
Fazer sexo de blusa, evitar tirar a roupa na praia ou usar calça até no calor já virou rotina para muita gente. Mas esses comportamentos, muitas vezes tratados como “normais”, podem ser sinais de sofrimento emocional. No Brasil, 65% das pessoas dizem não estar satisfeitas com o próprio corpo, e as mulheres são as mais afetadas pelos julgamentos, segundo pesquisa da Opinion Box feita com 2.147 brasileiros, em 2022.
O body shaming, que em tradução livre significa “vergonha do corpo”, é um tipo de agressão verbal que envolve criticar ou humilhar alguém com comentários depreciativos sobre a aparência física.
E essa prática segue crescendo: figuras públicas como Vinícius Júnior, Rico Melquíades, Kéfera e Thaís Carla foram alvos de ataques recentes por causa da aparência.
A influenciadora, que fez cirurgia bariátrica em abril, contou ao Gshow que a mudança não alterou sua vida sexual, mas abriu portas para novas experiências, e posições sexuais. “A minha vaidade sempre foi muito alta. Sempre me senti linda e gostosa”, disse.

Impactos psicológicos
Dados do Centro Médico Paulista (CMP), baseados na organização americana CDC (centers for disease control and prevention), mostram que o body shaming pode causar:
➡️ Depressão;
➡️ Ansiedade;
➡️ Baixa autoestima;
➡️ Isolamento social;
➡️ Compulsão alimentar;
➡️ Anorexia;
➡️ Bulimia;
A exposição constante ao preconceito sobre o corpo também provoca picos de cortisol, o hormônio do estresse, aumentando o risco de compulsão alimentar e afetando diretamente a vida sexual.
Padrão de beleza e ansiedade
Para a psicóloga especialista em ansiedade Milena Santos Araújo, a busca pelo “corpo perfeito” muitas vezes empurra pessoas para comportamentos perigosos:
“Geralmente, quem está fazendo esses desafios malucos sem supervisão em academias está desenvolvendo um transtorno de imagem ou alimentar”, alertou.
Na vida sexual, o impacto é direto: quem vive nessa guerra com o próprio corpo raramente consegue relaxar ou sentir prazer. Aparecem vergonha, medo de ser julgado e insegurança com cada detalhe físico
psicóloga especialista em ansiedade Milena Araújo
Segundo Milena, o desejo diminui porque a experiência passa a ser dominada pela autocobrança: “O sexo deixa de ser espontâneo e vira motivo de tensão, tanto para homens como mulheres”.

Como lidar
Para Adriana Drulla, mestre em psicologia positiva pela Universidade da Pensilvânia e participante da pesquisa do CMP, o apoio emocional é tão importante quanto o acompanhamento profissional.
“A automutilação e a depressão são intimamente ligadas ao body shaming, mas não são as únicas. Transtornos alimentares, ansiedade e baixa autoestima também entram nesse pacote”, explica.

Ela reforça o papel da família e da rede de apoio: “Não adianta dizer ‘você tem tudo, não reclame’. É preciso validar o sofrimento. Muitas vezes, os próprios pais precisam de ajuda psicológica. E quanto maior for o isolamento, maior será o sofrimento.”
Ainda segundo a especialista, adolescentes, especialmente meninas, são o grupo mais vulnerável, já que ainda estão construindo a identidade e absorvem pressões com mais intensidade.
* Sob supervisão da editora Amanda Souza.
