
A fantasia eterna chegou ao fim, e muito além das clássicas viroses de Carnaval, outra doença surgiu pra assustar quem aproveitou o feriado: a MPOX,abreviação de monkeypox , uma doença zoonótica viral causada pelo vírus da varíola dos macacos.
No entanto, é importante lembrar que a mpox não se origina apenas em macacos, e eles, inclusive, não oferecem risco direto aos humanos. O verdadeiro problema é que os sintomas iniciais podem parecer sarampo ou até mesmo catapora, o que deixa muita gente confusa na hora de procurar ajuda.
Para esclarecer essas diferenças e orientar sobre como agir diante de uma suspeita, o MASSA! conversou com o Dr. Robson Reis, médico infectologista e professor da Escola Bahiana de Medicina.
Mpox, sarampo e catapora: como diferenciar?
Segundo o infectologista, as três doenças — mpox, catapora e sarampo — realmente conseguem confundir até profissionais de saúde, porque todas são virais e têm manifestações na pele. Mas, apesar da semelhança, cada uma apresenta sinais que ajudam a diferenciar.
No caso da mpox, o médico explica que as lesões costumam ser maiores e dolorosas, evoluindo de forma gradual: começam como manchas, depois viram vesículas com líquido claro, passam para um conteúdo mais amarelado e, por fim, formam crostas.
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“As lesões vão evoluindo aos poucos e são, muitas vezes, dolorosas. O paciente também apresenta adenomegalia, o aumento dos gânglios — o famoso ‘íngua’.”

Sobre a catapora, ele destaca que o quadro também envolve lesões na pele, mas com um comportamento diferente da mpox. Elas começam pela cabeça e tronco e se espalham rápido pelo corpo inteiro, e o principal sintoma é a coceira.
“As lesões da varicela (catapora) são pruriginosas, elas coçam muito, e o paciente costuma ter vários tipos de lesão ao mesmo tempo, o que chamamos de polimorfismo. No mesmo corpo, você vê vesículas, pústulas e crostas.”
Já o sarampo segue outro padrão: não apresenta bolhas nem vesículas, e sim manchas pelo corpo acompanhadas de sintomas respiratórios.
“O paciente com sarampo não tem bolhas. Ele apresenta manchas chamadas de exantema, e antes das lesões aparecerem é comum ter coriza, tosse seca e olho avermelhado. No céu da boca, podemos encontrar as manchas de Koplik", explica.

Está com suspeita? Veja o que fazer
Quando o assunto é tempo de incubação, período entre pegar o vírus (ou outro agente) e começar a sentir os primeiros sintomas, o médico lembra que há variação, mas todas seguem um padrão semelhante por também serem doenças virais.
Na mpox, o período de incubação vai de 3 a 21 dias, com média de 5 a 14. No sarampo, de 7 a 21 dias. Já a catapora começa mais tarde, entre 10 e 21 dias, com média de 7 a 14.
Robson Reis

Sobre transmissão, ele reforça que todas podem ser passadas pelo ar ou contato, mas com diferenças na frequência.
“Sarampo e catapora são mais comumente transmitidos pela via respiratória, falar, tossir e espirrar. A mpox pode ser transmitida pelo ar, mas o mais comum é o contato direto com as lesões e secreções.”
Para quem suspeita de qualquer uma das doenças, a orientação é procurar uma unidade de saúde o quanto antes para receber as primeiras orientações, identificar contatos próximos e checar a situação vacinal — principalmente contra sarampo e catapora.
“O ideal é procurar atendimento para manejo terapêutico e epidemiológico. No sarampo e varicela precisamos verificar se os contactantes têm a vacina. Também orientamos sobre o período de isolamento para evitar transmissão.”
Grupos de risco e tratamento
As pessoas com maior risco de complicações são as que já têm outros problemas de saúde, além de gestantes, idosos e crianças pequenas.
Pacientes com comorbidades, gestantes, extremos de idade — os muito idosos e as crianças — têm maior risco de complicações.
Robson Reis
Quando o assunto é tratamento, Reis explica que a catapora conta com antiviral específico, enquanto sarampo e mpox não têm medicamento direto para o vírus. Mesmo assim, tudo necessário para aliviar os sintomas está disponível pelo SUS.
“A varicela tem antiviral. O SUS oferece anti-histamínicos para coceira, medicação para dor e febre. No sarampo, não existe tratamento específico, mas orientamos hidratação, repouso e sintomáticos. Na mpox também não há antiviral específico, mas o SUS dispõe de analgésicos e outros medicamentos, inclusive antibióticos quando há infecção secundária", esclarece.
Quando procurar um médico?
E a recomendação final é clara: suspeitou, procure atendimento imediatamente para evitar complicações e reduzir o risco de transmissão.
“É importante ir logo ao serviço de saúde para diagnóstico, manejo e orientações de isolamento. No sarampo, por exemplo, não há remédio específico, mas precisamos orientar sinais de alarme e o tempo de isolamento. Na catapora, avaliamos se é caso de antiviral. Já na mpox, orientamos cuidados com as lesões e medidas para evitar contágio", finaliza o infectologista.
Sob a supervisão da editora Amanda Souza*
