28º Salvador, Bahia
previsao diaria
Facebook Instagram
WHATSAPP
Receba notícias no WhatsApp Entre no grupo do MASSA!
Home / Na cama com o Massa!

Você toparia? - 10/01/2026, 08:00 - Rebeca Nascimento

Hotwifing: entenda o fetiche masculino de ver a mulher com outro

Especialista explica como a experiência pode ajudar o relacionamento

Hotwifing está inserido no espectro do Não-Monogamia Consensual (NMC)
Hotwifing está inserido no espectro do Não-Monogamia Consensual (NMC) |  Foto: Ilustratativa/Reprodução/Freepik

Você teria coragem de assistir ou até incentivar sua companheira a ter experiências sexuais com outros homens? Pode parecer loucura, mas para alguns 'boys' isso é comum e tem até nome: hotwifing. Diferente do cuckold, que é quando o homem sente prazer em ser chifrado, no hotwifing a mulher é o foco da situação, e o companheiro enxerga a prática como uma forma de libertação, excitação ou até um "teste" para a relação.

A sexóloga Cris Arcuri afirma que a prática do hotwifing está inserida no espectro do Não-Monogamia Consensual (NMC) e do lifestyle (swing), onde uma mulher comprometida tem relações sexuais com outros parceiros, geralmente com o incentivo e o apoio do seu marido ou parceiro fixo.

Aspas

O sucesso dessa prática depende da segurança emocional do casal. Quando bem gerido, muitos praticantes relatam um aumento na libido entre o casal e um fortalecimento da confiança

Cris Arcuri, sexóloga
Cris Arcuri, sexóloga
Cris Arcuri, sexóloga | Foto: Arquivo Pessoal

"Diferente de um relacionamento aberto tradicional, onde ambos parceiros costumam buscar experiências independentes, o hotwifing foca quase exclusivamente no prazer da mulher e na fantasia do parceiro masculino", iniciou a profissional", iniciou Cris.

Leia Também:

Apesar de ser uma forma livre de viver experiências sexuais, Cris afirma que nada acontece sem o acordo prévio. O casal estabelece regras (limites) sobre proteção, tipos de atos permitidos e se o marido estará presente ou não.

"O sucesso dessa prática depende da segurança emocional do casal. Quando bem gerido, muitos praticantes relatam um aumento na libido entre o casal e um fortalecimento da confiança", disse Cris.

Aspas

O marido pode assumir diferentes papéis. Alguns sentem prazer apenas em saber dos encontros, enquanto outros preferem assistir ou participar de forma limitada.

Cris Arcuri, sexóloga

Tabu e julgamento

Se por um lado tem gente que ame, por outro existe muito julgamento. A sexóloga esclarece que o tabu em torno do hotwifing é profundo porque a prática desafia diretamente as bases da estrutura social e familiar tradicional. Enquanto muitos comportamentos sexuais foram normalizados nas últimas décadas, o hotwifing mexe com pilares que a sociedade ainda tem dificuldade em flexibilizar.

"Historicamente, o casamento foi estruturado como um contrato de exclusividade onde o homem detinha a "posse" da sexualidade da mulher (garantindo, inclusive, a linhagem sanguínea dos herdeiros). No hotwifing, o marido não apenas "permite", mas incentiva que outro homem tenha acesso à sua parceira", ressaltou

Cris pontua que a sociedade tende a ser mais tolerante com os homens que buscam variedade sexual, mas "mulheres que demonstram desejo por múltiplos parceiros são frequentemente rotuladas de forma pejorativa. No hotwifing, a mulher assume o papel de protagonista do seu próprio prazer fora do casamento, o que rompe com a imagem da 'esposa recatada'", disse.

"Para quem está de fora, é difícil processar a ideia de que o sexo com terceiros possa ocorrer com consentimento e entusiasmo do parceiro. O senso comum equipara "sexo fora do casamento" a "mentira" e "falta de amor". Como o hotwifing exige uma transparência radical, ele expõe a fragilidade da monogamia tradicional, o que pode gerar desconforto e reações defensivas em quem segue o modelo padrão", destacou.

Interesse pelo hotwifing

De acordo com Cris, o interesse pelo hotwifing raramente surge do "nada"; geralmente, é fruto de uma combinação de curiosidade sexual, segurança emocional e o desejo de revitalizar a conexão do casal.

"A prática pode está ligada a fetiche, fantasia, estilo de relacionamento ou as três coisas, dependendo de como o casal o vivencia. O hotwifing é um conceito fluido que transita entre o que acontece na mente (fantasia), o que gera prazer sexual (fetiche) e como o casal decide viver sua vida (estilo de relacionamento)", apontou.

Prática sem sofrimento

Segundo a sexóloga, é possível viver o hotwifing sem sofrimento emocional. Casais que encaram a prática de forma mais leve não costumam tratar a prática como um teste para o relacionamento, mas como uma extensão da sua cumplicidade.

Prática não pode ser feita sem acordo prévio
Prática não pode ser feita sem acordo prévio | Foto: Ilustratativa/Reprodução/Freepik

"O sofrimento geralmente surge quando há insegurança oculta ou quando a prática é usada para tentar "salvar" um casamento em crise. A maioria dos casais bem-sucedidos nessa prática afirma que sua conexão emocional é tão forte que o sexo externo se torna "apenas sexo", uma diversão recreativa que não ameaça a estrutura do lar", concluiu Cris.

exclamção leia também