Com a aproximação do Carnaval, o folião raiz só consegue pensar se todas as demandas já estão prontas para ele possa curtir até a quarta-feira de cinzas. Abadá ✅️, fantasia ✅️, bloquinho ✅️... Mas e a proteção sexual? Também está na lista de prioridades?
O psicólogo e sexólogo Marcos Alves explica que, durante o Carnaval, as pessoas costumam viver em um mundo paralelo e se entregar mais ao prazer. "O Carnaval funciona como um mundo alternativo. Uma válvula de escape onde por um período a gente se livra de todas as amarras e acredita que tudo é possível e permitido. Como diria Caetano, é a época do ano em que é proibido proibir", disse.
As fantasias e o anonimato no meio da multidão ajudam a se libertar das responsabilidades e pressões.
Marcos Alves

Esse excesso de liberdade e confiança podem gerar frustações e problemas, por isso, é importante buscar o equilíbrio e lembrar de fazer boas escolhas, principalmente quando se fala da saúde sexual.
O Carnaval funciona como um mundo alternativo. Uma válvula de escape onde por um período a gente se livra de todas as amarras e acredita que tudo é possível e permitido
Marcos Alves é psicólogo e sexólogo
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"Uma decisão de momento pode trazer excelentes recordações ou um problema futuro. O mesmo desejo que faz o corpo ferver, faz a gente tomar atitudes impulsivas que trazem prejuízos. O cuidado com o álcool tem que ser redobrado. "Se for transar use camisinha. SEMPRE!", destacou o profissional.
O lembrete que Marcos deixou sobre o uso da camisinha não é em vão. Dados divulgados pela Agência Brasil em 2023 apontam que no ano de 2021, 53,3% dos infectados por HIV/aids tinham entre 25 a 29 anos, faixa etária que costuma se fazer muito presente na folia momesca. Além das infecções, uma transa sem proteção pode resultar em uma gravidez não planejada e indesejada.
Vale destacar que as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, gonorreia, clamídia, HIV, HPV, herpes genital, tricomoníase e hepatites virais B e C, são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos, transmitidas principalmente por relação sexual sem camisinha.
É importante falar que algumas ISTs são assintomáticas e por isso, uma testagem de vez em quando pode deixar a mente mais tranquila
Marcos Alves - psicólogo e sexólogo
Infecção sem penetração
Apesar da penetração ser a forma mais conhecida da transmissão das ISTs, o sexólogo esclarece que existe outra maneira. "Algumas pegam inclusive no beijo. Sem querer ser alarmista, mas tem algumas com esta possibilidade", disse.
Entre elas, ele citou herpes, sífilis HPV, citomegalovírus, que é uma espécie de vírus gripal, além da mononucleose infecciosa, conhecida como doença do beijo. "Há fatores de risco como feridas, lesões e aftas que aumentam o risco", explica Marcos.
Quais métodos de prevenção são os mais eficazes?
O sexólogo sinaliza que a camisinha feminina e a masculina continuam sendo eficazes na proteção de infecções, mas existem outros métodos.
"Têm os métodos combinados, que a depender de cada caso podem ser pensados. Vacinas, prevenção combinada que inclusive é oferecida pelo SUS para situações de pré e pós exposição ao risco, dentre muitos outros. É importante falar que algumas ISTs são assintomáticas e por isso, uma testagem de vez em quando pode deixar a mente mais tranquila".

Quando procurar o postinho?
Marcos alerta que se você se expôs a uma relação sexual sem proteção e acabou ficando com a "pulga atrás da orelha", é necessário procurar atendimento médico. "Se perceber alguma coisa de errada, uma atitude que gerou dúvidas, algum comportamento de risco, ou até mesmo pra saber que está tudo bem consigo mesmo".

Postos de testagem
Em Salvador, camisinhas são distribuídas durante o Carnaval e em alguns circuitos costumam ter postos de testagem rápida para ISTs. Mas para além disso, a população pode encontrar atendimento nas unidades de saúde da rede municipal e em centros de testagem e aconselhamentos, como Centro de Referência em DST/Aids (CREDST/CTA), localizado na Rua Comendador José Alves Ferreira, nº 240, Garcia.