
Parece que os brasileiros estão mais salientes na cama, é o que aponta a pesquisa nacional "DR do Bem", da sextech Dona Coelha. De acordo com o levantamento, a busca por quebrar a rotina impulsiona o interesse por produtos de bem-estar sexual, mas a falta de conhecimento ainda é uma barreira para a satisfação.
A pesquisa sobre o comportamento íntimo da galera brasileira destaca uma forte tendência de abertura à experimentação: mais de 75% dos entrevistados se consideram "inclinados" ou "muito inclinados" a explorar algo novo sexualmente.
O estudo do "DR do Bem", levantamento anual realizado pela Dona Coelha — e-commerce especialista em bem-estar sexual, entrevistou 1000 pessoas de todo o Brasil entre 18 e 25 de outubro de 2025. Os dados indicam uma mudança de comportamento em direção a uma busca mais ativa pelo prazer.
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A diretora de marketing da Dona Coelha, Renan de Paula, explicou o que essa procura quer dizer. "Esses dados são fortes indicativos de que o consumidor brasileiro amadureceu. Ele está ativamente buscando formas de quebrar a rotina na vida íntima. A pesquisa nos mostra que o desejo por experimentação não é mais um nicho, mas sim uma realidade consolidada no comportamento de consumo".
Já o psicólogo e sexólogo Marcos Alves ressaltou que esse alto índice de abertura para experimentação indica uma mudança cultural mas também uma maior liberdade para admitir os seus desejos. "Hoje, podemos explorar mais a nossa curiosidade até pra perceber o que é tesão real ou apenas um mero desejo de experimentar".

É importante afirmar que o natural é o que traz boas memorias afetivas e não o forçado para impressionar
Marcos Alves, psicólogo e sexólogo
Brinquedos em cena
A pesquisa detalha como a busca por "novidades" — um fator de grande importância para 55% dos entrevistados — se materializa na prática. Entre os produtos mais populares, 43% dos usuários preferem os vibradores de estímulo clitoriano, seguidos pelos sugadores, com 31% da preferência.
[...]experimentar vibradores, personagens na cama dentre outras práticas pode ser prazeroso. Mas se a relação se acostuma a viver apenas disso pode apontar para algo muito mais profundo.
Marcos Alves, psicólogo e sexólogo
Ou seja, a galera tem se sentindo mais à vontade para inserir os brinquedos nas práticas sexuais.

Esses brinquedos podem ser aliados para a intimidade, mas Marcos faz um alerta. "Podem ser ótimos auxiliares nas transas e trazer novidades para a relação. O que diferencia o lúdico do vício é a dosagem, experimentar vibradores, sugadores, locais diferentes, personagens na cama dentre outras práticas pode ser prazeroso. Mas se a relação se acostuma a viver apenas disso pode apontar para algo muito mais profundo. Um vazio existencial, uma muleta para apoiar uma relação que dá sinais de desgaste ou até mesmo o fim da relação entre outras."
Prazer ou obrigação
Nesse linha da busca inovadora pelo prazer, há de se preocupar em não transformar o tesão em uma obrigação, como afirma o sexólogo. "Para que este risco não ocorra, tem que existir o diálogo, a conexão, e em alguns casos a terapia para auxiliar neste processo. Em palestras, lives e encontros de casais costumo mostrar diversos conceitos que auxiliam na troca diária e facilitam a forma de buscar este aconchego e esta aproximação", esclareceu Marcos.
"É importante afirmar que o natural é o que traz boas memorias afetivas e não o forçado para impressionar", ressaltou.
Tabu
A pesquisa da Dona Coelha também pontua que apesar da vontade de conhecer o prazer de forma diferente ter aumentado, a timidez ainda faz parte do brasileiro neste sentido. "A vergonha e o medo de julgamento vêm logo em seguida como um fator decisivo para 15% dos respondentes", diz trecho do estudo.
O levantamento mostra que, enquanto 55% conversam sobre o tema com parceiros e 51% com amigos, o diálogo com a família é quase inexistente — sendo uma realidade para apenas 8%.
“O mercado de bem-estar só vai atingir seu pleno potencial quando a educação for tratada com a mesma importância que o produto”, cravou Natali Gutierrez, CEO da sextech.
