
Em 10 anos, o número de academias teve um salto histórico no Brasil, passando de 22.581, em 2015, para 62.718, em 2025, de acordo com o Panorama Setorial Fitness Brasil. Isso significa um crescimento no setor, aumento de emprego e uma maior procura por saúde por parte da população. Porém, não adianta ter diversos espaços de treinamentos se eles não oferecem segurança para os alunos.
Recentemente, o caso de Júlia Stefany Cotrim, de 19 anos, chamou atenção do país. Enquanto treinava em uma academia no Distrito Federal, a jovem acabou quebrando os joelhos quando a alça do equipamento de elevação pélvica que ela utilizava se soltou, atingindo-a com a barra de anilhas pesando cerca de 180 quilos.
Em Salvador, não tem sido diferente. De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), 24 ocorrências de acidentes em academias foram registradas neste ano, incluindo dois óbitos associados a paradas cardíacas.
Para o professor de educação física e diretor da assessoria esportiva Runners Clube, Felipe Chokito, o baixo número de profissionais em boa parte dos espaços de treinamentos faz com que essas situações ocorram com mais frequência.

O hype das mídias sociais expõe pessoas sem capacidade e orientação a ultrapassar o limite da saúde.
Felipe Chokito, professor de educação física
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"Com o crescimento das academias modelo low cost (baixo custo), no qual mantém um número reduzido de profissionais de educação física e com grande número de clientes nos horários de pico, há um aumento nos índices de acidentes, lesões e desmaios nesses espaços", explicou o profissional.
Além da falta de professores, Chokito acredita que a cultura desenfreada da alta peformance tem contribuído para que esses acidentes ocorram. "O hype das mídias sociais expõe pessoas sem capacidade e orientação a ultrapassar o limite da saúde, gerando insegurança nesses ambientes", alertou.
Visão de aluno
Treinando há cerca de quatro anos, a fonoaudióloga Tássia Cristina, de 32 anos, contou que nunca se machucou pois sempre priorizou o seu bem-estar e a execução correta antes de qualquer performance. Ela também acredita que os aparelhos, em sua maioria, são seguros, porém, o acompanhamento dos profissionais nas academias não é o mais adequado.

"A supervisão em horários mais cheios deixa a desejar. O ideial seria que as academias tivessem um maior número de professores para esses turnos e dias com maior fluxo de pessoas, assim daria uma confiança maior nos treinos", opinou.
Segurança em primeiro lugar
Felipe Chokito pontuou que a segurança deve começar antes mesmo dos treinos e um passo importante é a anamnese, uma espécie de entrevista feitas por profissionais da saúde, com o objetivo de coletar o histórico clínico, hábitos e queixas dos alunos. Além disso, é importante realizar exames, em especial os cardiológicos, para saber se há aptdão para a rotina de treino.

Outra orientação do professor é procurar um espaço de treinamento adequado. "Buscar uma academia com um bom conceito e sempre ser orientado por um profissional habilitado pelo Conselho Regional de Educação Física (CREF)", cravou.
