
Doar transforma vidas, e não apenas de quem recebe. Estudos científicos apontam que a prática da solidariedade gera benefícios diretos à saúde emocional de quem ajuda, contribuindo para a redução do estresse, da ansiedade e até de sintomas depressivos. Em Salvador, voluntários e doadores das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) vivenciam diariamente esse impacto positivo. Entre doações de tempo, recursos ou apoio institucional, o gesto solidário tem se mostrado um caminho para o equilíbrio emocional.
Pesquisas em neurociência indicam que atos de generosidade ativam o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a liberação de substâncias como dopamina, serotonina e ocitocina, neurotransmissores ligados ao prazer e ao fortalecimento dos vínculos sociais. Um estudo da Harvard Business School revelou que pessoas que gastam dinheiro com os outros são, em média, 20% mais felizes do que aquelas que investem apenas em si mesmas.
Já um levantamento publicado no Journal of Happiness Studies aponta que indivíduos que praticam ações solidárias regularmente apresentam até 43% menos sintomas depressivos.
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É o que confirma a experiência da voluntária Cláudia Canguçu. Há pouco mais de um ano atuando no Centro Geriátrico da OSID, ela encontrou no voluntariado uma forma de enfrentar um período delicado da vida, marcado pelo adoecimento e pela perda da mãe, diagnosticada com Alzheimer. “A gente doa tempo, atenção, carinho e escuta. Mas recebe muito mais em troca: afeto, aprendizado e propósito. Posso dizer que ser voluntária aqui também me salvou emocionalmente”, afirma.
História parecida é a da aposentada Ieda Vieira. Natural de Franca (SP), ela participa de ações solidárias desde a infância. Na vida adulta, integrou por 13 anos o programa Família Acolhedora, ajudando crianças em situação de vulnerabilidade e encontrando ali uma forma de superar a chamada síndrome do ninho vazio. Hoje, como sócio-protetora da OSID, mantém o compromisso com a solidariedade. “Doar faz um bem enorme para a alma”, resume.
Para a psicóloga Táffate Coura, que atua na instituição, o ato de doar fortalece sentimentos essenciais para a saúde mental. “A solidariedade promove pertencimento, gratidão, empatia e propósito de vida. Muitas vezes, ajudar o outro é também uma forma poderosa de ajudar a si mesmo”, explica. Segundo ela, quando o doador conhece de perto a realidade de quem recebe, o impacto emocional é ainda mais profundo, ampliando a consciência social e a conexão humana.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 7,2 milhões de brasileiros realizam trabalho voluntário no país, número que vem crescendo nos últimos anos. Já a Pesquisa Doação Brasil, do Instituto para o Desenvolvimento Social (IDIS), revela que, em 2024, 78% dos brasileiros om mais de 18 anos e renda familiar acima de um salário mínimo realizaram algum tipo de doação.
Fundadas por Santa Dulce dos Pobres, as Obras Sociais Irmã Dulce acolhem mais de 3 milhões de pessoas por ano na Bahia e mantêm um dos maiores complexos de saúde com atendimento 100% gratuito do Brasil, realizando mais de 4 milhões de procedimentos ambulatoriais anualmente. Para continuar esse trabalho, a instituição conta com o apoio da sociedade. Doações podem ser feitas pelo site doe.irmadulce.org.br ou pelo telefone (71) 3316-8899, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h30.
