
A Marquês de Sapucaí, no Carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro, virou o Bembé do Mercado no início da madrugada desta terça-feira (17). A celebração que acontece em Santo Amaro, no Recôncavo baiano, foi o enredo da Beija-Flor de Nilópolis. O desfile contou com a presença de 40 representantes dos terreiros santoamarenses.
A passagem da Deusa da Passarela teve referências aos santoamarenses Caetano Veloso, Maria Bethânia, Dona Canô, entre outras figuras importantes para o Bembé. O desfile foi assinado por João Vitor Araújo, carnavalesco responsável pelo desfile sobre Laíla que levou a azul e branco de Nilópolis ao título no Carnaval de 2025.
Neguinho de fora
Essa foi a primeira vez, desde 1976, que a Beija-Flor passou pela Sapucaí sem o comando de Neguinho da Beija-Flor nos vocais da agremiação. Os intérpretes Jéssica Martin e Nino do Milênio assumiram o posto no lugar da lenda do Carnaval.
Candomblé na cena
46 representantes de terreiro de candomblé, que compunham o Bembé do Mercado, estavam em cima de um dos carros alegóricos, que levava referência a João de Obá, idealizador do culto. O professor e advogado baiano, Marinho Soares, de mais de 400 mil seguidores, e o deputado federal Valmir Assunção (PT) também estavam no local.
Além da atual campeão, a Unidos da Viradouro, com homenagem ao mestre de bateria Ciça, Unidos da Tijuca, contando a história de Maria Carolina de Jesus, e a Mocidade Independente de Padre Miguel, enaltecendo a história de Rita Lee, também desfilar na Sapucaí, neste segundo dia de desfile.
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Bembé do Mercado
Considerado o maior candomblé de rua do mundo, o Bembé é uma festa religiosa que acontece todo 13 de maio no Mercado Municipal de Santo Amaro. Os religiosos celebram, desde 1889, o fim da escravidão, fazendo rituais para as orixás Iemanjá e Oxum.
A celebração foi iniciada pelo pai de santo João de Obá e os seus filhos. Durante a década de 1950, o ritual chegou a ser proibido e precisou se refugir em terreiros da cidade.
Artistas baianos, como Caetano Veloso e Maria Bethânia, comparecem com frequência à festa, que já foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
