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NÃO MEXER - - Jaísa de Almeida

Plano funerário vale a pena? Veja o que considerar antes de contratar

Planejamento pode ajudar famílias a lidar com despesas e procedimentos após uma morte

Falar sobre a própria morte ainda é um assunto evitado por muita gente. Para os mais jovens, principalmente, a ideia pode parecer distante e pouco urgente diante das preocupações do dia a dia.

A questão muda quando uma perda acontece. Em meio ao luto, familiares precisam resolver documentação, velório, sepultamento, transporte do corpo e outras providências em um curto período.

Além do impacto emocional, essas etapas podem representar uma despesa inesperada. É nesse cenário que algumas famílias optam por contratar previamente serviços funerários, deixando determinadas condições definidas em contrato.

A proposta, porém, não é igual para todas as pessoas, afinal, a cobertura, a carência, a quantidade de dependentes, a área de atendimento e os serviços disponíveis variam conforme a empresa e o plano escolhido.

Planejamento antes da despedida

Foi pensando nos possíveis gastos futuros que o assistente de saneamento Jailton Nunes, de 50 anos, decidiu contratar um serviço do tipo. Morador do bairro de Itinga, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), ele mantém o contrato há cerca de dez anos.

“A gente não sabe do amanhã, e a morte sempre pega de surpresa. Às vezes, as pessoas que vão estar para me enterrar não vão ter o recurso. Pensando nisso, eu já programei o futuro e tenho uma coisa paga para, quando chegar o dia, não ter esse desgaste”, conta à reportagem do MASSA!.

Jailton assinou um plano funerário há 10 anos
Jailton assinou um plano funerário há 10 anos | Foto: Arquivo pessoal

Antes de tomar a decisão, Jailton afirma que fez as contas considerando tanto o valor pago para o plano que contratou quanto a possibilidade de continuar utilizando o serviço por muitos anos.

“Fiz um cálculo para que o plano trouxesse mais tranquilidade para aqueles que irão fazer o meu sepultamento. Eu vivendo mais uns 30 anos na terra, acredito que o valor que eu estou investindo vale a pena".

O bolso sente

Assim como o assistente de saneamento, a moradora do bairro de Pernambués, Larissa Santos, também aponta o peso financeiro que pode surgir depois de uma morte. Para ela, o problema ganha outra proporção quando a família precisa desembolsar o dinheiro durante o período de luto.

“O sepultamento envolve um custo muito alto e, quando acontece uma perda, a família já está emocionalmente abalada. Para além de lidar com a dor de perder uma pessoa querida, fica ainda mais difícil ter que se preocupar com o pagamento do sepultamento”, relata.

Larissa faz uso do plano funerário
Larissa faz uso do plano funerário | Foto: Arquivo pessoal

Nesse caso, o planejamento pode distribuir determinados gastos ao longo do tempo. Mas isso não significa que qualquer contrato seja adequado para diferentes perfis familiares.

Larissa defende ainda que as pessoas incluídas saibam como o serviço funciona. Guardar o documento sem comunicar os demais pode dificultar o acesso às informações quando elas forem necessárias.

“Todos os familiares que estão incluídos no plano sabem da existência dele e conhecer os procedimentos que precisam ser adotados caso seja necessário utilizá-lo".

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Além disso, é importante ficar atento às situações específicas previstas no contrato. Um serviço anunciado como cobertura para cremação, por exemplo, pode ter regras próprias sobre local, documentação e eventuais custos adicionais.

“Eu acredito que, antes de contratar um plano funerário, é fundamental conhecer muito bem o que está sendo oferecido. Para não ter surpresas, acho importante esclarecer as dúvidas e verificar se aquilo que está sendo oferecido realmente atende às necessidades da família.”, aponta Larissa.

Quanto custa e o que pode mudar?

Os valores variam conforme a modalidade escolhida. No plano consultado para esta reportagem, as mensalidades informadas vão de R$ 44,90 a R$ 139,90. A diferença entre as opções está relacionada ao que cada uma contempla.

Entre os itens informados estão:

➡️ Remoção nacional;

➡️ Assistência em municípios da Bahia;

➡️ Atendimento funerário;

➡️ Cemitério particular, conforme a cobertura;

➡️ Suporte 24 horas.

Os exemplos acima se referem apenas ao plano consultado pela reportagem e não podem ser considerados como regra para outras empresas.

Antes de assinar, confira

O valor da mensalidade pode chamar atenção na hora da contratação, mas não deve ser o único critério a ser levado em consideração. É preciso verificar o que está previsto no documento e quais são as limitações. Para isso, observe as seguintes dicas:

➡️ Primeiro passo: confira quais serviços estão incluídos. Veja se há previsão para sepultamento, cremação, remoção, velório e outros procedimentos que possam ser necessários;

➡️ Segundo passo: observe a área de atendimento e a carência. Uma cobertura pode ter restrições de localização ou exigir determinado período antes da utilização;

➡️ Terceiro passo: veja as regras para dependentes. Confira quem pode entrar no contrato, quantas pessoas podem ser incluídas e se existe alguma condição específica;

➡️ Quarto passo: leia as cláusulas sobre reajuste e cancelamento. Entenda quando o preço pode mudar e quais são as condições para encerrar o vínculo.

Longe do tabu

Mas entender as condições do contrato é apenas uma parte da discussão. Antes disso, existe outra questão: por que esse tipo de planejamento ainda parece tão distante para uma parcela da população, especialmente entre os mais jovens?

A ideia de morte costuma estar associada à velhice, o que pode afastar pessoas mais novas desse tipo de planejamento. O assunto também carrega tabus que dificultam conversas sobre o que fazer diante de uma perda.

“Muitos acham que falar sobre morte e funeral atrai ou que estão ‘se agourando’. O público mais jovem não costuma pensar na morte como realidade. E também há a falta de conhecimento sobre o quanto é essencial contar com a segurança deste serviço.”, conta Mariana Improta, supervisora de vendas de um plano funerário.

Mariana é supervisora de vendas do Plano Familiar Safe Salvador
Mariana é supervisora de vendas do Plano Familiar Safe Salvador | Foto: Arquivo pessoal

Segundo Mariana, a procura costuma mudar depois que alguém próximo falece. A partir daí, despesas, documentos e outras providências deixam de ser uma possibilidade distante.

“Só voltam a olhar para a importância de um plano quando são surpreendidos pelo óbito de algum familiar ou amigo. Muitos esquecem de pensar que seus pais e avós estão envelhecendo e que, em algum momento, irão precisar desse suporte que o plano pode dar nos momentos de perda".

Com a perda, as burocracias do enterro deixam de ser apenas uma possibilidade
Foi enterrada hoje pela manhã no cemitério Jardim da Saudade a colunista July Isensse que durante 60 anos exerceu a função de colunista social do Jornal A TARDE.

Na foto: Enterro de July

Foto: Olga Leiria / Ag. A Tarde

Data: 04/11/2022
Com a perda, as burocracias do enterro deixam de ser apenas uma possibilidade Foi enterrada hoje pela manhã no cemitério Jardim da Saudade a colunista July Isensse que durante 60 anos exerceu a função de colunista social do Jornal A TARDE. Na foto: Enterro de July Foto: Olga Leiria / Ag. A Tarde Data: 04/11/2022 | Foto: Ilustrativa/ Olga Leiria / Ag. A Tarde

A supervisora de vendas ainda alerta que falar sobre esse tipo de serviço não significa antecipar a morte, mas lidar previamente com uma situação que pode exigir decisões e gastos inesperados.

“Ninguém faz um plano funerário para morrer. Faz porque, quando alguma situação imprevista ocorrer, a família poderá contar com a segurança de um serviço de qualidade, humano e acolhedor para atravessar esse momento delicado”, acrescenta.

Se chegou até aqui, fica a dica: confira o valor da mensalidade, os serviços incluídos, a abrangência territorial, o período de carência e as regras para utilização. A comparação deve considerar o conjunto da oferta, e não apenas o preço.

Planejar esse tipo de despesa não muda a natureza da perda, mas pode evitar que a família precise começar a organizar tudo do zero justamente quando estiver enfrentando o luto. Antes de assinar, vale verificar se aquilo que está no papel corresponde ao que se pretende contratar. Afinal, um plano só cumpre sua função quando aqueles que precisarão dele conhecem as regras para utilizá-lo.

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