
A morte do cão comunitário Orelha, muito conhecido e cuidado por moradores da Praia Brava, em Santa Catarina (PR), gerou uma comoção nacional. No dia 4 de janeiro, o cachorro foi agredido por quatro adolescentes e levado a uma clínica veterinária, mas acabou eutanasiado no dia seguinte em razão da gravidade dos ferimentos.
O caso rapidamente ganhou repercussão, mobilizando defensores dos animais e abrindo espaço para uma série de investigações. O Portal MASSA! reuniu tudo o que se sabe até agora sobre o ocorrido. Confira:
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O que diz a Polícia
Os relatórios iniciais da Polícia Civil de Santa Catarina indicam que a violência contra Orelha foi muito além de maus-tratos. A conduta dos adolescentes pode incluir crime contra o patrimônio, crimes contra a honra e práticas de tortura.
Além disso, a investigação descobriu uma possível tentativa de afogamento de outro cachorro, o Caramelo, que conseguiu escapar. A Civil investiga também a suspeita de que familiares dos adolescentes teriam tentado coagir testemunhas para atrapalhar o caso.
No dia 26 de janeiro, uma operação cumpriu mandados de busca e apreensão nas casas dos envolvidos, recolhendo celulares e computadores para análise. Dois dos adolescentes estão em uma viagem pré-programada para os Estados Unidos e devem retornar nos próximos dias.
Juíza deixa o caso por conflito de interesses
Outro desdobramento foi o afastamento da juíza inicialmente responsável pelo processo. O motivo seria o fato de ela ser amiga da família de um dos envolvidos, o que gerou questionamentos sobre a imparcialidade.
A magistrada que assumiu o caso negou, em decisão recente, o acesso imediato ao conteúdo dos aparelhos apreendidos, justificando que os crimes investigados não teriam sido cometidos por telefone ou internet, segundo documento divulgado pelo Jornal Razão.

A decisão que negou a quebra de sigilo dos celulares dos suspeitos no caso do cão Orelha é, no mínimo, questionável. Ao afirmar que o crime não teria sido praticado por meio de telefone ou de comunicação digital, a juíza parte de uma premissa que não pode ser comprovada sem a… pic.twitter.com/AtqijFVMr8
— Pobre de Direita 🇧🇷 (@Pobre_d_Direita) January 27, 2026
O que diz a lei sobre menores envolvidos
Mesmo diante da gravidade do caso, os adolescentes não respondem como adultos. Por serem menores de 18 anos, qualquer ação criminosa é tratada como ato infracional. Eles ficam sujeitos a medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como internação provisória, liberdade assistida ou prestação de serviços.
No laudo veterinário divulgado, constou que o cachorro comunitário apresentou lesão grave na região da cabeça, além de apresentar sangramento nasal e bucal. O caso continua em investigação e ainda pode ter novos desdobramentos ao longo das próximas semanas.
