
O número de brasileiros adultos com hipertensão cresceu 31% entre 2006 e 2024, de acordo com a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Esse aumento acende um alerta para o estilo de vida de milhões de pessoas e para a necessidade de refinar os hábitos para viver mais e melhor.
A médica cardiologista Mariela Botelho (CRM 24137 e RQE 23992), do hospital Mater Dei Salvador, que ampliou o horizonte em torno do assunto e destaca que não é uma exclusividade do nosso povo.
"Esse aumento não é só da população brasileira, mas é uma tendência global e está relacionado com diversas mudanças, tanto no perfil epidemiológico e no estilo de vida da população", iniciou a especialista.
"Falando especificamente do Brasil, essa taxa crescente observada nesses últimos anos é um reflexo também do aumento da incidência da obesidade, dos hábitos dietéticos da população em geral, com o aumento da ingesta dos alimentos ultraprocessados, do sedentarismo, da falta de atividade física e também do aumento da expectativa de vida".
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Causas da hipertensão
A médica classificou a hipertensão como uma doença multifatorial. Desta forma, existem fatores ambientais — considerados modificáveis —, e os fatores não modificáveis. Os ambientais são aqueles que estão relacionados com o estilo de vida, ou seja:
➡️ Pacientes obesos e com sobrepeso;
➡️ Pessoas que consomem alimentos ultraprocessados em grande quantidade;
➡️ Pacientes que têm dieta com alto teor de sódio, baixo consumo de frutas, vegetais e fibras;
➡️ Pessoas sedentárias;
➡️ Pacientes que consomem uma quantidade excessiva de álcool;
➡️ Que têm distúrbio do sono;
➡️ Além dos pacientes que têm estresse psicossocial exacerbado.
Os fatores não modificáveis estão relacionados com a idade avançada, a predisposição genética e o histórico familiar.
Predisposição à hipertensão arterial
O histórico familiar contribui com cerca de 30% no surgimento da hipertensão arterial. Porém, os hábitos durante a vida podem fazer com que a doença surja.
"O restante está mais influenciado com os fatores ambientais e o estilo de vida daquela pessoa Então não é o fato de não ter histórico na família que livra aquela pessoa, aquele indivíduo, a desenvolver hipertensão", explicou Mariela.
Vale ressaltar os fatores que contribuem para o surgimento da hipertensão:
➡️ Excesso de sal e má alimentação;
➡️ Sedentarismo
➡️ Sobrepeso ou obesidade
➡️ Álcool e cigarro
➡️Estresse frequente
➡️ Fatores genéticos
➡️ Envelhecimento
➡️ Doenças como diabetes e problemas renais

Diretrizes apresentadas pelo Ministério da Saúde
A classificação da hipertensão arterial evoluiu ao longo do tempo e varia entre as diferentes diretrizes nacionais e internacionais. A última pesquisa anual do Ministério da Saúde — Vigitel —, publicada ano passado, estabeleceu como normal a pressão 120 por 80, mas considera pressão arterial elevada para aqueles pacientes que tem pressão acima desse valor.
A notícia, na época, gerou um burburinho muito grande. Para ajudar a entender esse corte de 120 por 80 na pressão arterial, a reportagem do MASSA! pediu para que a Dra. Mariela Botelho destrinchasse a nova diretriz.
"Quando a gente chama atenção para a população de que uma pressão maior do que 12 por 8 estar elevada, é no sentido de tentar estabelecer e recomendar modificações dos estilos de vida e dos hábitos que a gente tanto sabe que influencia no estabelecimento da doença. Então, esse corte de 12 por 8 serve muito mais como iniciar uma intervenção preventiva do que dar o diagnóstico da doença estabelecida", explicou.
*Sob a supervisão da editora Amanda Souza
