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retirada de placa - 29/05/2026, 13:33 - Laís Machado e Bruno Dias

Impasse por sinalização de táxi acende crise no aeroporto; entenda

Categoria acusa concessionária de tentar remover indicação de vagas menos de 24 horas após instalação e reclama de desrespeito e prejuízos ao trabalho

Taxistas alegam que placa não interfere no trânsito, e não deveria ser retirada
Taxistas alegam que placa não interfere no trânsito, e não deveria ser retirada |  Foto: Divulgação / AGT

Além dos problemas causados pela implantação do sistema Kiss and Fly, que realiza a cobrança pela permanência de veículos no meio-fio das áreas de embarque e desembarque no Aeroporto Internacional de Salvador, os taxistas agora enfrentam outro entrave: a manutenção de uma placa de sinalização de vagas destinadas à categoria.

Na última quinta-feira (28), menos de 24 horas após a colocação da placa indicativa de vagas na área de desembarque inferior, os motoristas foram surpreendidos com a notícia de que a sinalização seria retirada por ordem do CEO da VINCI Airports no Brasil, Júlio Ribas.

"Entendo isso como uma aberração, um desrespeito a uma categoria centenária, que sempre carregou essa cidade nas costas", protestou Denis Paim, presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT).

Ao MASSA!, o representante explicou que teve uma reunião com Júlio Ribas na própria quinta-feira (28) e que, segundo ele, o executivo determinou a retirada da estrutura.

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"A placa, que havia sido retirada no ano passado sem autorização da prefeitura, só voltou ao local após muita reivindicação. Porém, no dia 28, apenas um dia depois da reinstalação, ele novamente removeu a placa sem dar qualquer satisfação", iniciou Denis.

"A SEMOB esteve no local com um ofício para ser entregue e passou mais de três horas tentando ser atendida. Os taxistas estão revoltados com a postura da Vinci. Não vamos aceitar que a placa seja retirada novamente. Ela permanece instalada, mas sob ameaça constante de remoção a qualquer momento", completou o representante da categoria.

Ainda segundo o relato de Paim, a concessionária tem alegado que “quem manda ali não é a prefeitura”, e que qualquer ação deve ser comunicada à empresa previamente, sob o argumento de possuir uma parceria com a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

Aspas

Nós não temos nada a ver com essa parceria deles, nós não estamos entendendo isso. O que nós queremos é trabalhar em paz

Presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT) Denis Paim

Denis afirma ainda que a pressão nas últimas decisões seria uma estratégia para forçar a categoria a ceder a exigências financeiras: “Isso tudo é uma forma de pressionar os taxistas a pagarem R$ 100 mil de caução por ano e mais R$ 30 mil por mês para aderir. Essa pressão toda é por isso. Mas nós não vamos recuar.”

Impacto financeiro e rotina exaustiva

A reportagem do MASSA! esteve no aeroporto nesta sexta-feira (29), e ouviu taxistas que defendem firmemente a permanência da placa. Segundo eles, o impacto no bolso e as longas horas de espera são as principais queixas.

“Estamos sendo muito prejudicados com a retirada da placa da fila dos quatro, porque nossa fila fica toda escondida. A gente deixa o passageiro, mas ele não vê os carros e acaba voltando para pegar um táxi especial ou decide chamar um aplicativo. Isso tem trazido um prejuízo enorme para nós", relatou Crispim Lopes, que atua no ponto do aeroporto há três anos.

Ele conta que os profissionais chegam a esperar entre cinco e seis horas para conseguir realizar uma corrida. “Hoje mesmo cheguei às 4h da manhã e ainda não consegui sair. Se antes fazíamos três ou quatro corridas por dia, agora fazemos apenas uma. Chega a levar 10 horas para conseguir uma corrida”, afirmou.

Para Valter Soares Barbosa, que trabalha como auxiliar de táxi, a instabilidade traz um impacto ainda mais negativo para a sua rotina.

“Para o permissionário já está ruim, imagine para o auxiliar, que ainda paga uma diária de carro. Fica muito difícil. Se aquela placa sair dali, é prejudicial demais para a gente aqui no aeroporto. Eu chego, marco o meu carro, saio tarde e nem faço questão de retornar. Não volto mais porque não há condições de trabalhar aqui desse jeito", declarou.

*Sob a supervisão da editora Amanda Souza

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