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Saúde -

Novas esperanças para velhas doenças: estudos trazem inovações médicas em 2026

Pesquisas e novos tratamentos para doenças complexas trazem esperança para a população

Novos remédios e tratamentos trazem esperança no tratamento de doenças
Novos remédios e tratamentos trazem esperança no tratamento de doenças |  Foto: Divulgação/Ilustrativa

O avanço constante de pesquisas e estudos na área da saúde contribuíram para o desenvolvimento de novos tratamentos de doenças consideradas complexas e, muitas vezes, incuráveis. Há apenas dois meses, em agosto de 2026, inovações na medicina trouxeram esperança para pacientes e muitas famílias ao redor de todo mundo, inclusive na Bahia.

No período de 30 dias, resultados positivos de tratamentos e medicações diversas foram apresentados ao mundo. Alguns dos destaques foram o novo remédio voltado ao câncer de pâncreas, a vacina personalizada de mRNA contra melanoma e a ampliação da indicação de um medicamento contra diabetes para proteção cardiovascular.

Enquanto alguns remédios e tratamentos ainda estão em fase de testes, outros já avançaram para a etapa experimental e também de comercialização. Especialistas baianos detalharam ao MASSA! o que esses avanços significam na prática e trouxeram uma perspectiva real sobre o assunto.

Novidades na oncologia

De acordo com o médico Bruno Protásio, graduado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e com residências e especializações pela Universidade de São Paulo (USP), dois grandes marcos se destacaram no período: os avanços na vacina personalizada de mRNA contra o melanoma e o uso da droga daraxonrasibe para o câncer de pâncreas.

Bruno Protásio, oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas Bahia e do Instituto Baiano do Câncer (IBC) do Hospital Santa Izabel
Bruno Protásio, oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas Bahia e do Instituto Baiano do Câncer (IBC) do Hospital Santa Izabel | Foto: Divulgação

No caso do melanoma, uma vacina desenvolvida a partir das características moleculares de cada paciente, apresentou resultados preliminares positivos em estudos de fase III. 1.137 pacientes participaram da pesquisa.

“O grupo que recebeu a vacina apresentou uma redução significativa do risco de recorrência da doença em comparação com a imunoterapia isolada. É um resultado importante porque representa a primeira demonstração, em um estudo de fase III, de benefício de uma vacina personalizada de mRNA contra o câncer”, destacou o especialista.

Pesquisas sobre vacina contra melanoma avançam
Pesquisas sobre vacina contra melanoma avançam | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O médico, que atualmente atua como oncologista clínico do Grupo Oncoclínicas Bahia e do Instituto Baiano do Câncer (IBC) do Hospital Santa Izabel, apontou que em relação ao câncer de pâncreas, a droga daraxonrasibe, que bloqueia a via da proteína RAS, foi aprovada pela Administração de Alimentos e Medicamento (FDA) dos Estados Unidos da América (EUA).

“O daraxonrasibe já foi publicado em uma revista científica e já recebeu aprovação regulatória pelo FDA nos Estados Unidos para uma população específica de pacientes com câncer de pâncreas metastático. Ele já está, portanto, incorporado a prática clínica nos EUA. No Brasil, entretanto, ainda não está aprovado pela ANVISA”, pontuou.

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Enquanto a terapia para o pâncreas avança comercialmente lá fora, a vacina de mRNA ainda lida com desafios logísticos e a necessidade de acompanhamento mais longo. Segundo Bruno Protásio, o resultado, apesar de promissor, ainda é muito inicial. Outro ponto a ser considerado é que a vacina é produzida de acordo com as características do tumor de cada paciente, o que requer muito preparo para reproduzir em larga escala.

Apesar dos avanços dos testes e pesquisas, é preciso ter cautela
Apesar dos avanços dos testes e pesquisas, é preciso ter cautela | Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Na visão do profissional, a grande diferença está na personalização dos cuidados: “A principal mudança é que, cada vez mais, estamos deixando progressivamente de tratar todos os tumores de uma determinada região do corpo da mesma maneira. Estas estratégias mais modernas, de uma maneira geral, procuram identificar características específicas do tumor e utilizá-las como alvo de forma a aumentar a eficácia e minimizar os efeitos colaterais”, explicou Bruno Protásio.

Contudo, o médico ressalta que tratamentos mais tradicionais, como a quimioterapia, não deixarão de existir. A partir de agora, a tendência é de integrar as abordagens antigas com as novas.

“No melanoma, por exemplo, a vacina personalizada está sendo utilizada junto com uma imunoterapia, buscando fazer com que o sistema imunológico tenha um alvo mais preciso contra as células tumorais. No câncer de pâncreas, por outro lado, o avanço atual está mais relacionado à identificação e ao bloqueio de alterações moleculares do tumor, como as alterações na via do RAS. Isso não significa que a quimioterapia esteja ficando ultrapassada por completo. Na verdade, o futuro provavelmente será de combinações e tratamentos individualizados, escolhidos de acordo com o tipo de tumor, suas características moleculares e o momento da doença”, explicou.

Avanços na hematologia

Outras áreas também foram contempladas. De acordo com a médica Lycia Bellintani, hematologista pela USP Ribeirão Preto, que atua no Grupo Oncoclínicas Bahia, a terapia gênica representa uma revolução por atuar diretamente na causa genética de condições como hemofilia e anemia falciforme, em vez de focar apenas no controle dos sintomas.

“Na hemofilia, por exemplo, existem terapias gênicas que levam ao organismo uma cópia funcional do gene responsável pela produção do fator de coagulação. Na anemia falciforme, existem tratamentos que modificam geneticamente as células do próprio paciente para aumentar a produção de uma hemoglobina que não sofre falcização, reduzindo assim os sinais, sintomas e complicações da doença”, explicou a especialista.

Dra Lycia Bellintani é  hematologista da equipe da Oncoclínica
Dra Lycia Bellintani é hematologista da equipe da Oncoclínica | Foto: Divulgação

Embora tragam uma nova perspectiva, essas inovações ainda não estão acessíveis em larga escala: “Algumas terapias já foram aprovadas por órgãos regulatórios e estão sendo utilizadas em pacientes selecionados, em situações muito específicas. São terapias altamente especializadas e realizadas em centros experientes. Sendo assim, não são tratamentos de rotina para todos os pacientes com hemofilia ou anemia falciforme”.

Para que o cenário mude e essas abordagens alcancem um número maior de pessoas, a medicina ainda precisa superar barreiras complexas de segurança, infraestrutura e sustentabilidade financeira.

“A segurança a longo prazo é um ponto importante. Quando modificamos geneticamente uma célula, precisamos acompanhar o paciente durante muitos anos para saber quanto tempo o benefício vai durar e quais serão os efeitos tardios, benéficos ou não. Outro desafio é que são tratamentos muito complexos, que exigem centros especializados, com estrutura bastante sofisticada e profissionais altamente treinados. Existe também a questão do custo, pois são tecnologias muito caras”, alegou a Dra. Lycia Bellintani.

Aspas

Hoje, o desafio não é apenas desenvolver essas terapias, mas fazer com que elas possam chegar aos pacientes que realmente precisam delas

A terapia gênica pode atuar em condições como anemia falciforme e hemofilia
A terapia gênica pode atuar em condições como anemia falciforme e hemofilia | Foto: Arquivo/Agência Brasil

Por fim, a médica ponderou sobre as expectativas em relação aos resultados obtidos até o momento: “Os resultados são realmente promissores. Mas ainda é cedo para falar em cura definitiva".

"Em muitos pacientes há redução e até ausência das manifestações das doenças durante o acompanhamento. Mas como são tratamentos relativamente novos, precisamos observar os pacientes por muitos anos, para saber quanto tempo os efeitos irão permanecer”, concluiu.

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