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Se cuide! - 25/02/2026, 08:00 - Laís Machado*

Mpox, sarampo ou catapora? Saiba como diferenciar as doenças

Bahia já confirmou dois casos de mpox em 2026; infectologista explica sinais, onde buscar ajuda e como se proteger

Entendimento da Mpox ainda é um dilema
Entendimento da Mpox ainda é um dilema |  Foto: Débora F. Barreto-Vieira/IOC/Fiocruz

A fantasia eterna chegou ao fim, e muito além das clássicas viroses de Carnaval, outra doença surgiu pra assustar quem aproveitou o feriado: a MPOX,abreviação de monkeypox , uma doença zoonótica viral causada pelo vírus da varíola dos macacos.

No entanto, é importante lembrar que a mpox não se origina apenas em macacos, e eles, inclusive, não oferecem risco direto aos humanos. O verdadeiro problema é que os sintomas iniciais podem parecer sarampo ou até mesmo catapora, o que deixa muita gente confusa na hora de procurar ajuda.

Para esclarecer essas diferenças e orientar sobre como agir diante de uma suspeita, o MASSA! conversou com o Dr. Robson Reis, médico infectologista e professor da Escola Bahiana de Medicina.

Mpox, sarampo e catapora: como diferenciar?

Segundo o infectologista, as três doenças — mpox, catapora e sarampo — realmente conseguem confundir até profissionais de saúde, porque todas são virais e têm manifestações na pele. Mas, apesar da semelhança, cada uma apresenta sinais que ajudam a diferenciar.

No caso da mpox, o médico explica que as lesões costumam ser maiores e dolorosas, evoluindo de forma gradual: começam como manchas, depois viram vesículas com líquido claro, passam para um conteúdo mais amarelado e, por fim, formam crostas.

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“As lesões vão evoluindo aos poucos e são, muitas vezes, dolorosas. O paciente também apresenta adenomegalia, o aumento dos gânglios — o famoso ‘íngua’.”

Foto Ilustrativa, Mpox sintomas iniciais
Foto Ilustrativa, Mpox sintomas iniciais | Foto: Marina Demidiuk/ Getty Images

Sobre a catapora, ele destaca que o quadro também envolve lesões na pele, mas com um comportamento diferente da mpox. Elas começam pela cabeça e tronco e se espalham rápido pelo corpo inteiro, e o principal sintoma é a coceira.

“As lesões da varicela (catapora) são pruriginosas, elas coçam muito, e o paciente costuma ter vários tipos de lesão ao mesmo tempo, o que chamamos de polimorfismo. No mesmo corpo, você vê vesículas, pústulas e crostas.”

Já o sarampo segue outro padrão: não apresenta bolhas nem vesículas, e sim manchas pelo corpo acompanhadas de sintomas respiratórios.

“O paciente com sarampo não tem bolhas. Ele apresenta manchas chamadas de exantema, e antes das lesões aparecerem é comum ter coriza, tosse seca e olho avermelhado. No céu da boca, podemos encontrar as manchas de Koplik", explica.

Manchas de Koplik, manisfestação do Sarampo na cavidade oral
Manchas de Koplik, manisfestação do Sarampo na cavidade oral | Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

Está com suspeita? Veja o que fazer

Quando o assunto é tempo de incubação, período entre pegar o vírus (ou outro agente) e começar a sentir os primeiros sintomas, o médico lembra que há variação, mas todas seguem um padrão semelhante por também serem doenças virais.

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Na mpox, o período de incubação vai de 3 a 21 dias, com média de 5 a 14. No sarampo, de 7 a 21 dias. Já a catapora começa mais tarde, entre 10 e 21 dias, com média de 7 a 14.

Robson Reis
Dr. Robson Reis, médico infectologista
Dr. Robson Reis, médico infectologista | Foto: Arquivo Pessoal

Sobre transmissão, ele reforça que todas podem ser passadas pelo ar ou contato, mas com diferenças na frequência.

“Sarampo e catapora são mais comumente transmitidos pela via respiratória, falar, tossir e espirrar. A mpox pode ser transmitida pelo ar, mas o mais comum é o contato direto com as lesões e secreções.”

Para quem suspeita de qualquer uma das doenças, a orientação é procurar uma unidade de saúde o quanto antes para receber as primeiras orientações, identificar contatos próximos e checar a situação vacinal — principalmente contra sarampo e catapora.

“O ideal é procurar atendimento para manejo terapêutico e epidemiológico. No sarampo e varicela precisamos verificar se os contactantes têm a vacina. Também orientamos sobre o período de isolamento para evitar transmissão.”

Grupos de risco e tratamento

As pessoas com maior risco de complicações são as que já têm outros problemas de saúde, além de gestantes, idosos e crianças pequenas.

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Pacientes com comorbidades, gestantes, extremos de idade — os muito idosos e as crianças — têm maior risco de complicações.

Robson Reis

Quando o assunto é tratamento, Reis explica que a catapora conta com antiviral específico, enquanto sarampo e mpox não têm medicamento direto para o vírus. Mesmo assim, tudo necessário para aliviar os sintomas está disponível pelo SUS.

“A varicela tem antiviral. O SUS oferece anti-histamínicos para coceira, medicação para dor e febre. No sarampo, não existe tratamento específico, mas orientamos hidratação, repouso e sintomáticos. Na mpox também não há antiviral específico, mas o SUS dispõe de analgésicos e outros medicamentos, inclusive antibióticos quando há infecção secundária", esclarece.

Quando procurar um médico?

E a recomendação final é clara: suspeitou, procure atendimento imediatamente para evitar complicações e reduzir o risco de transmissão.

“É importante ir logo ao serviço de saúde para diagnóstico, manejo e orientações de isolamento. No sarampo, por exemplo, não há remédio específico, mas precisamos orientar sinais de alarme e o tempo de isolamento. Na catapora, avaliamos se é caso de antiviral. Já na mpox, orientamos cuidados com as lesões e medidas para evitar contágio", finaliza o infectologista.

Sob a supervisão da editora Amanda Souza*

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