
Mais vulneráveis e expostos a mais riscos. Essa é a realidade que afeta a qualidade e o tempo de vida de todos os idosos fumantes que, por meio do tabagismo, comprometem o que têm de mais valioso: a saúde. Nesta sexta, 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo, o MASSA!, com a finalidade de alertar a população acerca desse tema, traz explicações que abrangem a gravidade, os danos e o tratamento do tabagismo.
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Segundo o Ministério da Saúde, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema) e tem relação direta com diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado).
Em entrevista ao MASSA!, a fisioterapeuta Carolina Nanque, especialista em gerontologia pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), explicou sobre as consequências do cigarro em idosos.
“O tabagismo é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, que são as doenças mais prevalentes na pessoa idosa. Dentre elas, a pulmonar obstrutiva crônica é a principal doença causada diretamente por exposição de longa data ao fumo. Então, o tabagismo é um fator de risco que aumenta muito a atividade inflamatória. Ele, por acarretar esse aumento de atividade inflamatória, faz com que se tenha sintomas exuberantes do ponto de vista respiratório, como cansaço extremo, dificuldade em realizar atividades cotidianas. Isso acaba impactando diretamente a qualidade de vida dessas pessoas idosas”, pontuou.

Dados do Governo Federal indicam, também, que 25% das doenças coronariana (angina e infarto) e 25% de doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral) estão associadas ao tabagismo, já que ele pode comprometer o funcionamento de vários órgãos.
“Quando a gente pensa em órgãos mais afetados pelo tabagismo, indiscutivelmente seria o sistema respiratório, sobretudo, o pulmão. Mas, não é só o pulmão que é atingido. Vai ter aumento da atividade inflamatória em todo o corpo. O paciente vai começar com sintomas respiratórios, mas, também vai começar a ter fadiga e fraqueza muscular. Essa fraqueza não vai ser só da musculatura da ventilação, da respiração. Vai começar a ter perda de força muscular nos membros inferiores, nas pernas”, alertou a fisioterapeuta.
Tratamento precisa ser multidisciplinar
Sobre as formas de tratar as doenças causadas por essa condição, a fisioterapeuta pontuou que não se trata de medidas individuais, e sim, conjunta.
“O tratamento, a cessação do tabagismo e dos sintomas que envolvem as doenças respiratórias decorrentes dele, é sempre multidisciplinar e multiprofissional. Então, precisa do acompanhamento da psicologia para o manejo das questões emocionais que estão por trás motivando a questão da exposição ao fumo. Precisa de suporte nutricional, da terapia ocupacional para adequação de rotina, da fonoaudiologia para avaliar a capacidade que esse paciente tem de coordenar a deglutição. A forma como ele [paciente] se alimenta precisa ser avaliada pela fonoaudióloga para saber se esse paciente tem a deglutição coordenada com a respiração. Lembrando, também, que o pneumologista e o geriatra podem fazer prescrição de medicações que o paciente vai usar a longo prazo”, disse.