
Caminhar, correr, pedalar ou praticar esportes como corrida ou futebol fazem parte da rotina de muitos soteropolitanos. No entanto, com a sensação térmica ultrapassando os 38 °C na capital baiana, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), cresce o alerta para os riscos da prática de atividades físicas sob calor intenso.
Apesar de ser fundamental para a saúde, a atividade física realizada sem os devidos cuidados pode se transformar em um fator de risco. Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) apontam um aumento de 18% nos atendimentos por desidratação e exaustão térmica entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025. Já a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) registrou um crescimento de 21% nas emergências por desidratação apenas no último verão na capital.
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De acordo com a Maria de Fátima Amorim, coordenadora nacional da pós-graduação em Dermatologia da Afya Educação Médica Salvador, as altas temperaturas e a umidade elevada exigem mais esforço do organismo para manter o equilíbrio térmico. “Durante o calor, há aumento da frequência cardíaca, maior perda de líquidos e elevação da pressão arterial, o que pode transformar uma atividade física mal planejada em uma sobrecarga para o corpo”, explica.
Entre os principais riscos da prática de exercícios ao ar livre em dias muito quentes estão a desidratação, a exaustão pelo calor e a insolação, especialmente quando a exposição ocorre em temperaturas acima de 40 °C. “Nesses casos, há elevação da temperatura corporal, falha no resfriamento do corpo e perda acentuada de água e sais minerais, exigindo tratamento médico imediato”, alerta a especialista. Além disso, a exposição prolongada ao sol aumenta o risco de queimaduras solares e câncer de pele, problemas que podem surgir a longo prazo, assim como a queda no desempenho físico, já que o corpo passa a direcionar energia para tentar se resfriar.

Os sinais de alerta para desidratação e exaustão térmica incluem fadiga intensa, cansaço excessivo, tontura, náusea, dor de cabeça e sudorese excessiva. “Quanto maior a sudorese, maior é a perda de líquidos e sais minerais, o que agrava o quadro”, reforça.
Quanto aos horários mais seguros para a prática de exercícios, a dermatologista explica que isso pode variar conforme o fototipo da pele, mas, de modo geral, o mais recomendado é evitar o período entre 10h e 16h. “O ideal é praticar atividades físicas no início da manhã ou no final da tarde, quando a incidência de radiação UVB, responsável pelo aumento da temperatura e pelas queimaduras solares, é menor”, orienta.
A especialista também destaca a importância da hidratação constante, com água ou bebidas isotônicas, especialmente em treinos mais longos. O uso de protetor solar com fator acima de 50, roupas leves com proteção UV, boné e óculos escuros também é indispensável. “Caso não seja, se hidratar e procurar um serviço de saúde”, conclui a especialista.
*Sob a supervisão do editor Anderson Orrico
