
Recentemente, a Bahia registrou dois casos de Mpox. Um foi confirmado em Vitória da Conquista e outro em Salvador. As confirmações trouxeram o assunto de volta ao centro das atenções, e saber reconhecer os sintomas da doença é essencial para um cuidado precoce.
Embora a infecção costume apresentar sintomas sistêmicos, como febre e mal-estar, são as manifestações cutâneas que mais despertam dúvidas e exigem atenção. Segundo a dermatologista Priscila Fróes, que atua na Novaimuno, clínica que integra o Grupo CITA, em Salvador, reconhecer precocemente as características das lesões é fundamental para diagnóstico oportuno, isolamento adequado e redução da transmissão.
De acordo com a médica, as lesões de Mpox costumam evoluir em estágios bem definidos. “Elas geralmente começam como manchas avermelhadas, evoluem para pápulas (elevações sólidas), depois para vesículas com líquido claro, tornam-se pústulas (com conteúdo purulento) e, por fim, formam crostas”, explicou.

Um dos aspectos que ajuda a identificar é o fato de que, diferente de outras infecções, as lesões tendem a estar na mesma fase evolutiva em determinada área do corpo. Além disso, podem ser dolorosas, especialmente nas fases iniciais.
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Atenção
As regiões mais acometidas incluem face, genitais, região perianal e extremidades. Em alguns casos, podem haver lesões na mucosa oral, o que causa dor ao engolir. Outro sinal de alerta é a associação com sintomas gerais, como febre, dor de cabeça, aumento dos linfonodos (ínguas) e cansaço, que costumam preceder ou acompanhar o surgimento das lesões.
Como diferenciar a Mpox de outras doenças?
A semelhança dos sintomas na pele podem gerar confusão. Herpes simples, varicela, molusco contagioso e até reações alérgicas estão entre os diagnósticos diferenciais mais comuns. “A herpes, por exemplo, costuma formar pequenas vesículas agrupadas sobre base avermelhada e é recorrente na mesma região. Já a varicela apresenta lesões em diferentes estágios ao mesmo tempo, espalhadas principalmente pelo tronco”, destaca a médica.
No caso do molusco contagioso, as lesões geralmente são pequenas pápulas com umbilicação central e não costumam ser dolorosas. Reações alérgicas, por sua vez, tendem a provocar coceira intensa e não seguem a progressão típica vista na Mpox.
A especialista destaca que o contexto clínico também é determinante. Histórico de contato próximo com caso confirmado, múltiplos parceiros sexuais ou participação em ambientes com aglomeração recente podem aumentar a suspeita.
Quando devo procurar ajuda médica?
Priscila aponta que qualquer lesão desconhecida, associada a febre ou mal-estar deve ser uma motivação para que a pessoa procure avaliação médica. A dermatologista orienta que é melhor evitar contato físico próximo com outras pessoas até o diagnóstico. “Não é indicado manipular as lesões ou tentar tratá-las por conta própria. O diagnóstico correto depende de avaliação clínica e, quando necessário, de exames laboratoriais específicos”.
De acordo com a especialista, "a busca por atendimento especializado é especialmente importante nos seguintes casos: dor intensa nas lesões; feridas em região genital, anal ou ocular; sintomas sistêmicos persistentes; pessoas imunossuprimidas, gestantes ou crianças”, orienta a dermatologista.
Informação correta
Para Priscila Fróes, informação de qualidade é uma das principais ferramentas no enfrentamento da doença. “Reconhecer sinais suspeitos e procurar atendimento precoce protege não apenas o paciente, mas também a comunidade”, esclareceu.
