
Com um copo de cerveja em uma mão e um saco de linhagem na outra, dona Tereza Batista equilibra trabalho e diversão ao som do pagodão no palco de Plataforma, que integra o projeto de Carnaval nos Bairros. Catadora de materiais recicláveis ao longo do ano, ela faz da festa momesca sua principal fonte de renda extra. Entre um passo de dança e outro, recolhe latinhas espalhadas pelo chão e garante o sustento da família.
“Eu trabalho, mas também tenho o direito de curtir. A gente faz um pouco dos dois. Já luto o ano inteiro catando latinhas e outros materiais debaixo do sol, muitas vezes sem dignidade e sofrendo o preconceito de quem olha”, desabafa Tereza. Para ela e centenas de outros trabalhadores informais, o Carnaval representa não apenas festa, mas oportunidade. Em poucos dias, é possível arrecadar o equivalente a semanas de coleta em períodos comuns.
Toneladas recolhidas
Durante a folia soteropolitana, a coleta seletiva se intensifica e torna-se a base financeira para muitas famílias. Segundo do Governo do Estado, em 2025, o Carnaval de Salvador entrou para história como a maior festa sustentável do Brasil, com mais de 177 toneladas de recicláveis retirados das ruas. Apenas nos primeiros dias de folia, são recolhidas centenas de milhares de latinhas de alumínio, material que possui alto valor de revenda e rápida reciclagem.
Pontos de acolhimento
No Campo Grande, os Centros de Apoio aos Catadores e Catadoras funcionam como pontos de acolhimento, pesagem e comercialização dos materiais. A estrutura é resultado da atuação conjunta da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Além de garantir melhores condições de trabalho, esses centros fortalecem a organização da categoria e contribuem para que a festa também seja marcada pela sustentabilidade e inclusão social.
* Sob a supervisão da editora Amanda Souza
