito é acreditar que o silêncio protege", sinalizou.

Tem idade para falar sobre sexualidade em casa?

De acordo com Raquele, não. "A educação sexual é um processo contínuo, acompanha cada fase do desenvolvimento da criança. Na primeira infância, por exemplo, falar sobre sexualidade é ensinar o nome correto das partes do corpo e explicar que existem partes íntimas, privadas, que devem ser respeitadas", disse.

Sexóloga afirma que educação sexual deve ser construída desde a infância
Sexóloga afirma que educação sexual deve ser construída desde a infância | Foto: Ilustratativa/Reprodução/Freepik

"Na fase escolar, entram conversas sobre limites e respeito ao próprio corpo e ao corpo do outro", disse a sexóloga, que fez questão de sinalizar que a conversa sobre sexualidade também inclui sentimentos e emoções", concluiu a especialista.

Como deve ser a abordagem?

Ao falar sobre sexualidade com crianças e adolescentes, é necessário ir 'nas manhas', nunca em forma de proibição ou bronca. Essas atitudes mais atrapalham do que ajudam. "O maior erro é tratar o tema com medo, vergonha ou ameaça. Quando a conversa surge apenas em tom de bronca ou proibição, ela não educa, ela afasta", esclareceu a sexóloga, que ainda ressaltou que a criança deve se sentir segura ao fazer uma pergunta.

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Quando a família não conduz esse processo de maneira consciente, outras fontes vão ocupar esse espaço. E aí há um grande problema.

Raquele Carvalho, sexóloga

Na contramão

Se por um lado têm os pais que ainda sentem receio ou vergonha de conversar sobre sexualidade com os filhos, do outro têm aqueles que preferem falar abertamente, como acontece na família de Ingrid Ribeiro, de 22 anos. A jovem, que tem cinco irmãos, sendo quatro homens, conta que o diálogo sobre educação sexual sempre foi algo comum em casa.

Ingrid sempre conversou abertamente com os pais sobre sexualidade
Ingrid sempre conversou abertamente com os pais sobre sexualidade | Foto: Arquivo Pessoal

"Sempre fomos tranquilos para conversar sobre esses assuntos abertamente, incluindo a família da parte da minha mãe. Sempre fomos orientados sobre esse assunto", contou.

A jovem acredita que falar abertamente sobre educação sexual é o melhor caminho para todos. "Muito importante, não somente em casa, mas também nas escolas, pois é um assunto muito útil, até por que não é somente o sexo em si, mas também as prevenções que devemos ter e saber, os tipos de relacionamentos que devemos ter com pessoas de confiança e não qualquer um", afirmou

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